Nesta nova geração, o utilitário alemão não traz novidades importantes ao nível da imagem. A VW optou (outra vez...) por manter-se fiel à estratégia de não cortar radicalmente com o passado. É assim há cinco gerações, com a vantagem de, no momento da substituição por modelo 100% novo, o antecessor nunca parecer ultrapassado. O que, aliás, também pode ajudar a explicar os excecionais números acima referidos, mesmo em final de carreira...
Contudo, e sem ser revolucionário em matéria de design, o novo utilitário alemão ganhou corpo, porte mais avantajado e imagem de maior sofisticação, graças aos vincos que atravessam longitudinalmente as laterais da carroçaria. Parece mais desportivo e musculado. De facto, o novo utilitário da VW cresceu em quase todas as direções. A única medida que se reduziu foi em altura, o que ajuda neste visual de maior dinamismo.
As pinceladas modestas na imagem escondem, no entanto, mudanças profundas e essenciais à manutenção de estatuto de referência numa categoria que é cada vez mais povoada... e complicada. Desde logo, o recurso à plataforma MQB A0, adaptação da base técnica do Golf, que o Grupo Volkswagen estreou no novo Seat Ibiza, veio permitir evolução importante das dimensões exteriores (mais 8,1 cm em comprimento, 6,9 cm em largura) e na distância entre eixos (9,4 cm), colocando o Polo VI entre os mais espaçosos da classe.
Tanto que, chamado o líder do segmento a prestar provas ao jugo da fita métrica, a coisa não ficou bonita para o lado do Renault Clio: o Polo oferece mais 10 cm em largura nos lugares dianteiros medidos à altura dos ombros e mais 3 cm livres do assento do condutor ao teto. Atrás, diferenças mais significativas, com o carro alemão a impor-se também na medição do espaço livre para arrumar as pernas do passageiros:_68 cm contra 60 cm no utilitário francês. E na capacidade da bagageira do Polo, salto também considerável, de 280 para 351 litros (a mala de um Clio tem 300 litros). Tudo isto a somar aos conhecidos atributos de qualidade de construção, dinâmica muito melhorada e motores competentes.
Trunfo ‘chamado’ 1.0 TSI
O lançamento do Polo VI apenas com motores de 3 cilindros explica-se de forma simples: atualmente, sete em cada nove exemplares do Polo vendidos no mercado europeu encontram-se equipados com um moderno três em linha. Em Portugal a grande aposta do importador é neste 1.0 TSI, com uma sonoridade que, sendo controlada, denuncia claramente a sua arquitetura. Nesta variante, de 95 cv (a menos potente do 3 cilindros com injeção direta e turbo), são raras as situações em que sentimos a necessidade de recorrer à boa caixa manual de 5 velocidades para apurar regimes de motor. Com facilidade rodamos a velocidades de cruzeiro elevadas. E também com celeridade e segurança conseguimos concretizar uma ultrapassagem. Especialmente desembaraçada é, ainda, a condução em ambiente urbano, com o 3 cilindros a mostrar resposta expedita acima das 1500 rpm, ganhando maior pujança logo antes das 2000 rpm. E o consumo médio, referencial.
O bom aumento em largura tornou o utilitário alemão num automóvel ainda mais estável, que se conduz com segurança e enorme equilíbrio, mesmo quando o atiramos de forma mais acelerada para o interior de uma curva. A direção pareceu-nos sempre suficientemente precisa, com a vantagem de conjugar leveza e acerto, levando-se praticamente com dois dedos. Sim, há na categoria ofertas mais indicadas para quem procura um comportamento divertido. Tanto que o maior destaque da condução do novo Polo é a forma aveludada como pisa a estrada, aqui sim já muito próximo do desempenho de automóvel de categoria acima, com ligações ao solo com excecional capacidade de processamento, a contribuir para um nível de conforto referencial na classe.
Para o bom nível de comodidade e bem estar a bordo, além de uma bem vinda sensação de desafogo que advém das cotas interiores avantajadas, contribui a qualidade geral. O rigor de construção e acabamento mantém o nível elevado que é habitual nos produtos da casa, recorrendo a materiais que não desiludem, desenho simples e arrumadinho (como também tem sido apanágio em seis gerações de Polo), e superfícies suaves ao toque, mesmo sem serem de qualidade premium, claro...
A noção do que é ou não ergonomicamente correto continua a ser uma qualidade enorme dos técnicos da VW, que deixam tudo à mão de semear. Nos equipamentos, destaque para o sofisticado e bonito ecrã tátil ao centro do painel de bordo, com comandos rápidos e intuitivos.
Boa nova: a aposta da marca alemã é também na conquista de clientela mais jovem, por isso mais e melhores soluções de personalização, com 14 diferentes cores para a carroçaria, que se conjugam com 13 cores para o interior. No cockpit do nosso Polo, o preto mistura-se com... cinzento. Sóbrio.