PSA ameaça cortar investimento em Mangualde se as portagens não mudarem

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Por Ricardo Jorge Costa 08-02-2018 17:04

O diretor-geral do Grupo PSA para o comércio em Portugal, Alfredo Amaral, afirmou que o investimento do construtor na fábrica de Mangualde, que a partir de abril produzirá um novo automóvel, estará em risco se se mantiver o atual modelo de classificação de taxas de portagens, mediante a altura do cimo da carroçaria ao solo medida à vertical do eixo dianteiro.

Em conferência de imprensa, aquele responsável da empresa francesa explicou que, devido ao novo furgão comercial ligeiro exceder aquela medida normativa, taxando-o com Classe 2 nas vias concessionadas em Portugal, a sua comercialização no nosso país seria gravemente afetada e, em consequência, a sua produção anual prevista, de 100.000 unidades a partir de 2019, reduzida em 20%, volume correspondente ao de viaturas destinadas ao mercado interno.

O responsável referiu que o primeiro impacto, caso se mantenha a situação, será a nível de emprego, com a possibilidade de o terceiro turno de produção, que implicou a contratação de mais de 220 trabalhadores, e a laborar a partir de abril próximo, terminar em outubro quando se iniciar a produção do novo veículo das marcas Peugeot, Citroën e Opel, devido à sua previsível perda de competitividade comercial no mercado português. Mas Alfredo Amaral reconheceu que, a médio prazo, também a unidade industrial de Mangualde poderá ter a sua viabilidade em risco.

«Se não existirem alterações à regulamentação, a primeira consequência será ao nível do emprego. O corte da produção em 20.000 veículos poderá eliminar a necessidade do terceiro turno, todavia a própria estrutura industrial, no geral, poderá ficar em causa», declarou o líder da área comercial da PSA em Portugal.

Alfredo Amaral explicou que, desde o início do último trimestre de 2017, o Governo tem em sua posse um estudo elaborado pelo Grupo PSA e a ACAP, sobre propostas de alteração do regime de taxas de portagem, ressalvando que até agora a única resposta foi de «índole política», com a Secretaria de Estado das Infraestruturas a garantir «que tudo se irá resolver». Contudo, avisa que é necessária «uma resposta antes do final de julho» e apesar de não ser adepto de soluções de recurso, sempre vai admitindo que a empresa que gere se «satisfaria» com a elevação da medida que consta da norma até aos 1,3 metros.  

Aquele responsável acusou, ainda, as concessionárias «terem uma atitude oportunista», por se basearem num regulamento que, apesar de vigorar, tem 30 anos e está «desatualizado à arquitetura e formato dos automóveis modernos», mais altos na dianteira devido a questões de segurança relacionados com a proteção dos peões em caso de atropelamento, defendendo um novo sistema que considere o peso do veículo e não a referida medida de altura.

«Rapidamente todos os carros vão ter mais de 1,10 metros de altura no eixo dianteiro e não é a altura das viaturas que produz desgaste às autoestradas, mas sim o peso. Todos defendem que os veículos ligeiros deveriam ter uma classificação e os pesados com mais de 3500 kg outras», acrescenta o diretor-geral do Grupo PSA em Portugal.

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