Alfa Romeo - Italianos entre alemães

Giulia e Stelvio são alternativas a automóveis de Audi, BMW, Mercedes, dominantes no segmento médio

Apresentação

Por José Caetano 15-03-2020 17:15

Anualmente, vendem-se muitos mais Mercedes-Benz Classe S do que Alfa Romeo, mas a administração da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) não desiste da marca que comemora 110 anos em 2020, honrando a herança de emblema importante na história do automóvel, ao contrário do que aconteceu com a Lancia, que tem existência limitada ao mercado italiano. Mas, vivendo-se processo de mudança de paradigma na indústria, futuro debaixo de olho com razão em vez de emoção, necessidade de gama que apoie o crescimento perseguido há tempo a mais.

Giulia e Stelvio são pilares do plano de ação do consórcio empenhado no sucesso do processo de fusão com a PSA Peugeot Citroën. Por isso, novidades na berlina de 2015 e Sport Utility Vehicle (SUV) de 2017. Como objetivos da empreitada, melhorar a imagem e o equipamento. No primeiro caso, aumento da perceção de qualidade nos habitáculos. No segundo, progresso nas assistências à condução, com mais sistemas eletrónicos ativos que reduzem os riscos de acidentes provocados por distrações. Paralelamente, para aumento da capacidade de atração, reconfiguração das gamas, criando duas linhas de versões, algumas com nomes reminiscentes de modelos emblemáticos do construtor de Milão: Super, Business ou Ti, privilegiando-se o luxo e a sofisticação, Sprint, Veloce ou Veloce Ti, preferindo uma orientação desportiva. Os dois automóveis competem contra Audi, BMW e Mercedes-Benz, as marcas alemãs no topo das vendas no segmento médio (D).

Giulia e Stelvio são semelhantes técnica e tecnologicamente. Ambos assentam na plataforma Giorgio, arquitetura de tração traseira moderna. Assim, sem surpresa, esta atualização beneficia-os de forma igual. Os desenhos das carroçarias mantêm-se, mesmo encontrando-se detalhes novos aqui e acolá (vide para-choques), tal como a gama de motores a gasolina e gasóleo. Em contrapartida, nos chassis, progressos na capacidade do amortecimento beneficiaram o Sistema Q4 nas versões com tração integral conforto e a suavidade de rolamento... Os italianos também reprogramaram a assistência elétrica da direção, aumentando a precisão na condução, e melhoraram a insonorização dos interiores, o que também contribui para a sensação de mais bem-estar a bordo.

Assim, nas edições-2020 de Giulia e Stelvio, destacam-se, principalmente, a estreia de sistema multimédia da Magnetti Marelli ou os desenhos novos dos comandos que controlam o equipamento e do seletor da caixa de velocidades. No centro do painel de bordo, monitor de 8,8’’ com controlo tátil ou através de botão rotativo instalado na consola entre os bancos dianteiros. O programa admite personalização/reorganização dos menus e seleção de acessos diretos às funções prioritárias para a condução e o condutor. Paralelamente, mais precisão, melhor apresentação gráfica. Tudo somado, ergonomia e facilidade e rapidez de seleção otimizados.

Os Alfa Romeo também progridem no campo da conetividade. Logo no arranque da carreira comercial das edições-2020 ou durante o próximo ano, sistema Connected Drive com função obrigatória na Europa (chamada de emergência) e programas My Assistant (assistência em acidentes ou avarias), My Remote (localização e trancamento de portas), My Car (controlo à distância do estado do automóvel), Apple CarPlay, Android Auto e, contando-se com Internet a bordo, assistentes pessoais Alexa e Google Home. Complementarmente, nos habitáculos, encontramos compartimentos novos para arrumações e superfície para recargas por indução de telemóveis.

Mas, a cereja no topo do bolo é a geração nova do ADAS (Bosch), que progride de sistema de informação para apoio ativo à condução. Inclui câmara central, radar dianteiro e vários sensores e combina regulador de velocidade que atua até 160 km/h em autoestrada e 60 km/h em cidade (função de reconhecimento da sinalização alerta para a violação de limites...), travagem de emergência, assistente de manutenção no centro da faixa e monitorização de ângulos mortos dos retrovisores exteriores. Não existindo reação, intervenção na direção e correção da trajetória. E, assim, condução autónoma de Nível 2.

Finalmente, atualização do software dos modos de condução que selecionamos no comando DNA. Nas versões do Giulia e do Stelvio com caixa automática, o programa de movimento por inércia ativa-se tanto no programa Normal como no Advanced Efficiency, que privilegia a moderação no consumo em detrimento das performances. No mesmo botão, ao centro, ativa-se/desativa-se o modo mais firme do amortecimento.

Em Itália, conduzimos duas versões novas nos catálogos de Giulia e Stelvio: na berlina, nível de equipamento Veloce Ti, motor 2.0 Turbo de 280 cv, caixa automática de 8 velocidades e tração integral; no SUV, acabamento Sprint, mecânica 2.2 Turbo Diesel de 190 cv, caixa automática de 8 velocidades e tração apenas às rodas traseiras. A primeira suprime lacuna na gama e aproxima-se da imagem do Quadrifoglio com atualização prometida para o próximo ano, mas não existem quaisquer semelhanças na experiência de condução nem no nível de performances...

O Quadrifoglio com motor V6 2.9 biturbo de 510 cv e tração posterior transporta-nos para dimensão desportiva fora do alcance do Veloce Ti com pacote estético específico para aproximação à imagem de topo de gama capaz de 310 km/h de velocidade máxima e 3,7 s no arranque 0-100 km/h. O 4 cilindros tem (muito...) menos poder de fogo e não exige tanta precisão na condução (Q4 prolonga o limite da aderência e a tolerância aos erros na condução).

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