Bosch avisa construtores de automóveis sobre 'concentração total' nos elétricos

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Por Ricardo Jorge Costa 21-09-2022 18:13

A Bosch avisa os construtores de automóveis dos riscos de concentração de esforços no desenvolvimento e produção de veículos elétricos (EV). A gigante de componentes alemã refere a escassez de gás natural na Europa como um exemplo dos condicionalismos de os automóveis passarem a depender de uma única fonte de energética para alimentar as motorizações.

Os preços do gás natural dispararam na Europa desde que a Rússia invadiu a Ucrânia, e a situação tornou-se ainda mais grave nas últimas semanas, quando a Rússia, que abastece maior parte da Europa, fechou o gasoduto Nord Stream 1. A empresa russa de energia Gazprom deveria retomar o fornecimento de gás à Alemanha após interrupção que inicialmente afirmou dever ser breve, devido a alegado ‘mau funcionamento’ do gasoduto, mas anunciou mais tarde que o manteria fechado o Nord Stream 1 enquanto decorressem as reparações. Uma decisão que muitos creem ser uma retaliação ao anúncio dos países do G7 do estabelecimento de um teto máximo ao preço do petróleo russo.

“Estamos a assistir às consequências da escassez de gás na Alemanha e na Europa, porque preparámos poucas alternativas”, disse Markus Heyn, diretor de Mobilidade, da Bosch, ao Stuttgarter Zeitung, segundo a Bloomberg. “Na indústria automóvel, devemos aproveitar esta ocasião para perguntarmo-nos o que podemos fazer se houver poucas células de bateria”.

A China é atualmente o maior fornecedor mundial de baterias e minerais usados na construção de baterias instaladas em carros elétricos, embora os construtores europeus e americanos estejam a trabalhar com afinco e em parceria para encontrar outras fontes.

Heyn refere, ainda, que a indústria automóvel e os governos precisam considerar outras alternativas limpas aos motores a gasolina, incluindo células de combustível de hidrogénio (fuel cell), alegando que a infraestrutura de hidrogénio que está a ser desenvolvida para veículos pesados de longo curso também poderá funcionar para veículos de passageiros.

Não é a primeira vez que a Bosch se pronuncia ‘contra’ a prevalência dos veículos elétricos num futuro mais ou menos próximo. No ano passado, o CEO da empresa, Volkmar Denner, criticou o que considerava ser a intenção dos governos de «matarem» o motor de combustão, chamando-os de «míopes». Outro membro do conselho da Bosch disse que a empresa continuará a investir em tecnologia de combustão interna por mais 20 a 30 anos.

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