Ao fim de 38 anos no ativo, o Classe G renovou-se, está mais requintado e tecnologicamente mais evoluído, inspirado nas recentes criações da Mercedes-Benz, mas sem perder o carácter intemporal que fez deste jipe um clássico.
Embora sendo automóvel histórico e intemporal, não seria difícil adivinhar a integração de grande parte das tecnologias e do ambiente vanguardista que se têm a bordo de outros modelos do fabricante alemão, caso do tablier dominado pelos dois monitores de 12,3’’ que definem as linhas do painel de instrumentos digital multiconfigurável (em opção) e do sistema de infoentretenimento, com a mais atualizada e intuitiva variante do sistema Comand.
Embora com caráter de cabra montês – ao novo G não poderia faltar o dístico Schöckl, sinal de que passou o duro teste na montanha com o mesmo nome, nos arredores da fábrica onde é produzido, em Graz, na Áustria – e mantendo intocáveis as características excecionais de veículo todo-o-terreno, o automóvel não foge às obrigações de requinte e conforto no interior, definidas pelos distintos revestimentos em pele, bancos aquecidos à frente e atrás e até a possibilidade de inclusão de funções de massagem nos dianteiros. O volante de três raios não dispensa os comandos táteis herdados dos atuais Classe E e S.
Mas há sinais de que estamos dentro de jipe com história, caso da herança da pega colocada em frente ao lugar do passageiro (sem implicações na segurança e no abrir do airbag), do característico som do fechar das portas ou mesmo o design das saídas de ventilação, evocando as formas circulares das óticas dianteiras inseridas em molduras quadradas. Os comandos dos vidros elétricos mantêm o posicionamento no topo das portas. Dos quase 40 anos de história e cerca de 300 mil unidades produzidas sobram, ainda, o formato dos puxadores exteriores das portas e a colocação da roda suplente na tampa da bagageira.
Em interior em que tudo o que parece é (caso de alumínio ou madeiras) há a realçar o incremento do espaço habitável em todas as direções – era problema crónico do anterior G – com mais 1,5 cm para as pernas, atrás, e portas de desenho interior recortado para superior largura interna. A bagageira é ainda mais funda, mas sem esperança de acolher uma terceira fila de bancos: os sete lugares ficam para os SUV. Este é um ícone de paixões.
A gama de motorizações, duas versões do V8 4.0 biturbo, de 422 cv/610 Nm para a versão G 500; e de 585 cv 850 Nm para o topo de gama AMG G 63. Neste último, todo-o-terreno com performances desportivas: 0-100 km/h em 4,5 segundos.