Não olhando a custos, centrando atenções apenas no belo e prazenteiro, onde tudo pode ser feito à medida e ao gosto, eis que a Mercedes-Benz pode ter solução para quem considere que um RollsRoyce ou Bentley são verdadeiramente... excessivos. Depois de vários anos ausente do segmento dos cabrio de superluxo (de 1971 a 2016, data última, em que lançou este S Cabrio), a Mercedes decidiu voltar a dar atenção especial ao seu menino bonito cerca dois anos e meio após o lançamento, focando-se no refinar dos pormenores, na modernização dos elementos tecnológicos e também em importantes atualizações sob o capot.
A sigla 560 começa por levantar o véu sobre as novidades, representando a adoção do evoluído bloco V8 biturbo a gasolina, de 4 litros de cilindrada, a debitar 469 cv, que surge no lugar do anterior 4,7 biturbo de 455 que animava o então S 500. Está dotado de tecnologia de desativação de uma bancada de cilindros em momentos de baixas necessidades de aceleração, o que muito contribui para a redução efetiva do consumo médio, tendo nós registado ganhos acima dos 2,5 l/100 km entre as duas versões. As performances, como as acelerações, quase não sofreram alterações, surgindo apenas ligeiras melhorias nas retomas de velocidade.

Outra das novidades intimamente ligadas à condução prende-se com a adoção de modos de condução via programa Dynamic Select, incluindo modo Eco que insere a função velejar na caixa automática de 9 velocidades – note-se que antes deste restyling o condutor teria sempre de combinar, individualmente, a atuação da suspensão pneumática Airmatic com a da caixa automática, ambas só com dois modos.
Atualização mais visível e diferenciadora será o novo volante com os comandos táteis para saltar nos menus informativos do painel de instrumentos (braço esquerdo) ou para navegar nos menus do completíssimo sistema de infoentretenimento (direita). As regulações do cruise control também migraram da haste na coluna da direção para o braço esquerdo do volante.
Pequenos avanços ergonómicos mas que acentuam evolução tecnológica, pois até ficaria mal a um S não dispor das últimas que já marcam presença no Classe A... Por isso, mais qualidade afeta à definição de imagem dos dois marcantes monitores digitais de 12,3’’ que dão vida à instrumentação (com três vistas disponíveis) e a todo o sistema de controlo das funções de bordo. E ainda não há na indústria igual na apresentação dos menus, animações e até na relativa facilidade de navegação entre as muitas opções disponíveis – note-se a possibilidade de escolher entre 64 cores para iluminação ambiente!
Os cuidados na apresentação estão presentes tanto no tablier como nos revestimentos da capota. As pesadas portas podem incluir fecho assistido; os cintos dianteiros chegam às mãos via braço extensor; o acesso aos bancos traseiros é do mais amplo que se pode encontrar num cabrio, mesmo com a capota colocada – esta pode ser operada com o majestoso S Cabrio em andamento, até aos 60 km/h. Nem falta uma luz de leitura na zona interior da capota a servir os lugares traseiros, os quais podem contar com sistema de aquecimento.

Difícil encontrar local onde as pontas dos dedos deem conta de plástico frio ou desagradável, servindo de extensão ao que os olhos comem: um género de caviar sensitivo, onde todos os pormenores importam. Por isso, a localização da tomada USB, na parede interior do apoio de braços central, é de acesso difícil. Estão aí também guardados os botões que operam capota, os quatro vidros laterais em uníssono e o que eleva os elementos de proteção aerodinâmica do Aircap (sobre a moldura do para-brisas e cortina atrás dos lugares posteriores). Elementos importantes quando o objetivo passa por retirar verdadeiro prazer do S enquanto descapotável de eleição, deixando que a sonoridade do V8 passeie ao lado dos ouvidos, levada pela brisa do vento.
Toda a vertente dinâmica é definida pela máxima atenção ao conforto, seja por intermédio das suspensões, seja somada aos opcionais bancos dianteiros de multicontorno dinâmico: embora não sejam os melhores no apoio lateral, ao nível dos ombros, e configuram uma posição de condução algo elevada. Mas têm aquecimento, a possibilidade de ventilação e diversos programas de massagem, além de apoios laterais lombares ativos que tentam acompanhar o corpo nas curvas.
São bem notórias as diferenças entre os vários modos de condução, com os mais desportivos mais focados em (tentar) conter a inclinação lateral da pesada carroçaria do que propriamente em endurecer o contacto com a estrada. Opção que se coaduna a automóvel desta génese, em que a agressividade em curva será quase sempre esquecida em prol de um passeio sereno, confortável, requintado e prazenteiro. Com a certeza de que sob o pé direito existe muita pujança para fazer mexer o S condignamente, embora a afinação eletrónica (sempre com tónica na suavidade) crie algum atraso na resposta de acelerador e caixa, para evitar que, mesmo pisando-se a fundo, existam movimentos intempestivos. Já a acústica do V8, e como a Mercedes nos tem habituado nos últimos tempos, surge bem afinada e até com indícios de AMG quando em Sport+!
Mas num carro destes, de magnânima insonorização e um quase total isolamento do habitáculo ao exterior (seja via capota de três camadas, seja pela exímia filtragem de ruídos de rolamento), será a simbiose dos elementos de conforto e do concentrado tecnológico que permite multiplicidade de opções dinâmicas e de bem-estar, juntamente com o apurado sistema de som da Burmester, que irá marcar cada viagem. E sem esquecer a ventilação quente ao nível na nuca do sistema Airscarf, mais um detalhe que faz a diferença.