Hidrogénio. Quatro marcas que acreditam na pilha de combustível

Preço, autonomia e tempo de reabastecimento mostram que a ambição de se impor como alternativa pode não ser exagerada. Mas o que trava o 'fuel cell' e quais são as marcas que pisam verdadeiramente no acelerador para fazer avançar a tecnologia?

Reportagem

Por AUTO FOCO 16-11-2021 18:23

O hidrogénio é o elemento que mais se encontra na Natureza, podendo ser obtido da água, das plantas ou até a partir dos excrementos dos animais. É de tal forma abundante que a indústria química lança-o para a atmosfera ou queima-o: cerca de 50 milhões de toneladas são desperdiçadas todos os anos!

Colocando estes dados sobre a perspetiva de mobilidade, é quantidade suficiente para alimentar anualmente muitos milhões de veículos na caminhada para um futuro energeticamente menos dependente de combustíveis fósseis. Mas o carro a hidrogénio não arrancou.

O «sim» à produção massiva de carros fuel cell dependente do comportamento de consumidores-mercados e da construção de infraestrutura(s) para distribuição e abastecimento de hidrogénio. Como no início da década passada…

Atualmente, são quatro os maiores impulsionadores da tecnologia:

Toyota

Desde 1992 que a Toyota desenvolve o Fuel Cell, ou pilha de combustível, tendo produzido nove gerações sucessivas, embora só a penúltima tenha chegado ao mercado, com a primeira geração do Mirai, em 2014.

O modelo vendeu 10.000 unidades, só 900 matriculadas na Europa, onde a rede de abastecimento de hidrogénio é ainda escassa.  

Nada que preocupe os japoneses, empenhados agora na promoção da segunda geração do Mirai, muitíssimo evoluído face ao carro que saiu de cena. O novo Mirai trocou a tração à frente pela tração atrás, conseguido uma distribuição de pesos de 50% por cada eixo. A pilha de combustível está instalada à frente, usando 330 células (em vez de 370) com uma densidade energética de 5,4 kW/litro (3,5 kW/litro). A potência do motor elétrico também subiu, de 154 para 182 cv. Com os depósitos (3) de hidrogénio cheios, a autonomia é de 650 km (WLTP).

Hyundai

A Hyundai não vendeu mais do que 200 Tucson Fuel Cell/ano durante os seis anos que esteve no mercado. E só foi comercializado em 18 países. Mas a marca sul-coreana não desiste do hidrogénio como alternativa aos BEV. E o SUV Nexo é a prova disso. A Hyundai promete mais de 600 km possíveis com os três depósitos de hidrogénio que o Nexo guarda sob a zona posterior da carroçaria, maioritariamente debaixo dos bancos traseiros.

Estes tanques acolhem 156,6 litros de hidrogénio, sem ‘beliscar’ a capacidade da bagageira, com bons 461 litros. O motor elétrico a debitar 163 cv cumpre com o vínculo familiar.

Honda

A pesquisa iniciada na década 1980 na base do V0, mostrado em 1998, como primeiro carro experimental do programa da Honda, ganhou um novo impulso em 2008 com FCX Clarity.

Desvendada em março de 2017, no Salão de Genebra, a segunda geração da berlina com Fuel Cell foi a preparada para cumprir os três desafios delineados pelo responsável máximo do projeto, Kiyoshi Shimizu, reduzindo níveis de poluição atmosférica, do aquecimento global e dependência de combustíveis fósseis. O motor elétrico rende 174 cv e 300 Nm (0-3500 rpm), enquanto os depósitos colocados sob e atrás do banco posterior, apoiados em reforçada mas aligeirada estrutura de alumínio de diferentes níveis de resistência e peso (e que não impedem mala de volume razoável: 334 litros), permitem autonomia a rondar os 600 km.   

BMW

A BMW dedicou-se a projetos como o iX5 Hydrogen, versão do SUV X5 com a tecnologia de pilha de combustível.

Revelado há dois anos em Frankfurt, o protótipo voltará a estar debaixo dos holofotes na edição deste ano do Salão de Munique, na primeira semana de setembro, ainda só como montra tecnológica – a BMW pretende fabricar o modelo em série muito limitada, para demonstrações.

A ideia é, obviamente, promover as mais-valias da tecnologia, que usa dois depósitos de hidrogénio construídos a partir de plástico reforçado a fibra de carbono, onde se armazenam até 6 kg de hidrogénio a 700 bar (reabastecidos em menos 4 minutos). O módulo elétrico, evolução da tecnologia eDrive de última geração, debita potência máxima de 374 cv.

Como funciona o ‘fuel cell’?

Nos ditos automóveis de pilha de combustível (ou fuel cell), o hidrogénio combina-se com o ar, produzindo eletricidade e libertando água. A eletricidade é armazenada nas baterias do automóvel e utilizada para alimentar o motor elétrico que coloca o carro em andamento, sem necessidade de carregamentos externos da bateria

A expressão inglesa (em português, adotou-se a nomenclatura de pilha de combustível) até poderá levar a algumas confusões, pois não existe qualquer género de explosão ou combustão como nos motores a gasolina ou Diesel. Na essência, o processo inclui reação entre o hidrogénio armazenado no depósito e o oxigénio existente na atmosfera.

Na ligação dos dois elementos, cria-se uma corrente de eletrões entre os dois elétrodos da pilha, gerando-se, assim, eletricidade, bem como água pura e quente. O excesso de água resultante do processo é expelido e, no caso da indústria, o calor pode ser utilizado para aquecer a água e resultar noutra qualquer aplicação fabril, enquanto a eletricidade é usada para colocar o motor elétrico em funcionamento ou ser armazenada em bateria (nos carros) ou em tanques.

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Conte-nos a sua opinião 2

troydamaso
16-11-2021 21:59

parece q está claro no texto que a ideia é destacar que parece que quer mesmo apostar hidrogénio como alternativa. Ameaços já todos fizeram. Não foi só a Ford.

Dios
16-11-2021 19:42

Desde 2007 que a Ford tem motores a Fuel Cell

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