Combustíveis: qual o melhor para o motor e a carteira?

Simples ou aditivados? Qual o melhor combustível para o motor do carro e para a carteira de quem abastece? Tudo depende do tratamento que o combustível recebe desde a saída da destilaria até aos postos de abastecimento, nomeadamente aos aditivos que recebe, e aí está o segredo do negócio.

Reportagem

Por AF 20-10-2021 13:37

As diferenças surgem na quantidade mas também na qualidade dos aditivos utilizados como melhoradores de desempenho, ficando a questão sobre as vantagens efetivas dos mesmos.

Num estudo efetuado pela Associação para a Defesa do Consumidor (DECO) sobre esta questão dos combustíveis, uma das principais conclusões a retirar é que os combustíveis não são todos iguais. E se é verdade que a maior parte dos combustíveis comercializados em Portugal sai das refinarias da Galp, o que colocaria todos os operadores ao mesmo nível, a verdade é que até chegar ao depósito do seu veículo o combustível poderá passar por processos mais ou menos avançados de aditivação que irão impor as diferenças que depois os colocam em diferentes patamares de preço e prestação.

Em termos práticos, os combustíveis, quando aditivados, são submetidos a uma bateria de testes para que possam ser analisados e recomendados.

São os resultados desses testes que apontam para a capacidade do combustível ter um papel ativo na concretização de níveis menores de consumo, mas também em outras áreas tão ou mais importantes como são a proteção e manutenção dos motores, a redução de emissões poluentes ou outras. Utilizar combustíveis aditivados permitem algumas vantagens que são influenciadas por outros fatores, como a idade dos veículos, o período tempo e a regularidade que marcam o uso daqueles combustíveis e até o estilo de condução.

Na verdade, para um motor novo, a sua capacidade de suporte de algumas agressões, que em circunstâncias normais são minimizadas pelos aditivos, permite que possam ter prestações idênticas com combustíveis não aditivados àquelas que apresentam caso o seu condutor opte por combustíveis com aditivos. Contudo, apostar com regularidade em gasolinas ou gasóleos dotados dos melhores aditivos resulta numa longevidade maior do motor, isto porque por questões como o acumular de sedimentos no depósito, ou a capacidade de limpeza dos injetores e outras peças mais ou menos influentes na prestação e na longevidade do coração do automóvel, são naturalmente influenciadas pela presença dos aditivos corretos no combustível utilizado no dia a dia.

O peso da idade

A grande questão na análise aos combustíveis passa então por se saber se, depois de tudo isto, é ou não importante apostar na presença de aditivos e ambas as respostas podem ser aceites, dependendo da justificação que cada um entenda por bem utilizar. O dono de um automóvel novo poderá ser levado a apostar nos combustíveis aditivados, ou nos combustíveis apelidados pelas petrolíferas como premium, com a ideia de que o seu veículo, por ser novo, merece o melhor tratamento.

Este raciocínio, porém, não estando errado, poderá não estar também totalmente certo, já que também por ser novo, o motor poderá ter uma capacidade de resposta que não é afetado por um combustível menos eficaz.

Existe também, naturalmente, o outro lado da mesma moeda já que, também por ser novo e tecnologicamente mais avançado, o motor pode ser também mais sensível a combustíveis deficientes e isso resultar numa prestação menos eficaz, bem como na sua degradação mais acelerada.

Por outro lado, quanto mais avançada for a tecnologia, maior será a capacidade de tirar o melhor partido de todas as vantagens e, queiramos ou não, a maior parte dos combustíveis aditivados ou premium permitem vantagens aproveitadas pelas melhores tecnologias.

Ao invés, para um veículo automóvel com largos anos de presença nas nossas estradas, o seu proprietário poderá achar que no seu caso já não valerá a pena grandes investimentos até ao nível do combustível e, por via disso, apostar em produtos simples e, por isso, mais baratos. Contudo, é por vezes nestes casos que se torna necessário utilizar melhores produtos para rentabilizar mecanismos já mais desgastados e, assim, menos eficientes.

Perante todo este cenário, e em termos práticos, o uso de aditivos acaba por permitir a redução dos níveis das emissões poluentes resultantes do processo de combustão nos motores dos veículos, conferindo uma maior rentabilização da potência dos blocos, diminuindo os consumos e aumentando os intervalos de manutenção com uma melhor fiabilidade dos motores.

Hoje, a investigação para a obtenção de aditivos para as melhores respostas a necessidades tão importantes como as menores emissões de poluentes ou a cada vez mais exigente eficiência energética, leva a que este tipo de produtos seja cada vez mais indispensável, mas será difícil dar esta realidade como um imperativo indesmentível.

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