Bentley Continental GT Convertible

Admirável mundo novo!

Apresentação

Por João Ouro 25-05-2019 09:00

Em certos casos é necessário aplicar vários adjetivos de grau superlativo, tais como finíssimo ou grandíssimo, de maneira a qualificar um dado automóvel. Este é um dos casos, muito por culpa do tipo de excelência que se constata a bordo (e ao volante) do novo Convertible da Bentley. De facto, como é usual dizer, eis admirável mundo novo, que se entende através do luxo do habitáculo e de cada detalhe, inclusive com vários acabamentos à mão (cerca de 7 horas de um artesão por cada modelo) e inúmeros tipos de materiais, forros/pele e tecidos. Tudo de grandíssima qualidade, lá está!

É igualmente possível aceder a inúmeros equipamentos de vanguarda, numa lista em que se poderá optar por bancos Comfort (do tipo poltrona, e em pele) com funções de aquecimento, de ventilação e com programa de massagens, até ao sistema áudio da Bang and Olufsen. Nada falta! Pudera.

No plano tecnológico também se poderá escolher entre o pack Touring (assistente de faixa, cruise-control ativo, Night Vision e Head-up Display) e o City (este a incluir câmara traseira, reconhecimento de sinais de trânsito, travagem automática, alerta de peões e aviso de tráfego à retaguarda), ambos opcionais e custo próximo dos 4000 €. Basta somar! De série, o novo cabrio mantém a fidelidade à capota têxtil (7 cores, com a novidade da textura tweed), cujo fecho/abertura demoram apenas 19 segundos (até aos 50 km/h), tendo outros revestimentos (e tratamento) que beneficiam o isolamento acústico.

Comprovámo-lo ao longo de quase 300 km, num percurso de Marbella a Sevilha (Espanha), que certificou essa qualidade e o baixo ruído no habitáculo. Brilhante. É claro que essa apreciação também se deve à ótima insonorização a bordo (é preciso atenção, até, para se escutar a buzina...), à estrutura do chassis, da carroçaria e suspensões. Na configuração open-top (a capota fica atrás dos bancos posteriores), a proteção face ao ambiente exterior é elevada e o vento não afeta demasiado os ocupantes à frente, ainda mais se se instalar o corta-vento a meio. Impecável!

Recorrendo a tecnologias e processos de fabrico avançados, a estrutura tem apenas mais 170 kg do que a versão GT Coupé (fechada), algo que a aerodinâmica também agradece, ao mesmo tempo que o chassis ativo Dynamic Ride (48V, atuação eletrónica nas barras estabilizadoras) e o amortecimento pneumático (adaptativo) contribuem para o controlo exímio dos movimentos. Aliás, tendo em conta o formato, as dimensões e o peso, chega a ser notável a estabilidade e o conforto assegurados a cada momento e em curva, mesmo se se exagerar no andamento. E isso é tão fácil de fazer... acontecer! Perfeito. A direção é precisa, tendo sido revista, assim como a travagem, esta bastante eficaz em qualquer circunstância (discos de maior diâmetro). E é bom que assim seja, tendo em conta a aristocracia da mecânica a jogo, nada menos do que um bloco de 12 cilindros que desenvolve 635 cv e 900 Nm de binário máximo. Trata-se de uma espécie de quinta-essência deste Bentley, atuando como se fosse uma gigantesca força, simultaneamente tranquila e elegante, mas que também pode ter um efeito libertador... No denominado launch-control (modo Sport ativado), o arranque é brutal (3,8 s é o valor anunciado até 100 km/h, o que é extraordinário para um modelo Grand Tourer), sem evasivas radicais ou ruídos excessivos, não abdicando sequer de uma atitude very british. Como um... Bentley! E é sempre assim, inclusive se se optar pelos programas Comfort ou B (automático), capazes de inferir outros critérios na atuação do W12 e da caixa de dupla embraiagem (modo velejar incluído), assim como na firmeza da direção e do amortecimento, mesmo que essas alterações sejam pouco bruscas. A tração integral é controlada eletronicamente (vetorização à frente nas condições de menor aderência) e a distribuição do peso é mais equitativa (55:45), fatores que também concorrem para resultados dinâmicos tão promissores, superando até as melhores expectativas, mesmo se se conduzir (muito) depressa em itinerários sinuosos e de montanha (como foi o caso), algo que talvez não se esperasse deste automóvel. E de um cabriolet, ainda por cima!

O bloco W12 dispõe de sistema de desativação de cilindros (abaixo das 3000 rpm, da 3.ª à 8.ª relação), algo que pode ajudar a moderar os consumos (entre 14 e 16 l/100 km), os quais não aparentam ter valores distantes da própria média anunciada (14,8 l/100 km, ciclo WLTP), embora o CO2 atinja 317 g/km. Pois!

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Ficha Técnica

Caracteristicas

BENTLEY CONTINENTAL

GT Convertible

Motor
Arquitetura 12 cilindros em W (TSI)
Capacidade 5950 cc
Alimentação Inj. direta/indir., biturbo, intercooler
Distribuição 4 a.c.c./48 v
Potência 635 cv/6000 rpm
Binário 900 Nm/1350-4500 rpm
Transmissão
Tração Integral
Caixa de velocidades Automática de 8 vel. c/ dup. emb.
Chassis
Suspensão F Ind c/ duplos triângulos
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,5 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,850/1,954/1,399 m
Distância entre eixos 2,851m
Mala 235 litros
Depósito de combustível 90 litros
Pneus F 265/40 ZR21
Pneus T 305/35 ZR21
Peso 2414 kg
Relação peso/potência 3,8 kg/cv
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 333 km/h
Acel. 0-100 km/h 3,8 s
Consumo médio 14,8 l/100 km
Emissões de CO2 317 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica -
Pintura/Corrosão -
Intervalos entre revisões -
Imposto de circulação (IUC) -

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