A história do locutor brasileiro que cantou o Hino na vitória de Miguel Oliveira

Motores

Por João Almeida Moreira 06-06-2018 17:35

Fotos: AP

O narrador carioca Guto Nejaim, de 41 anos, responde com um «você está brincando» quando A BOLA lhe conta que a sua narração, no canal brasileiro Sport TV, da vitória do piloto português Miguel Oliveira no Grande Premio de Itália de Moto2, no último domingo, se tornou viral em Portugal. «Fico tão lisonjeado e feliz por ter agradado aos portugueses. Numa altura em que tudo divide, esta nossa irmandade, esta aproximação lusófona, é tão importante», completa.

Na Sport TV há 15 anos, Nejaim ocupa-se do motociclismo no canal pago brasileiro desde há 10. «Embora faça de tudo um pouco, como todos os narradores da casa, de futebol a basquetebol no dia a dia, de hóquei no gelo a curling nos Jogos Olímpicos de Inverno, ou remo nos Jogos Olímpicos de Verão, é mesmo quase tudo». «Mas, em paralelo», prossegue Nejaim, «o canal acaba conduzindo alguns narradores mais para uma ou outra modalidade, um na NBA, outro no ténis…» «E eu no motociclismo, ao lado do comentarista Fausto Macieira, ele sim o papa do motociclismo no Brasil, o produtor do sucesso que a dupla vai tendo, porque eu sou apenas um transmissor de emoção...»

A emoção, que cruzou o Atlântico, incluiu até os versos de A Portuguesa. Como quase todos os brasileiros, o narrador também tem uma ligação mais ou menos distante a Portugal. «A família da minha mulher é portuguesa, da Póvoa do Varzim. Aliás, hoje mesmo, chegou a carta dela com a dupla cidadania que ela requereu. Já a minha é sobretudo libanesa, embora com alguma ligação longínqua a Portugal, por via do nome Patrício. Era um tio meu do lado paterno que gostava de cantar o hino português e eu fiquei com a letra na cabeça. Aí pensei: quando o Miguel ganhar eu não vou cantar mas vou recitar o hino, que é tão bonito e com uma letra linda. E foi assim que os canhões, as armas, o esplendor entraram na narração.»

«Noutra ocasião, quando ele brigava pelo título com o inglês Danny Kent, falei das esquadras marítimas portuguesa e inglesa e cheguei a cantar o hino da Itália quando o [Valentino] Rossi ganhou também», recorda. «Porque ná muitos fãs aqui no Brasil de motos, do Rossi, do Marc Márquez, do Jorge Lorenzo, do Eric Granado, o brasileiro que está correndo agora, e também do Miguel.»

Por outro lado, a emoção e a alegria têm de fazer parte do fim-de-semana dos brasileiros, defende Nejaim. «Nós estamos num momento do país em que abrimos e jornal e lemos ‘mataram cinco’, ‘bateram num mendigo’, ‘juiz solta político corrupto’… Por isso, caramba, ao domingo, o dia em que Deus descansou depois de trabalhar os outros seis, o dia feito para as pessoas relaxarem, o dia de ficar de controlo remoto assistindo a desporto, eu tento dar bom humor: se eu sou um ruído que invade a casa, que seja um ruído agradável, bem humorado!»

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Conte-nos a sua opinião 1

lebaf
06-06-2018 22:05

Epá, a nossa sport tv que contrate este homem. É que o comentador tuga parece que tá morto, no que diz respeito às atuações do nosso Miguel. E não é de agora. Se for preciso, uma ultrapassagem a meio da corrida, parece um final de corrida ao foto finish. Já pra não falar dos erros atrás de erros!

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