Olhamos para o novo Classe C e, à primeira vista, não encontramos novidades muito significativas na carroçaria, o que mais do que a desinspiração dos desenhadores da Mercedes, significa certamente que não há razões comerciais para alterar a fisionomia do automóvel da marca de Estugarda que mais vende por todo o mundo. E como boa parte da decisão de comprar um automóvel tem a ver com o lado emocional do comprador…
Posto isto, é provável que o leitor fique um pouco confuso se lhe dissermos que este Classe C que vê nas imagens tem 6500 peças modificadas ao modelo anterior. Na carroçaria, por exemplo, os detalhes modificados encontram-se nos para-choques, grelha dianteira (dependendo da linha de equipamento escolhida) e grupos óticos, sendo que nestes há a possibilidade de escolher, pagando, sistema High Performance LED ou Multibeam LED.
Por dentro, o destaque vai desde logo para o cockpit digital, ou seja, instrumentação e, forma de display de 12,3’, e para o novo ecrã central de maiores dimensões (7’’ de série, 10,5’’ em opção; o nosso C estava equipado com o segundo) com controlo tátil, através de um touch pad na consola central ou nas teclas no volante, exatamente da mesma forma que sucede no Classe E.
Na versão C 220 d que testámos, a novidade maior é a substituição do 4 cilindro de 2,2 litros com 170 cv por 2.0 de 194 cv e 400 Nm que já conhecemos, e com muito prazer, do Classe E. Trata-se de mecânica evoluidíssima e para a qual só temos elogios. A Mercedes afirma que este é o motor mais evoluído na sua categoria, e o único a conseguir cumprir já as normas de emissões vigentes respeitando os novos testes em condições reais de utilização, que serão implementadas na Europa a partir do outono do próximo ano. Não afirmamos que será o mais evoluído, sendo certo que estará no topo dessa lista, mas podemos seguramente afirmar que se trata de um dos mais eficazes e eficientes. Desde a primeira aceleradela que se percebe que o generoso binário está disponível num amplo leque de regimes (sendo que o valor máximo se constante entre as 1800 rpm e as 2800 rpm), ou seja, a resposta é excelente em todas as circunstâncias, proporcionando retomas muito rápidas. E, depois, a capacidade de aceleração chega a surpreender, existindo potência acima das 3000 rpm, o que se expressa em 0-400 metros em 15,1 segundos ou 0-1000 metros em 27,6 segundos, já a 192 km/h! Mas não é só nas prestações que o 2 litros se superioriza ao 2.2 que substitui. Também é mais suave, mais silencioso, mais quieto nas vibrações (que são nulas, mesmo em situações mais exigentes, nomeadamente em alta rotação) e muito mais poupado, como veremos adiante.
A gerir esta fantástica peça de engenharia temos a caixa automática de nove velocidades, dispositivo muito suave e rápido, capaz de extrair o melhor do 2.0 de 194 cv, ajustando as relações de forma eficiente em cada momento de condução. E, claro, tudo isto acaba por lhe atribuir também mérito na obtenção dos consumos frugais de que este automóvel é capaz, pois conta com função velejar (Eco), que desacopla a transmissão, em efeito de roda livre, para superior economia de combustível. No extremo oposto, ou seja, em modo Sport, passagens mais incisivas e acelerador mais reativo. Em autoestrada, por exemplo, a caixa reduz o regime de utilização do motor, pois com a 9.ª engrenada, a 120 km/h, roda a 1500 rpm…
Em modo Eco, a 90 km/h em estradas rurais planas, é normal fazer média abaixo de 3 litros aos 100 km; entrando na autoestrada, cumprindo o limite máximo, e sem grandes inclinações, a média pouco passa dos 4/l 100 km; em cidade, os 5,6 litros de média não assustam. Contas feitas, percorrendo os diversos modos de condução (do Eco ao Sport Plus) durante cerca de 200 quilómetros em diversos percursos, e abusando por vezes do acelerador, apurámos média de 5,6 l/100 km, notável para motor com as prestações que referimos.
E tudo isto se passa com um conforto irrepreensível. Neste Classe C, o sistema Agility Control é de série, o que permite variar os modos de condução sem perder pitada de conforto (mesmo no modo mais desportivo!), pois o amortecimento seletivo passivo garante filtragem superior em todas as superfícies da estrada, otimizando automaticamente amortecimento e estabilização, o que também influi numa condução fácil e envolvente, com reações neutras e previsíveis. A apreciar tudo isto ajuda, também, a direção direta e comunicativa.