Paulo Gonçalves partiu para a saudade

Rali Dakar

Por Inês Bastos 13-01-2020 08:07

Paulo Gonçalves partiu para a saudade. Da esposa, dos dois filhos menores e familiares. Dos amigos, companheiros de equipa, de provas, profissão, de vida… e até daqueles que só o conheciam de letra, como nós, pode ler-se na edição impressa de A BOLA desta segunda-feira.

Paulo Gonçalves tinha 40 anos, era motard campeão do Mundo de todo o terreno (2013) e piloto ‘lenda’ no Dakar (2.º em 2015) que amava. Muito! E muitos no Dakar o amavam. Como esquecer as imagens do português em 2016 quando, em plena luta pela liderança nas motos na 7.ª etapa, da Bolívia para a Argentina, ao ver Matthias Walkner tombado no caminho, desceu da moto e esteve 10 minutos com o austríaco, até chegar socorro, altruísmo que a organização reconheceu, reajustando a classificação (3.º) que o manteve na frente?!

«Isto é tão horrível! Os resultados e a luta por lugar no topo de repente passam para segundo plano! O Paulo era um dos veteranos do grupo. Foi ele que parou em 2016, no meu grave acidente, e me ajudou. Era um desportista incrivelmente simpático, prestável, justo e apreciado por todos. Há alguns dias dissera-me que era a sua última temporada. No início da minha carreira deu-me dicas de navegação. Fizemos muitas corridas juntos, porque éramos relativamente semelhantes em velocidade. Ele foi, realmente, uma pessoa extremamente simpática. É tão trágico, que nem sei o que dizer...», recordou o piloto austríaco, ontem, na página pessoal.


E como esquecer aquela outra imagem do português no Dakar 2014, na Argentina, a chorar, desolado e impotente, enquanto as chamas lhe consumiam a Honda, forçando-o a abandonar à 5.ª etapa?

Avisos uma e outra vez

Paulo Gonçalves não era piloto de desistir. Só pela força de circunstâncias. Como quando, na mesma edição de 2016, queda mais grave à 11.ª etapa o deixou inconsciente e com fortes dores de cabeça, de traumatismo craniano moderado diagnosticado no hospital, aonde chegou de helicóptero. Ou quando, no ano passado, outra queda (mais uma!) ao quilómetro 173 da 5.ª etapa, lhe causou ligeiro traumatismo craniano e suspeitas de fratura na mão esquerda, levando-o a abandonar o Dakar uma quinta vez na carreira, terminando também aí ligação à equipa oficial da Honda, que no ano anterior já não contara com ele à partida, após teste no shakedown deixar perceber que não recuperara da lesão no ombro feita numa queda em treino para a prova, no final de 2017. 

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Conte-nos a sua opinião 12

solestrela
13-01-2020 16:50

Paz à sua alma , as minhas condolências para toda a família e amigos , grande campeão grande Homem , grande benfiquista nunca serás esquecido , Paulo Gonçalves sempre

passofar
13-01-2020 14:03

Adeus campeao. Descansa em paz.

ApitoDourado2
13-01-2020 11:36

Deus tem mais um Campeão lusitano. Força e muita sorte aos seus filhos e sua esposa.

Baldinotti
13-01-2020 11:34

Fiquei boquiaberto, até sempre grande campeão!

J.Lima
13-01-2020 11:26

DEP campeão. Serás um dos grandes do mundo motorizado e do desporto em geral.

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