A pele dos tubarões pode contribuir para a construção de automóveis mais rápidos através da otimização da aerodinâmica, e por consequência também mais eficientes no consumo de combustível ou de outras energias a que sejam propulsionados.
Estudos que estão a ser desenvolvidos por biólogos e engenheiros da Universidade de Harvard, Estados Unidos, em colaboração com investigadores da Universidade da Carolina do Sul, procuram aprofundar conhecimentos para o desenvolvimento de carroçarias mais aerodinâmicas, inspirando-se na pele dos tubarões e nos seus dentículos, pequenas placas ósseas que tornam a pele áspera, mas que permitem aos tubarões nadar com menos resistência da água.
Os investigadores estão a criar uma nova estrutura “bio inspirada” que pode ajudar o desempenho aerodinâmico de automóveis ou de aviões, à semelhança do que já aconteceu com vestuário de natação que imita a pele do tubarão, e testaram 20 configurações diferentes de tamanhos de dentículos.
Os cientistas descobriram que, além de reduzir o atrito, as estruturas formadas com a “pele de tubarão” aumentavam significativamente a sustentação, atuando como geradores de vórtices de alta potencia e baixo perfil.
Um gerador de vórtice (pequenas laminas verticais, que já existem nalguns carros, principalmente de competição, em que a aerodinâmica é muito elaborada) produz um movimento rápido em espiral de um fluido, alterando o fluxo do ar sobre a superfície de um objeto em movimento e assim tornam-no mais aerodinâmico.
Segundo o estudo, publicado na revista académica “Journal of the Royal Society Inter”, esses geradores de vórtices inspirados na pele dos tubarões conseguem melhorias de 323% quando comparados com um perfil aerodinâmico sem geradores de vórtice.
Na investigação, os responsáveis contaram com a colaboração de uma equipa de engenheiros de Harvard e inspiraram-se no tubarão-anequim, ou sardo, (Isurus oxyrinchus), o tubarão mais rápido do mundo.