Miguel Oliveira, o homem do ano: «Estou pronto para ser campeão do mundo»

Moto GP

Por Edite Dias 04-01-2021 16:18

Miguel Oliveira foi escolhido por A BOLA como homem do ano. O jovem fez Portugal acordar para o MotoGP. Sim, sabemos que foram, apenas, duas vitórias, mesmo que uma delas extraordinária - na forma e no simbolismo... -, em Portimão. Mas, mais do que as vitórias, aquilo que faz de Miguel Oliveira o Homem do Ano de 2020 para A BOLA é o que elas representam para Portugal, que saiu altamente prestigiado com a visibilidade proporcionada por uma modalidade seguida por centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. Recuperamos aqui a entrevista conduzida pela jornalista Edite Dias. 

- Naquele que foi para muitos o pior ano de sempre, 2020 foi, provavelmente, um dos melhores de sempre para o Miguel Oliveira?

Foi mesmo. Tive um ano fantástico, desportivamente foi um ano diferente porque todos nós no início tivemos de nos adaptar a uma realidade competitiva completamente nova. Foi difícil compactar meio campeonato em tão poucos meses, foi difícil também para a organização e exigiu de nós, participantes, uma compreensão grande para poder fazer tudo. Da minha parte, senti uma enorme gratidão, porque pude, ao fim do maior período de sempre parado sem andar de moto, voltar a competir, voltar a andar e acabar com os resultados desportivos com que terminei é sempre muito bom. Aquilo que sinto é que foi uma época muito boa, houve alturas em que não pontuei e que senti que podia ter pontuado, e isso colocar-me-ia numa posição muito melhor no final do campeonato.

- Na memória de todos ficará sempre o GP de Portugal. Como é que foi aquela última volta? Em que estava a pensar?

- É das poucas vezes em que o piloto e a moto se sentem em perfeita sintonia. Durante todo o fim de semana do GP Portimão senti-me muito a jeito com a moto, com o circuito, tinha um flow muito natural de andar rápido. E quando isso acontece é altamente satisfatório, porque não só conseguimos andar rápido com um esforço menor, as coisas saem bem, divirto-me e foi isso tudo que aconteceu em Portimão. A última volta, e toda a corrida, foi um prazer imenso de estar a pilotar àquela velocidade.

- Parecia tão fácil para quem estava a ver…

- Eu sei [sorri].

- Não sentiu a pressão? Depois de fazer a pole position não sentiu que aumentava a responsabilidade para conseguir um bom resultado?

- Não. A pole position deixou-me muito mais tranquilo. Sempre que me qualifico bem fico muito mais tranquilo do que quando me qualifico um bocadinho mais para trás porque sei que, obrigatoriamente, vou ter de passar por situações mais stressantes. E após ter demonstrado tanta rapidez logo na qualificação, senti-me bem, senti-me naturalmente rápido e sabia que no domingo tinha de apostar na estratégia de sair à frente e não olhar para trás. E ganhar vantagem volta a volta, algo que não sabia se ia conseguir. Como é natural, e como referi na altura, foi diferente, todos nós tivemos um tempo extra para treinar. Na sexta-feira tivemos mais pneus e mais um composto. E, portanto, experimentar todos os compostos, ver qual é o melhor e qual é aquele que dura mais foi difícil. E, ao mesmo tempo, afinar a moto para um circuito que era novo e sobre o qual não possuíamos tanta informação...

- Foi todo asfaltado, portanto, mesmo o Miguel, que já conhecia o circuito, teve dificuldades?

- Houve uma grande tendência dos adversários para, nos seus comentários, me colocarem automaticamente como favorito por conhecer o circuito, por ser de cá. Mas é uma análise muito prematura e pouco fundamentada. Todos, inclusivamente eu, temos mais experiência em alguns circuitos do sul de Espanha do que propriamente em Portimão e o facto de conhecer o circuito valia-me muito pouco. Valia-me nas primeira voltas poder gozar com eles porque sabia que a primeira curva era para a esquerda ou para direita. Além disso, é preciso recordar que, em outubro, estivemos todos juntos a treinar, relativamente pouco tempo depois do asfalto novo, e todos nós tivemos oportunidade de lá ir. Tivemos um dia inteiro para andar e eu nesse dia nem fui dos mais rápidos! Portanto, não considero que o facto de eu conhecer o traçado tenha sido um pormenor fundamental para a minha vitória.

- Só faltou o público?

- Faltou. Tenho tido um bocadinho de tempo para refletir sobre isso e acho que não foi por não ter tido público que deixei de sentir o carinho de todos os portugueses porque, de alguma forma, chegaram-me sempre muitas mensagens de apoio e formas de que não estavam lá fisicamente, mas estavam lá de espírito…

- Quantas mensagens tinha no telemóvel no dia a seguir?

- Tinha muitas…Centenas [risos], de sms, de Whatsapp. As pessoas mais próximas de mim não me mandaram mensagens porque sabiam que não valia a pena e só me contactaram uma semana depois. Tive um período de duas semanas ainda a receber mensagens.

- E lê todas?

- Li todas e respondi a todos.

- Costuma ler o que escrevem sobre si?

- Costumo. Às vezes reencaminham-me artigos, de opinião ou crónicas, há uns com que me identifico mais, outros menos, mas é sempre uma análise de quem está de fora e é muito interesse e ver que todas elas seguem uma linha de apoio e admiração.

- Quando acordou, no dia a seguir à vitória em Portimão, já tinha percebido o impacto do que aconteceu? Quanto tempo ficou a saborear o sucesso?

- O momento de saborear a vitória terminou quando saí do circuito. Até lá vivi tudo com muita clareza, com grande humildade. Estou sempre pronto para uma próxima, não fico muito tempo a vangloriar-me de coisas que atingi. É bom ter este sentimento de ser o vencedor da última corrida, também acarreta alguma expetativa para o ano seguinte e não quero deturpar isso e continuar a trabalhar no duro para corresponder a esta expectativa de terminar no topo e começar no topo.

- E agora? 2021 está aí, como é que pode ser melhor?

- Pode ser melhor com mais vitórias, mais pódios, mais pole positions, com tudo o que há para arrecadar. É isso que estou à procura.

- E será este ano do título? Está pronto?

- É um ano de cada vez. Estou pronto para ganhar corridas, para liderar campeonatos e estou pronto para ser campeão do Mundo. É uma questão de trabalhar e conquistar.

MIGUEL OLIVEIRA

Data de Nascimento: 04/01/1995 (25 anos)

Local: Pragal

Moto: KTM

Equipa: Red Bull KTM Factory Racing

Altura: 170 cm

Peso: 64 kg

VITÓRIAS EM GP

TOTAL: 14

MOTO GP: 2 - GP da Estíria, Áustria, e GP de Portugal, em 2020

MOTO2: 6 – GP da Austrália, GP da Malásia e GP de Valência (Espanha), em 2017; GP de Itália, GP da Rep. Checa e GP de Valência (Espanha), em 2018

MOTO3: 6 – GP de Itália, GP da Holanda, GP de Aragão (Espanha), GP da Autrália, GP da Malásia e GP de Valência (Espanha), em 2015

PRIMEIRAS VITÓRIAS

Moto GP: 2020, GP da Estíria (Áustria)

Moto2: 2017, GP da Austrália

Moto3: 2015, GP de Itália

ESTREIAS

Moto GP: 2019, Catar

Moto2: 2016, Catar

Moto3: 2012, Catar

125cc: 2011, Catar

PRIMEIRAS «POLES» (TOTAL: 5)

MotoGP: 2020, PORTUGAL

Moto2: 2017, Argentina

Moto3: 2013, Holanda

PRIMEIROS PÓDIOS (TOTAL: 36)

MotoGP: 2020, GP da Estíria (Áustria)

Moto2: 2017, GP da Argentina

Moto3: 2012, GP do Catar

Total de 2.ºs lugares: 11

Total de 3.º lugares: 11

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Conte-nos a sua opinião 4

begood69
05-01-2021 08:52

Há alguém a engolir um @sapo. Ou então mudou de nick e continua no bota abaixo. Claro que o Miguel está pronto para ser campeão do mundo, mas tudo depende de diversos fatores. EU ACREDITO que esse dia chegará em breve.

indioshak
04-01-2021 20:02

Eu acho que ninguém vos disse que o Rei vai falhar pelo menos duas ou três corridas e que pela natureza da lesão será muito dificil voltar a ser o que era. Pelo menos tardará em recuperar a confiança.

Nigelkeke
04-01-2021 19:14

Em principio este ano o rei, Marc Marquez, vai estar de volta. MO pode ganhar algumas corridas, mas para isso tem que melhorar muito o que faz na qualificação, que tem sido o seu calcanhar de aquiles e tem-lhe custado muitos pontos. Espero que tenha um excelente ano.

pisconightpaneleru
04-01-2021 18:25

E será este ano do título? Está pronto?MO, tens de começar a ignorar os jornalis.acho q ninguem disse ao jornalista q para esta epoca o rei está de volta, marc marquez: melhor piloto, melhor moto, melhor equipa. quem aproveitou esta epoca aproveitou, quem nao, azar. é esperar por nova lesao do rei.

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