A sempre maçadora muleta dos números, vendas, percentagens e matrículas evitamo-la aqui sempre que possível. É dos automóveis per si que preferimos falar. Mais do que do negócio. Contudo, há fenómenos de mercado simplesmente incontornáveis, que justificam o melhor enquadramento. É o caso.
A muitíssima competitiva categoria dos pequenos SUV de segmento B vale 1,1 milhão de vendas de carros novos na Europa a cada ano (já cerca de 7% do mercado), prevendo-se expansão para mais de dois milhões de transações anuais até 2020. E, olhando para a contabilidade da Kia, por exemplo, é interessante perceber que este formato de automóvel da moda tem já expressivos 40% do total de matrículas. Por isso, sem surpresa, no portefólio de modelos da marca sul-coreana, aí está nova aposta na categoria.

O Stonic, crossover compacto, moderno e de linhas irreverentes, com que a sul-coreana Kia quer combater os sucessos emocionais de Nissan Juke ou Renault Captur, foi elaborado segundo os padrões do mercado europeu, onde o fabricante asiático quer impor-se definitivamente pela imagem. Não só a de enorme fiabilidade, que passa com a oferta de garantia de 7 anos ou 150 mil quilómetros, também a que é conferida pelo design, que deve fazer virar cabeças à passagem. No Stonic, aplaudam-se os bons rasgos de originalidade e a boa dose de irreverência numa embalagem de medidas compactas: 4,1 metros de comprimento é quase o mesmo do que o Soul e menos 30 cm que o Sportage.

No interior, espaço q.b. para acolher cinco ocupantes. Quatro adultos viajam em ótimas condições de conforto, mas o quinto já tem de negociar o espaço em largura nos lugares posteriores, como acontece na maioria dos concorrentes.
No frente-a-frente com o best-seller Renault Captur, por exemplo, o Stonic impõe-se com mais 5 cm em largura, medidos à altura dos ombros, e mais 5 cm na medição em altura.

O painel de bordo é copiado do Rio, notando-se poucos pormenores diferenciadores. Decoração mais moderna faria mais sentido em modelo com tais ambições, mas a marca coreana preferiu a aposta num desenho simples e um painel de bordo com poucos botões, sobressaindo os comandos rotativos para controlo do sistema de ventilação. Por outro lado, salta à vista o esforço evolutivo na qualidade geral que vem sendo aposta para todos os novos produtos da casa sul-coreana. Os acabamentos são cuidados e a junção entre os elementos está bem feita, o que impede que os plásticos duros que compõem grande parte de cockpit possam ser fonte de ruídos parasitas.
Também no campo dos conteúdos, sem concessões ao nível da segurança, com todos os equipamentos normativos na classe. E o recheio em matéria de itens de conforto é também farto, integrando de série logo desde a versão base elementos como o cruise control, o ar condicionado ou as práticas ligações Bluetooth ou USB. A partir deste EX, sistema de navegação e ecrã tátil (7 polegadas) e câmara de estacionamento traseiro.
Ao contrário da arquitetura técnica do primo Hyundai Kauai, que admite duas ou quatro rodas motrizes, o Stonic é baseado na plataforma do Rio e permite apenas tração dianteira. E basta! Porque apesar da boa distância ao solo (180 mm) será essencialmente entre cimento e betão que o novo Kia irá circular.
O condutor senta-se em posição elevada mas correta, em banco com regulação em altura e com bom apoio lateral em curva. O comportamento do Stonic em estrada é beneficiado pelo acerto das suspensões, embora em privilégio assumido ao conforto. Mas também em estabilidade, o novo Kia está ao nível dos mais dinâmicos da categoria, oferecendo condução agradável, sem adorno excessivo em curva. A direção mostra-se alinhada com aquele nível de eficácia, sendo direta e razoavelmente comunicativa, levezinha no trato urbano.

Na base da gama do Stonic há um motor atmosférico de 1,2 litros com 84 cv, mas o destaque vai inteiramente para o competitivo tricilíndrico com turbo, de um litro de cilindrada e 120 cv. A mecânica T-GDI, que foi aplicada pela primeira vez no cee’d, revela um funcionamento agradável, nada ruidoso, mas o que realmente impressionou, em unidade de tão pequeno tamanho, foi a consistência das prestações. Desempenho exemplar em trajetos urbanos, embora não tendo potência para correrias desenfreadas, mas mais do que suficiente disponibilidade em aceleração para garantir condução tranquila e sem sobressaltos. Porque acelerando, o consumo dispara...