Toyota Corolla

Irreconhecível

Apresentação

Por Vítor Mendes da Silva 22-12-2018 18:00

Um Golf será sempre um Golf: há uma linha de estilo constantemente repetida que contribui para o sucesso do modelo da VW. No caso do Corolla, ao contrário, a filosofia dos responsáveis da Toyota sempre foi diferente. A cada nova geração do compacto nipónico somos confrontados com um automóvel substancialmente diferente do precedente. E pode bem ser esse o principal segredo da sua longevidade. Além da reputada fiabilidade, que é apanágio do fabricante.

Na 12.ª edição do eterno rival do Golf, com lançamento confirmado para fevereiro de 2019, quer enquanto compacto de 5 portas, quer como carrinha, sucedeu uma vez mais uma viragem na arquitetura das formas, que acompanha a reformulação profunda dos conteúdos e o regresso a nome com peso!

Na Europa, desde 2006, as duas carroçarias eram comercializadas sob o badge Auris (que é nome para riscar do portefólio), mantendo-se a designação original só para o 4 portas. A alteração para Corolla – nome do modelo mais vendido do mundo, com mais de 45 milhões de unidades desde 1966 – coincide ainda com a introdução no modelo da nova arquitetura global da Toyota (TNGA), substituindo as atuais plataformas, e pela primeira vez gama com dois híbridos, com mecânicas a gasolina (1.8 e 2.0) e motores elétricos, com 122 cv e 180 cv, respetivamente.

O que muda ao volante?

A atual passagem de testemunho traz, indiscutivelmente, o veículo mais importante na história recente da marca japonesa na Europa. O Corolla lança-se ao desafio do competitivo segmento dos compactos de segmento C, que representa a maior fatia de vendas de veículos novos, não apenas com a tradicional mais-valia da renovação, mas sustentado pela efetiva virtude de ter nascido para aceder ao gosto dos clientes-alvo. Deixou de ser apenas um automóvel bem construído e fiável, tornou-se mais atraente e dinâmico, com gama completa de estilos de carroçaria e raízes genuinamente europeias – a carrinha (Touring Sports), que analisámos mais a fundo, por ser o formato mais procurado no nosso país, foi desenvolvida no centro técnico da marca no Velho Continente, precisamente para alcançar a europeização que não conseguiram plenamente com o Auris...

Entre os requisitos: design sedutor sem penalizar espaço e conforto como referências da classe; maior qualidade percetível; prazer de condução; inovação; e, por último, mas não menos importante, motorizações mais eficientes. Resultado: novo Corolla a anos luz do predecessor.

Começando pela base, com muito mais qualidade. A plataforma é a nova TNGA que conhecemos do C-HR e Prius, a contribuir para um automóvel mais competente no capítulo dinâmico, oferecedor de superior envolvência na condução, sem penalizar o conforto. Desde logo, houve uma alteração profunda na arquitetura das suspensões, com mais evoluída estrutura multibraços, como fórmula para melhorar o equilíbrio da dinâmica entre conforto e eficácia, especialmente em curva, efetivando-se a restrição dos movimentos naturais da carroçaria ao mínimo possível sem prejuízo da comodidade dos ocupantes. Na comparação com o modelo precedente, o chassis e a restante estrutura do novo Corolla apresenta incrementos de 60% na resistência à torção, que ajudam a compatibilizar a estabilidade e o conforto de rolamento que o veículo exibe. A suspensão absorve os ressaltos da estrada com eficácia que o antecessor não tinha, mas o maior destaque ao volante da nova carrinha Corolla (ainda versões pré-série, com margem para progredir na qualidade de acabamentos) vai inteirinho para a ótima capacidade de travagem, com o sistema a responder de forma muito mais precisa e progressiva.

Outra das pretensões do novo Corolla é a de cativar o público pela qualidade de conceção do habitáculo. Para o conseguir, a Toyota investiu fortemente na nova dimensão da qualidade, não facilitando um milímetro na obtenção de maior sensação de suavidade ao tato, afinação cuidada do funcionamento dos diversos comandos e no criterioso trabalho de insonorização.

Ainda em consequência da substituição de plataforma, que tem mais 10 cm entre eixos (4 cm no hatchback), a Toyota construiu carrinha com mais 58 mm de comprimento e 30 mm de largura do que o antigo, mas com menos 30 mm de altura. Evolução que se reflete também nas cotas de habitabilidade, sobretudo nos lugares posteriores, agora com mais desafogo para acomodar três adultos. A marca japonesa anuncia mesmo aumento de 48 mm na medição banco posterior ao encosto da frente, para referenciais 928 mm. Ao contrário, no compartimento da mala, os mesmos 598 litros de volumetria na configuração standard, o que posiciona o Toyota no topo da categoria.

Na gama de motorizações, a par do revisto e atualizado bloco 1.8 de 122 cv, inédito motor de 2.0 litros, mais potente, com expressivos 180 cv, a merecer o maior destaque. Desde logo, pela forma como permite retirar o máximo proveito das melhoradas credenciais dinâmicas do modelo. É motor disponível e silencioso, a beneficiar muito com a associação a nova caixa de velocidades, que combina elementos das CVT e das automáticas convencionais, eficaz quando rolamos a velocidade cruzeiro, competente a baixa rotação, em aceleração ou nas retomas de velocidade, trabalhando de forma mais lesta e progressiva, e sem a sonoridade exagerada de outrora. Média de consumo neste primeiro contacto 6 l/100 km.

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