O político das políticas tóxicas

Matos Fernandes, ministro do Ambiente, ignora o setor automóvel, mas ataca-o

Opinião

Por José Caetano 23-06-2019 16:15

O ministro do Ambiente não aprende com os erros, provavelmente por considerar-se o dono de razão não sustentada cientificamente e contrariada por realidade… Antecipou a morte das mecânicas a gasóleo, desconhecendo, por exemplo, que as mais modernas são supereficientes e necessárias para o cumprimento das regras ambientais europeias em matéria de gases de escape, originando alarme nos consumidores e no setor! Mas, ainda mais grave, Matos Fernandes insiste no disparate, recorrendo a argumentos sem substância e solidez, pensado que a transição energética acontece por decreto. Vivendo-se no país do quero, posso e mando, talvez. Em Portugal e na Europa, não! Ainda…?!

Matos Fernandes não mantém apenas a posição sobre o Diesel. Agora, também fala na possibilidade de dedução do IVA na gasolina dos automóveis com tecnologias híbridas que integrem sistemas de recarregamento externo das baterias (plug-in), mas somente na próxima legislatura e apenas no caso da eleição de governo socialista (esta medida, sim, aplaudo, embora beneficie os que têm mais e capacidade financeira para comprar carro que não é barato, muito menos popular).

Mas, Matos Fernandes, em entrevista à TFS, disse ainda mais: manifestou-se a favor da proibição da entrada de automóveis nas cidades, falando na possibilidade de luz verde a regime de contingentação, mostrando-se até disponível para trabalhar em legislação que entregue às autarquias a responsabilidade de imposição de limites. No entanto, fá-lo-á também na próxima legislatura e somente em caso de reeleição ou recondução no cargo. E a criação de alternativas (válidas!), sobretudo a modernização dos transportes públicos, de forma a torná-los atrativos q.b.?!

Não conheço inimigos do Planeta e das políticas de proteção ambiental e até concordo com a irreversibilidade da eletrificação do automóvel, mas os carros não são culpados de todos os males. Pelo contrário…! Neste domínio, esta indústria encontra-se muito à frente das demais. Para outros problemas, nomeadamente a emergência da renovação de parque envelhecido e a necessidade de estímulos financeiros à transição energética (duas medidas com impacto direto na redução das emissões poluentes no nosso País), Matos Fernandes diz… zero. E, subentendo-o, desconhece a ausência de infraestrutura que responda ao aumento da procura de pontos de carga para elétricos e híbridos ou o destino das baterias em fim de vida, problema grave, massificando-se a tecnologia.

Os discursos politicamente corretos confundem-se muito facilmente com demagogia e populismo.

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cvalentim
23-06-2019 22:19

Claro e certeiro, fala-se na contensão dos automóveis nas cidades e o problema do centralismo, nas mesmas, hospitais, postos de trabalho, etc E os transportes públicos, faz-se passes navegante e depois diminuem-se carreiras e composições de comboio e metro, e o gás natural para autocarros e taxis !?

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