Os japoneses adoram refinar até os pormenores mais ínfimos, e de exortar o seu mérito, algumas vezes ao ponto de reivindicar, com brio, aperfeiçoamentos quase impercetíveis. Algo que é transversal à sua cultura, significando minúcia e dedicação, e que no mundo automóvel tem apreciadores bastante selecionados e nem sempre um público sedento de novidades e evoluções... visíveis.
A atualização operada ao RC, (o primeiro coupé premium híbrido a ser introduzido no mercado, aquando o lançamento, em 2014) é deveras subtil. No exterior, percebe-se desde logo que há algo novo no desenho do veículo, mas não se identifica imediatamente. Lá está, o que é típico dos nipónicos, embora não um seu exclusivo em restylings. São discretas as inspirações em elementos de design do coupé maior da marca, o LC, com ênfase na grelha dianteira e no efeito em ‘L’ das novas luzes diurnas LED. Exercício que se estende aos grupos óticos traseiros, contribuin-do para a perceção de as vias terem sido alargadas, numa acentuação da imagem desportiva do RC. De resto, as versões F Sport exibem jantes de 19’’, montadas em pneus mistos (mais largos atrás do que à frente), que sugerem um desenho igualmente inspirado no modelo (de segmento) superior LC.
Também importado do LC é o relógio analógico que agora surge no centro do tablier, com todo o simbolismo de requinte que representa. A atenção ao detalhe alarga-se aos novos e cuidados acabamentos em alumínio escovado nas zonas dos painéis de controlo da climatização e rádio, bem como ao reforço do acolchoado nas superfícies laterais do tablier, onde habitualmente tocam os joelhos de condutor e passageiro dianteiro. Estão agora disponíveis quatro combinações de cores para as versões Executive e Luxury (Preto, rosa velho, castanho e marfim), sendo que as variantes F Sport podem ser revestidas a pele branca, preta, amarela ou mostarda. Para o exterior, onze cores.
Os conteúdos tecnológicos foram reforçados, com especial enfoque nos sistemas de ajuda à condução. De série, toda a gama conta com cruise control adaptativo e travagem autónoma em situação de emergência (pré-colisão), que se juntam à monitorização de ângulo morto, alerta e intervenção no volante face a saídas involuntárias da faixa de rodagem, transição automática entre luzes de médios e máximos e alerta de tráfego transversal à retaguarda, útil na saída de locais de estacionamento com parca visibilidade lateral.
A Lexus reforça a aposta na propulsão híbrida, passando o RC 300h a ser a única oferta disponível em Portugal (desaparece a versão com motor 2.0 turbo a gasolina). Mantém a mecânica 2.5 a gasolina a funcionar segundo o ciclo Atkinson (com foco no máximo rendimento térmico), associada a unidade elétrica e transmissão direta do tipo CVT. O motor elétrico não funciona apenas como auxiliar do de combustão, mas também como propulsor autónomo, permitindo ao automóvel rolar em modo puramente elétrico (pode forçar-se este modo ligando o botão EV), desde que a carga na bateria seja suficiente, e mais amiúde em trajetos citadinos.
A Lexus operou mexidas nas ligações ao solo, incluindo a adoção de novos amortecedores que, comprovámos, asseguram superior sensação de controlo dinâmico mediante ligeiro aumento da rigidez. Nada que chegue a afetar a suavidade do rolamento e toda a serenidade a bordo – com tónica na insonorização –, e contribuindo para um ligeiro apuro das sensações dinâmicas, com o RC mais envolvido com a estrada e capaz de transmitir superior feedback direcional ao condutor.
Face a concorrência Diesel, a opção híbrida colhe os seus frutos na serenidade emprestada à condução (se forem evitadas acelerações fortes que não provoquem a ira da caixa CVT) e em toda a atitude descontraída com que a Lexus reveste os seus modelos. E que liga bem com a vasta oferta de equipamento de conforto que ajuda a justificar o preço algo elevado de todas as versões, incluindo a base.