VW T-Cross

Pedrada no charco

Apresentação

Por Vítor Mendes da Silva 18-09-2018 09:00

A importância dos crossovers e dos Sport Utility Vehicles (SUV) nos números dos construtores é cada vez maior, com aqueles formatos a conseguirem todos os meses quotas recorde nos principais mercados europeus. E, se o crescimento da VW não era mais expressivo devido ao número limitado de automóveis com aquele formato no catálogo, o maior fabricante europeu de automóveis emendou a mão: até ao final da década existirão 19 crossovers e SUV no portefólio da marca. Entre as novidades, inédito compacto baseado na arquitetura técnica do Polo (MQB A0) para posicionar imediatamente abaixo do T-Roc made in Portugal.

O T-Cross, com mesmo nome do protótipo apresentado no salão de Genebra de 2016 (T-Cross Breeze), aponta a território pejado de boas propostas, como o Arona da Seat, o 2008 da Peugeot ou o Renault Captur.

Porque é pedrada no charco?

Voltemos um pouco atrás, à base. Técnica ou visualmente, o Polo pode considerar-se automóvel quase sem defeitos, mas também não está entre os compactos mais revolucionários e inspiradores da atualidade. Trata-se de modelo à medida de clientela que valoriza o preço, mas não abdica de qualidade e condução confortável e segura, mesmo sem grandes emoções… Ora, o vindouro T-Cross irá preencher, precisamente, toda essa franja mais emocional que resta no segmento B, com a imagem desempoeirada da moda e até alguns elementos de estilo inovadores na marca, mais e melhores soluções de modularidade no interior e aposta forte na personalização.

Com 4,1 metros de comprimento, o T-Cross tem mais 5 cm que o Polo e não parece muito mais pequeno que um Golf ou um T-Roc, sendo o novo SUV, naturalmente, mais acanhado por dentro. Ainda assim, quatro adultos viajam no seu interior em ótimas condições de conforto. Um quinto elemento a bordo, sentado atrás, no lugar do meio sentirá o aperto normal que resulta da presença de um intrusivo túnel no piso do automóvel, que ali está apenas para equilibrar o chassis, uma vez que na gama do aguardado T-Cross só estarão disponíveis simplificadas versões de tração dianteira. Sob o capot, o mais pequeno SUV da VW terá motores derivados do automóvel do segmento B, como os 1.0 TSI de 95 cv ou 115 cv e os 1.6 TDI de 80 cv ou 90 cv. Mais à frente, na segunda metade do próximo ano, a gama será enriquecida com o 1.5 TSI de 150 cv, com sistema de desativação de cilindros.

Não é um Polo de ‘saltos altos’...

Apesar de estar coberto de confusas fitas de camuflagem (conseguimos ver em primeira mão a versão definitiva, que não nos permitiram fotografar…), não estaremos a arriscar muito ao dizer que o T-Cross, sendo uma lufada de ar fresco em relação ao desenho mais conservador do Polo, não vai revolucionar o design automóvel nesta classe. Ao mesmo tempo, sendo o novo benjamim da família de SUV da VW seria de esperar uma aproximação ao estilo do T-Roc. Que não acontece! Na verdade, na secção dianteira do novo ‘T’ descobrimos mais semelhanças com o Tiguan, através de uma grelha de linhas mais direitas e alguns elementos de estilo originais, como a lâmina vermelha, retrofletora, que une as duas óticas traseiras, com tecnologia de LED de série. Depois, se é certo que o pequeno SUV parte da base técnica do popular utilitário, também é verdade que se distancia muito deste no aproveitamento que se faz das cotas habitáveis. O T-Cross também é 10 cm mais alto que o Polo, o que ajuda à sensação de superior desafogo no seu interior. Sobretudo nos lugares posteriores, que podem avançar ou recuar longitudinalmente sobre calhas com 15 cm, beneficiando-se o espaço para bagagens (fazendo oscilar a capacidade da mala entre os 385 e os 455 litros) ou o espaço para as pernas dos ocupantes dos lugares posteriores. Para ainda maior capacidade de carga, os encostos dos bancos traseiros rebatem na proporção 60:40, num único movimento. Depois, com a possibilidade de rebater-se também o encosto do banco do passageiro da frente (em opção), desenrasca-se também o transporte de volumes mais compridos, como uma prancha de surf.

Interior de ‘fingir’

Não só não pudemos fotografar o interior, como este estava totalmente mascarado. Sabemos que o habitáculo do T-Cross será composto por painéis de portas coloridos, terá mais cor no tablier, que pode incluir motivos em 3D, algo inédito em modelos da VW. A instrumentação de apresentação analógica clássica será usada nas versões de acesso à gama, enquanto os níveis mais altos terão mais conteúdos digitais, ecrã tátil de 8’’ do sistema Active Info Display, quatro tomadas USB (duas à frente e duas atrás) e prateleira de carregamento de smartphones por indução na consola central.

Sobre a forma como o novo SUV pisa a estrada, a impressão com que ficámos foi de ótimo conforto e boa estabilidade, a disfarçar muito bem a superior altura do carro. Os amortecedores e molas nestes protótipos ainda não têm firmeza que permitirá conter com mais eficácia oscilações da carroçaria em curva, mas a coisa promete. Até porque ao volante do Diesel mais potente, cumprindo as imposições do engenheiro sentado em modo alerta à nossa direita, a sensação de que com esse nível de potência/binário o chassis chega e sobra para as encomendas. A direção já é agradavelmente direta e precisa. Nesta fase, nota ainda para o habitáculo que está já muito bem isolado de ruídos.

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