«Nesta altura, falar do início do Campeonato do Mundo de motociclismo, de datas ou locais possíveis, é algo completamente desconhecido. Não somos nós que decidimos. É o vírus e as autoridades», assegura Hervé Poncharal, mais conhecido dos portugueses por ser o patrão da KTM Tech 3, equipa do português Miguel Oliveira, mas que também é presidente da associação de equipas do MotoGP (IRTA). Foi nessa qualidade que falou sobre as hipóteses do Mundial ser retomado. Remotas.
«Toda a gente sabe o que se passa no mundo. A situação é complicada. Mais de 50 por cento da população mundial está fechada em casa, o que é inacreditável», analisou, em entrevista ao crash.net, explicando porque devido à sua natureza, o Mundial de MotoGP, ainda sem qualquer das 20 etapas cumpridas - Catar, a primeira, foi cancelada para as motos de maior cilindrada, as quatro seguintes, Espanha, França, Itália e Catalunha, adiadas -, será dos últimos a retomar a normalidade.
«A nosso favor temos o facto de sermos um campeonato de muitas nacionalidades, dos pilotos aos fabricantes, equipas… tudo. É isso que torna o MotoGP emocionante. Mas esse nosso ponto forte pode agora transformar-se num ponto fraco, porque isso significa viajar. E quando poderemos voltar a fazê-lo?! Quando voltarão os aviões a voar? Quando estarão as fronteiras reabertas? Impossível responder por agora, também porque os países tomaram medidas em momentos diferentes. O sul da Europa foi atingido antes do norte, por isso, talvez se livre do vírus primeiro. Ou não. E quando o isolamento terminar, o mais certo é não desaparecer instantaneamente, mas por etapas. Poderemos ter permissão para sair, mas não para viajar para o estrangeiro. E continuaremos a ter de manter distância das outras pessoas ou até de usar máscaras», realça o responsável máximo da IRTA, para mostrar a impotência do seu desporto perante a pandemia.