Cupra Born

Entusiasmante

Apresentação

Por José Caetano 27-11-2021 07:00

O primeiro SEAT com a plataforma elétrica MEB do Grupo VW transporta o logótipo da Cupra e fabrica-se na Alemanha, na mesma linha de montagem do ‘irmão’ ID.3, mas diferencia-se pela orientação mais desportiva expressa no desenho da carroçaria. Conduzimos a versão e-Boost (231 cv) com bateria de 58 kWh de capacidade. 

A Cupra como marca não tem mais de quatro anos, mas o investimento numa gama própria de automóveis proporcionou-lhe a diferenciação de identidade na origem da reivindicação de posicionamento comercial específico, entre os fabricantes generalistas e os premium, cumprindo-se, assim, a condição para melhores níveis de rentabilidade. A história do sucesso do Formentor prova-o. Todavia, este lançamento é ainda mais importante: trata-se do primeiro EV da SEAT, se desconsiderarmos a reconversão do Mii.

Na berlina compacta Born, primeira aplicação na SEAT na plataforma elétrica estreada pelo Grupo VW no ID.3. Na MEB, bateria posicionada sob o habitáculo e o motor traseiro aciona apenas as rodas posteriores. Esta construção liberta espaço no interior, baixa o centro de gravidade e otimiza a repartição do peso pelos eixos. Os dois automóveis são produzidos em Zwickau (Alemanha), mas diferenciam-se suficientemente.

O Born, no frente a frente com o ID.3, tem imagem muito mais desportiva (vide difusor e spoiler posteriores à imagem dos compactos desportivos equipados com mecânicas a gasolina!) e interior de maior qualidade para satisfação das exigências do posicionamento comercial elitista da Cupra. Soma-se-lhe, ainda, o sistema de info-entretenimento com monitor tátil de maiores dimensões (12’’, contra 10’’ no VW) e menus e submenus melhor organizados...

No capítulo técnico, o compacto espanhol acelera mais próximo do solo (15 mm no eixo dianteiro, 10 mm no traseiro), tem direção com assistência progressiva em função da velocidade e até admite a reconfiguração do funcionamento do ESP, através da seleção do programa de condução Sport.

Para o Born com 204 cv e bateria com 58 kWh de capacidade, a Cupra anuncia mais de 400 km entre recargas. Neste primeiro contacto dinâmico, conduzimos a variante com tecnologia e-Boost, sistema que garante aumento de potência para 231 cv, mas de forma temporária. Esta intervenção no software melhora a aceleração, mas piora a autonomia – todavia, em qualquer dos casos, só muito ligeiramente!

O percurso de teste em Barcelona era (muito) menos extenso e, por isso, prova dos nove à autonomia apenas depois do lançamento em Portugal. Em contrapartida, o contacto proporcionou-nos leitura do consumo: média de 17,6 kWh/100 km, acima dos 15,5 a 16,7 homologados pela marca. A experiência de condução impressionou(-nos) positivamente. A máquina elétrica reage de forma instantânea ao acelerador, como é habitual nos EV.  Se as performances não surpreendem, pela razão que explicámos, a capacidade do chassis tem de elogiar-se, por corresponder à expectativa de contribuir para sensações mais desportivas do que no ID.3.

Esta superioridade dinâmica do Born deve-se à firmeza da suspensão (a bateria pesada impõe-na) que assegura mais confiança em zonas sinuosas, lentas e rápidas, com o Cupra a reagir sempre de forma ágil e estável, com movimentos da carroçaria bem controlados. O amortecimento variável (DCC) é equipamento opcional. A direção, na precisão e no tato, também mais do que satisfaz, mas é sensível ao modo de ação (Range, Confort, Performance, Cupra e Individual). Infelizmente, não existe exceção à regra nos elétricos e o peso acima de 1700 kg (baterias representam 350 kg a 500 kg!) condiciona as qualidades desportivas de um compacto elétrico capaz de acelerar de 0 a 50 km/h em 2,9 segundos e de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos!

As rodas de 20’’ do Born com e-Boost não beneficiam a filtragem do piso, nem a suavidade de rolamento, mas condutor e passageiro dianteiro sentam-se em bancos com desenho desportivo e apoios que beneficiam o bem-estar a bordo. Os 231 cv galopam apenas em condições de carga e temperatura pré-definidas, ativando o programa Cupra e pressionando o pedal do acelerador a fundo, independentemente do modo de condução selecionado. E o pico de potência encontra-se disponível apenas durante cerca de 30 segundos.

Finalmente, no Born (e no ID.3), existem dois modos de recuperação e regeneração de energia durante desacelerações e travagens. O que aumenta a capa- cidade de retenção ativa-se com seletor da caixa na posição B (o comando mantém-se no topo do painel da instrumentação, à direita, localização que não facilita a utilização…).

A Cupra, inteligentemente, eliminou pontos fracos do ID.3 para propor este Born capaz de rivalizar com o compacto da VW (qualidade do interior e sistema multimédia). Claro que o faz com algum impacto no preço, com a versão de 150 cv a vender-se a partir de 38.755 €, montante acima dos 36.785 € do rival com 145 cv. Nos dois automóveis, autonomias entre recargas de 424 km. No demais, promessa cumprida: este elétrico tem condução mais desportiva.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

Cupra Born

150kw 58 kwh

Motor
Tipo Elétrico, síncrono
Potência 204 cv (150 kW)
Binário 310 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade útil 58 kWh
Tempo de carga (0-80%) 9,5 h a 7,4 kW;35 m a 100 kW
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 1 vel.
Chassis
Suspensão F Ind. McPherson
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados/Tambores
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/10,15 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,322/1,809/1,540 m
Distância entre eixos 2,766m
Mala 385 litros
Depósito de combustível -
Pneus F 7,5jx18-215/55 R18
Pneus T 7,5jx18-215/55 R18
Peso 1736 kg
Relação peso/potência 8,5 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 160 km/h
Acel. 0-100 km/h 7,3 s
Consumo médio 15,5 kWh/100 km
Autonomia 424
Garantias/Manutenção
Mecânica -
Pintura/Corrosão -
Bateria -
Imposto de circulação (IUC) -

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