Volvo S60

Diesel não entra

Apresentação

Por Ricardo Jorge Costa 25-12-2018 09:00

A Volvo tem menos de nove anos de vida nova e já cresceu tanto. Desde que foi adquirida pela chinesa Geely em 2010, o construtor sueco passou a ter liberdade (e dinheiro) para desenvolver automóveis mais modernos e melhores. Fê-lo e bem. Uma das criações mais engenhosas da nova era da Volvo é a plataforma SPA (Scalable Product Platform), a base técnica em que assentam todos os mais recentes modelos do fabricante, as gerações atuais de XC90, XC60 e V60, e agora o novo S60, a berlina da gama média da marca nórdica com capitais asiáticos.

Com a imprescindível oferta de SUV totalmente renovada e com a comercialização em velocidade de cruzeiro, a Volvo ambiciona aproveitar o bom momento para investir noutros formatos. Com a gama compacta ancorada no SUV XC40 (baseado na plataforma para compactos CMA – Compact Modular Architecture) e com a carrinha aberlinada V40 ainda em forma, os suecos viram-se para a família 60, sucederam-se os totalmente novos XC60, SUV mais vendido na Europa na anterior geração (2ª, de 2008-17), a carrinha V60, em venda desde a última primavera, e agora a berlina S60.

AUTO FOCO foi a Los Angeles, na Califórnia, para conhecer a nova geração do sedan de gama média (segmento D), que chegará a Portugal no início do segundo semestre de 2019 (junho), mas com a abertura das encomendas a partir de fevereiro, um mês após serem conhecidos os preços. Prevêem-se, como é habitual, umas poucas centenas de euros abaixo dos da carrinha. O novo S60 competirá, principalmente, com a também novíssima rgeração do BMW Série 3, com o recém-modernizado Mercedes-Benz Classe C, com o Audi A4 e ainda com o Jaguar XE. Todos concorrentes de classe premium, está a ver-se, mas sem descurar aspirantes recentes, como o Peugeot 508, ou o estabelecido decano Volkswagen Passat.

A berlina sueca de quatro portas chega à sua terceira geração, desde que em 2000 sucedeu ao S70 e substituiu o modelo em comercialização desde 2011 e atualizado em 2014, é o primeiro a ser produzido na nova fábrica da Volvo em Charleston, Carolina do Sul. Infraestrutura com capacidade de construir até 100.000 veículos por ano – mas que arrancará com a fasquia nas 60.000 unidades –, e que abastecerá todos os mercados onde o S60 será comercializado. A escolha da marca de Gotemburgo pelos Estados Unidos é óbvia, uma vez que este mercado (ainda) é um dos maiores de todo o mundo de sedans.

O S60 é igualmente o primeiro Volvo sem qualquer Diesel na gama. No catálogo da nova berlina para o nosso país, são três os motores (exclusivamente) a gasolina: T4, T5 e T6, todos com 2.0 de injeção direta e turbo (no T6, duplamente sobrealimentado, por turbo e compressor, e ainda com tração integral) e potências de 190, 250 e 310 cv, respetivamente. A estas acrescentam-se dois híbridos plug-in, as joias da coroa… sueca: T6 Twin AWD e T8 Twin AWD, ambos com bloco 2.0 a gasolina suprarreferido, de 253 cv e 303 cv, respetivamente, e auxiliados por motor elétrico de 87 cv, para atingir potências combinadas de 340 cv (T6) e 390 cv (T8) – este último pode chegar aos 405 cv na versão Polestar Engineered. Todos os motores têm, exclusivamente, transmissão automática de oito velocidades.

Decorrente da partilha de plataforma, a berlina S60 e a carrinha V60 têm idêntica distância entre eixos (2,872 metros) e precisamente a mesma medida exterior de comprimento (4,761 m). Todavia, a volumetria da bagageira do S60 (442 litros) subtrai 87 litros à da bagageira da carrinha, mas é maior 62 litros do que a da anterior geração.

Um ganho substancial, similar ao da qualidade de construção, dos acabamentos e da dotação tecnológica do interior, em linha com a dos Volvo mais recentes, e perfeitamente alinhado pelas referências do segmento em que o S60 se insere. No painel de bordo domina o ecrã central de grandes dimensões, semelhante às de um tablet. O espaço para os passageiros abunda e com abastado conforto, e possibilidades múltiplas de o enriquecer pela longa e dispendiosa lista de opcionais.

Nas belas estradas da Califórnia, entre Santa Monica, Malibu e as montanhas, conduzimos o S60 T6 R-Design e o T8 Twin AWD Polestar Engineered, este último, uma das principais novidades da gama, híbrido plug-in com prestações desportivas e a assinatura da Polestar, a recém-criada marca de automóveis elétricos de altas performances da Volvo, aqui responsável por um desenvolvimento técnico esmerado, em que se incluem amortecedores desportivos Öhlins e travões de altas performances Brembo (com as maxilas pintadas a amarelo/dourado, a cor de alguns apontamentos do interior), com destaque (de gosto discutível) para os cintos de segurança. Mais requintado é o punho do seletor da caixa em cristal e com controlo eletrónico.

As suspensões independentes multibraços pendem para o conforto, privilegiando a absorção das irregularidades do piso em detrimento de firmeza que proporcionasse mais agilidade em curva, mas que pudesse beliscar a suavidade. Neste caso, Volvo à antiga.

Para iniciar esta primeira experiência de condução do S60, escolhemos o T8 Twin AWD Polestar Engineered, híbrido de carregar à tomada com 405 cv máximos combinados (perderá 10 cv quando atravessar o Atlântico para o Velho Continente devido aos rigores, mais realistas, das novas medições de consumo e emissões com o método WLTP).

Para sair de LA, o trânsito à velocidade de caracol. Oportunidade para usufruir da propulsão exclusivamente elétrica conferida pelo motor (mais do que) auxiliar. Segundo a Volvo, a autonomia apenas com alimentação da bateria pode chegar aos 45 km, mais do que suficiente (e mais aproveitável) para trajetos citadinos do quotidiano.

Nas highway (vias rápidas norte-americana), selecionamos o modo de condução Power para toda a potência, e tornar o acelerador e a caixa de velocidades mais sensíveis (esta última com possibilidade de comando por patilhas no volante). Com pé direito a fundo (sempre com atenção ao leitor de sinais de trânsito, não vá o xerife saltar de trás de um painel de publicidade), o S60 mais desportivo chega a pressionar-nos contra o banco, impulsionado pelo binário elevado disponível em todas as faixas de regime do 4 cilindros com boost do seu ajudante elétrico.

O amortecimento variável (através de seletor giratório na consola central), adapta o comportamento da berlina ao ímpeto da condução, sem transfigurações significativas e com a referida tendência para a estabilidade confortável em detrimento de contorcionismos. E os travões especiais de corrida aptos a responder a… emergências.

Para o regresso a LA foi a vez do S60 na versão T6 AWD de 310 cv, adotando uma condução tranquila, garantida pelo comportamento dinâmico pautado pela estabilidade, em consonância com os padrões tradicionais da Volvo. E pelas boas performances, o baixo ruído e suavidade de funcionamento e consumo suficientemente contido deste motor duplamente sobrealimentado por turbo e compressor.

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