Na conferência de imprensa de apresentação da 3.ª geração do Kia Ceed, Artur Martins, vice-presidente de Marketing da Kia Europa, afirmou que o Ceed «é o único carro na indústria automóvel com nome dedicado à Europa». Confessamos o desconhecimento do significado do acrónimo, pelo que investigámos, então percebendo o sentido da frase de Artur Martins: CEED significa Community of Europe, with European Design, em tradução literal «Comunidade da Europa, com Design Europeu».
Tal como as gerações anteriores, a nova foi desenhada e desenvolvida em Frankfurt, sob a direção de Gregory Guillaume, diretor de Design Europeu, e de Peter Schreyer (ex-BMW), presidente de Design a nível mundial e Chief Design Officer da companhia. O resultado, arriscando pouco habitual opinião sobre estética, é um automóvel muito atraente, com evidente inspiração no Stinger (vide, por exemplo, a grelha «Tiger Nose» do desportivo), e que acreditamos será do agrado geral.
Há quatro motorizações disponíveis, duas a gasolina – o conhecido 1.0 T-GDI com 120 cv, e o novo 1.4 litros T-GDi com 140 cv (substitui o anterior 1.6 litros GDI) – e outras tantas a gasóleo, que basicamente é o mesmo bloco com duas versões de potência: 115 cv e 136 cv, sendo que se trata de motor totalmente novo.
Neste primeiro 'exame' ao compacto coreano, optámos por testar a versão equipada com o 3 cilindros a gasolina 1.0 T-GDI, articulada com o nível de equipamento TX, combinação que a marca acredita será a mais procurada em Portugal.

Não fomos surpreendidos pelo bom desempenho do motor, que já conhecemos muito bem e que permite condução fluida, sendo muito bem gerido por caixa manual de 6 velocidades com escalonamento correto e cujo seletor agrada pela precisão. De elogiar, ainda, o reduzido ruído de funcionamento deste tricilíndrico, o que, em conjunto com a muito boa insonorização do habitáculo do Ceed, proporciona uma utilização silenciosa, mesmo em aceleração mais forte. Ouve-se o motor, claro, não é elétrico, mas não incomoda. A menos positiva desta unidade, e tendo em conta a juventude da unidade (menos de mil quilómetros quando nos foi cedida), prende-se com o consumo.
Durante o nosso teste apurámos média de 7,5 litros a cada cem quilómetros, um valor que consideramos um pouco elevado. Acreditamos que com a rodagem possa descer para um valor próximo dos 7/l 100 km, o que é ainda assim um pouco elevado. Mas as prestações agradam: 0-100 km/h em 11,3 segundos e 0-1000 metros em 32,4 s são registos aceitáveis, assim como as retomas 40-80 (3.ª) em 6,9 s, 60-100 km/h (4.ª) em 9,1 s ou 80-120 km/h (5.ª) em 12,9 s.
No novo Ceed, a marca destaca o trabalho efetuado nas suspensões, afirmando que procurou «oferecer nível de conforto de carro de família, mas também diversão». Nas gerações anteriores, elogiámos bastante o conforto e a suavidade, mas criticámos o desempenho dinâmico, sobretudo a acentuada subviragem. Ora, a verdade é que aconteceram importantes modificações ao nível das suspensões. A dianteira está 40% mais rígida (e conta com novo sistema de válvulas nos amortecedores, que absorve as vibrações menores) e a rigidez à torção da barra estabilizadora dianteira diminuiu 22%. Na suspensão traseira há ainda a referir redução da rigidez em cerca de 10%, nova barra estabilizadora e novos casquilhos no braço longitudinal, sendo que os casquilhos dos amortecedores foram também revistos. Por fim, a direção assistida elétrica é 17% mais direta do que antes.
De tudo isto resultam níveis de conforto ótimos e, é esta a grande evolução, desempenho dinâmico mais ágil e previsível e menor rolamento da carroçaria em curva, com a direção a revelar-se efetivamente mais direta e a fornecer melhor feedback do contacto das rodas dianteiras com o asfalto. O impacto em piso estragado é sólido, o que revela firmeza e não rigidez, aquele «conforto sólido» que habitualmente é virtude exclusiva de automóveis de categoria superior, ou premium.

Construído sobre a nova plataforma K2 da Kia, o Ceed de cinco portas é 20 mm mais largo (1800 mm) e 23 mm mais baixo (1447 mm) do que antes, sendo que a distância entre eixos permanece nos 2650 mm. O vão dianteiro foi reduzido em 20 mm (880 mm) e o traseiro prolongado em 20 mm (780 mm). A nova plataforma permitiu melhor organização de espaço, pelo que a habitabilidade cresceu: há mais espaço para os ombros no banco traseiro (mais 34 mm, 1406 mm), enquanto o posicionamento rebaixado (16 mm) nessa zona acresce mais algum espaço para as pernas.
Também a bagageira cresceu ligeiramente (acolhe mais 15 litros), oferecendo agora mais familiares 395 litros (conta com uma plataforma que permite criar um fundo falso), sendo que o rebordo inferior do compartimento para bagagem está agora num nível mais baixo (menos 87 mm), facilitando a colocação de cargas pesadas.
Nota final para a ergonomia e qualidade no habitáculo: trata-se de espaço muito bem pensado, com a consola central ligeiramente virada para o condutor e o ecrã do sistema de infoentretenimento bem posicionado, permitindo utilizá-lo sem desviar (muito) os olhos da estrada. Os materiais utilizados são globalmente de boa qualidade (a unidade que testámos tinha alguns acréscimos, nomeadamente o Pack Leather, que inclui diversos revestimentos em couro), os acabamentos agradam (não há flutuação nos pilares A, por exemplo, nem folgas na junção do tejadilho com o vidro dianteiro) e a construção é sólida.