Toyota Prius 1.8 Hybrid AWD-i

Sem escorregar

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Por Paulo Sérgio Cardoso 26-06-2020 19:50

Fotos: Gonçalo Martins

Pela primeira vez, em já mais de 20 anos de história e várias gerações, o Prius conhece versão com tração integral. Para o efeito, e seguindo um pouco o que é o percurso do híbrido mais vendido do mundo, este sistema AWD-i fica maioritariamente a cargo de pequeno motor elétrico acoplado ao eixo traseiro, com potência de apenas 7,2 cv, e que, na prática, serve apenas para alimentar as rodas posteriores, dando assistência extra ao grupo híbrido frontal nos arranques e baixas velocidades.

toyota prius exteriorEste esquema técnico, sem qualquer ligação física entre eixo dianteiro e traseiro – o que representa contenção de peso e consumos – é já utilizado no SUV RAV4, sendo totalmente gerido por intuição eletrónica. Está apenas disponível para a versão híbrida do modelo (ou seja, indisponível no Prius Plug-In), com o nível de equipamento topo de gama, Premium, e por um acréscimo de 1500 €.

Como seria de esperar, este sistema de tração integral inteligente não faz do Prius um aprendiz de SUV ou de todo-o-terreno! A parca potência do motor elétrico traseiro serve, acima de tudo, para garantir acréscimo de segurança e de descontração na circulação por zonas com piso de fraca aderência. O certo é que durante os dias em que utilizámos esta unidade de teste o controlo de tração manifestou uma eficácia absoluta nos arranques, mesmo nos mais fortes e sobre pisos molhados em calçada, como os que existem no centro das cidades.

painel de instrumentosNo painel de instrumentos é possível acompanhar a distribuição da força a fazer chegar a cada uma das quatro rodas, nos arranques, uma vez que o sistema de tração integral atua apenas até aos 10 km/h, com o Prius a comportar-se como um veículo de tração dianteira a partir dessa velocidade. No entanto, a Toyota afirma que até aos 70 km/h e mediante o detetar de perda de motricidade das rodas dianteiras, a gestão AWD-i pode acionar o envio de força para o eixo traseiro, algo que, na prática, nunca percecionámos em condução normalizada e segura. A atuação do sistema é impercetível ao condutor, que apenas poderá acompanhar o funcionamento no monitor central e no painel de instrumentos.

Esta nova versão do Prius, possivelmente pouco atrativa para zonas de clima ameno, está pensada para facilitar a condução em pisos de fraca aderência, com predominância de chuva, neve ou gelo, algo que facilmente pode ser encontrado em alguns dos principais mercados da marca nipónica, como no norte ou centro da Europa.

habitáculo toyota priusO nível de equipamento Premium, com tudo o que oferece, casa bem com a descontração extra ao volante deste Prius AWD-i, que mantém níveis de conforto e de qualidade rolante em linha com a suavidade e silêncio de utilização quotidiana proporcionados pelo conjunto propulsor híbrido. Assim, pode aproveitar-se um pouco mais a qualidade do sistema de som JBL, a comodidade dos bancos aquecidos revestidos a pele ou o acréscimo de segurança permitido pela projeção do head up display ou, à noite, pelo feixe luminoso dos faróis bi-LED, com comutação automática entre as luzes de médios e máximos. Entre as atualizações da gama Prius, conte-se com upgrade do sistema multimédia Touch 2, permitindo agora interação via comandos vocais, utilização facilitada das operações de zoom na navegação, conectividade Wi-Fi e base de carregamento indutivo para smartphone capaz de receber aparelhos de maiores dimensões.

toyota prius dianteira exteriorO motor elétrico traseiro (que rouba 45 litros à mala) ainda contribui para ligeiro incremento na capacidade de rolar metros iniciais apenas e só com propulsão elétrica, com a restante atuação do módulo híbrido a contribuir para que o já de si muito eficiente motor térmico se mantenha desligado mais de 50% do tempo (uma das muitas informações possível de consultar na instrumentação), contribuindo para médias reais de consumo de 4,5 litros/100 km.

Por cá, um Toyota Prius de tração integral pode ser visto como proposta de interesse relativo, para mais custando 1500 € extra face à tradicional variante de tração dianteiro do conhecido modelo híbrido. O certo é que é uma estreia absoluta no Prius e que permitirá à marca alargar horizontes entre clientes de países/zonas fustigadas por climas chuvosos e estradas de fraca aderência. Além do extra na descontração ao volante, os consumos não saem afetados, já que a tração posterior fica a cargo de pequeno motor elétrico.

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