Mitsubishi Eclipse Cross

Diamante por lapidar

Apresentação

Por Ricardo Jorge Costa 26-02-2018 21:01

A Mitsubishi continua a alterar nomes e conceitos. Após o Space Star ter sido monovolume (1998-2005) e tornar-se citadino sete anos mais tarde (2012), é a vez do Eclipse, que foi coupé compacto (1989-2012) transformar-se num crossover da moda. A única novidade é a de os novos modelos homónimos terem um apelido a distingui-los: Cross, no caso do mais recente, que tem lançamento aprazado para o mês de abril.

Com design caracterizado pela muito apreciada secção posterior da carroçaria em formato de coupé, o Eclipse Cross tem mais 11 cm de comprimento do que o AXS e menos 29 cm do que o Outlander, acrescentando 2,4 cm à largura e 7 cm à altura do primeiro modelo, e nestas medidas bastante mais aproximado ao segundo (menos 5 mm de largura e mais 5 mm de altura). A plataforma e a distância entre eixos (2,670 metros) são comuns aos três automóveis.

Design e equipamento

O novo modelo tem claramente a imagem de família da marca dos três diamantes (no desenho da dianteira), mas inova na seção posterior com a superfície vidrada (óculo) separada por uma barra transversal (não translúcida) em que estão instalados os faróis. Apesar disso, não há perda significativa de visibilidade do condutor para a retaguarda.

No interior destaca-se desde logo a qualidade de construção do novo modelo, nivelada claramente pelo seu parceiro de gama imediatamente superior, muito mais encostado à do Outlander do que à do ASX. No design e na conceção de todo o habitáculo realça-se o rigor dos materiais e a solidez da montagem dos elementos e ainda empenho do fabricante no aprumo da ergonomia de todos os comandos e instrumentos de bordo, no painel, no tablier e na consola entre os bancos, onde surge um controlo tátil do também estreante monitor central de 7’’ igualmente tátil, em que se projetam os sistemas de infoentretenimento com funcionalidades modernas. O Head-up display é outra novidade.

A dotação de espaço nos lugares posteriores é ampla (embora o lugar central traseiro seja mais estreito e as costas mais duras, como é norma em quase todos os automóveis modernos que não tenham bancos individuais atrás) e a capacidade da bagageira também generosa, e ainda configurável em três medidas (378-475-1122 litros). As duas primeiras medidas através do deslizamento do banco traseiro (numa calha) de 20 cm, permitindo gerir a volumetria para carga ou a habitabilidade, consoante o que é prioritário a cada viagem; e a terceira mediante o rebatimento dos encostos (proporção 60/40).

Motor a gasolina 1.5 de 163 cv

Inédito e elogiável também é o motor 1.5 turbo, a gasolina, com potência elevada (163 cv) e correspondentes boas prestações, além de ter funcionamento suave e com baixo ruído. Uma mecânica que poderia ser um fator determinante de cativação do consumidor no mercado português, não estivesse este segmento maioritariamente dieselizado, o que, em contraponto, constitui a principal, e enorme, pecha do Eclipse Cross: a ausência de motor a gasóleo durante os primeiros tempos de comercialização e a disponibilidade futura apenas de um único motor a gasóleo e de desadequados 2,2 litros para a clientela lusa neste segmento e cuja potência não foi anunciada (desenvolvimento do bloco de 150 cv que dispõe o Outlander).

Associado ao motor a gasolina poderão estar duas caixas, em alternativa: manual de seis velocidades e automática de variação contínua (CVT); e ao vindouro Diesel uma transmissão automática de 8 relações. Em também em opção, versões de tração dianteira (4x2) ou integral (4x4).    

A consistente rigidez estrutural e as suspensões com amortecimento bem regulado são mais virtudes salientes do Eclipse Cross, conferindo-lhe agilidade, agora muito mais próxima da do AXS do que a do Outlander. Afinação de compromisso entre a dinâmica e o conforto, restringe excessos de movimentos de carroçaria em curva e aprimora a filtragem das irregularidades do piso. A direção e a travagem contribuem para o agrado geral da condução, mas sem deslumbrar.

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