O lançamento de Ferrari novo celebra-se mundialmente, devido aos muitos milhões de adeptos da marca mais bem-sucedida na Fórmula 1, mesmo passando por jejum muito prolongado de títulos: ganhou o 16.º campeonato de construtores em 2008 e o 15.º de pilotos em 2007. E a era híbrida na categoria não beneficiou a Scuderia. Entre o G.P. da Austrália de 2014 e o do Mónaco de 2019, 106 corridas, só 14 vitórias (taxa de sucesso de 13,21%), contra as 80 da Mercedes (75,47%). Mas, ainda assim, Ferrari é Ferrari…
O superdesportivo novo chama-se SF90 Stradale, nome que remete para os 90 anos da Scuderia Ferrari, comemorados este ano. Esta história conta-se rapidamente. Em 1929, Enzo Ferrari criou a base do que conhecemos hoje como equipa de competição da Alfa Romeo. Em 1938, a marca italiana, quando fundou a Alfa Corse, absorveu-a… Em 1939, dispensa da colaboração do ex-piloto e empreendedor natural de Modena. No acordo, proibição de participação em corridas, em nome próprio, por quatro anos, período que coincidiu com a II Guerra. Depois do conflito, livre de compromissos, Il Commendatore acelerou para a produção automóvel, que arrancou em 1947.
O SF90 Stradale pertence à série de berlinettas superespeciais iniciada em 1962, com o 250 GTO (300 cv)… Seguiram-se 288 GTO (1984, 400 cv), F40 (1987, 478 cv), F50 (1995, 519 cv), Enzo (2002, 660 cv), La Ferrari (2013, 963 cv) e LaFerrari Aperta (2016, 963 cv). Foram todos produzidos em edições muito limitadas, como embaixadores tecnológicos do emblema de Maranello. O novo cavallino rampante é-o, igualmente. Pela 1.ª vez, os italianos apresentam híbrido com recarregamento externo das baterias (plug-in), assim desenvolvendo a fórmula introduzida no LaFerrari, com mecânica térmica apoiada por motores elétricos, o que explica a possibilidade (herética?) de 25 km de condução sem a emissão de gases de escape!
No SF90 Stradale, V8 a gasolina, três motores elétricos, 1000 cv. O primeiro é membro da família de mecânicas de 8 cilindros F154, a mesma do 488 Pista (720 cv, 2,85 s de 0 a 100 km/h, 340 km/h) e do sucessor do 488 GTB, o F8 Tributo (720 cv, 2,9 s de 0 a 100 km/h, 340 km/h). O aumento da potência explica-se com o crescimento da capacidade, de 3902 cc para 3990 cv, mudanças na injeção direta (funciona a 350 bar, uma pressão muito elevada) e introdução de condutas novas nos sistemas de admissão e escape.
O V8 encontra-se arrumado em posição central-central e associado a caixa automática de 8 velocidades, de embraiagem dupla, que os engenheiros italianos instalaram sobre o eixo posterior. O sistema é 10 kg mais leve (a redução do peso deve-se, por exemplo, à ausência de marcha-atrás, função realizada eletricamente) e velocíssimo, com trocas em 200 milissegundos (300 no 488 Pista…)! Um dos três motores elétricos encontra-se entre a transmissão e a mecânica térmica. Os outros dois acionam as rodas dianteiras… Outra novidade: pela 1.ª vez, Ferrari hiperdesportivo com tração integral. O Four tinha, também, quatro rodas motrizes, mas a arquitetura do sistema era muito diferente. No SF90, estreia da tecnologia RAC-e para distribuição do binário entre as rodas dianteiras (é realizada de forma seletiva e em função das necessidades de tração).
No sistema híbrido do SF90, funcionando somente os motores elétricos dianteiros, até 25 km com o V8 desligado, condução silenciosa e sem emissões poluentes! Permite-o a bateria de iões de lítio, de 7,9 kWh. A Ferrari anuncia 0-100 km/h em 2,5 s, 0-200 km/h em 6,7 s e velocidade máxima de 340 km/h.
A base do futuro
Para controlo do peso, considerando que o sistema híbrido, incluindo a bateria de iões de lítio e os motores elétricos, representa 270 kg dos 1570 kg, a Ferrari socorreu-se de materiais ligeiros, nomeadamente fibra de carbono e ligas de alumínio. O chassis, di-lo o emblema de Maranello, é 20% mais resistente à flexão e 40% à torção, comparando-o com antecessor. No futuro (leia-se a partir de 2021!), esta base técnica e tecnológica encontrar-se-á em todos Ferrari novos.
No SF90 Stradale, aerodinâmica está ativa. O spoiler posterior é móvel e, a 250 km/h, é capaz de cargas (forças descendentes) na ordem dos 390 kg. Até as pinças dos travões, da Brembo, têm apêndices aerodinâmicos que aumentam a capacidade de refrigeração das pastilhas! Como painel de instrumentos, monitor de 16’’. Funções e menus controlam-se em comandos do volante, O modelo estreia, ainda, comando de abertura das portas e ignição sem chave com suporte específico na consola central. Também existe sistema de projeção de informações no para-brisas (Head-Up Display).
O sistema de propulsão, protegido por sete anos de garantia, conta com quatro modos de condução selecionados no eManettino: eDrive (EV), Híbrido, Performance e Qualify.
