Basta uma pequena voltinha para perceber que o temperamento deste ZOE é diferente dos restantes membros da família. Sob o ponto de vista estrutural é idêntico aos demais e a capacidade das baterias (de 41 kWh) também não diverge dos denominados Z.E. 40, mesmo que esse rendimento até tenha duplicado à anterior variante de 22 kWh, graças ao aumento da densidade energética das baterias de iões de lítio da LG Chem. O valor anunciado da autonomia anterior (NEDC) é de 400 km, embora seja plausível contar com 260-300 km, mesmo que essa média possa oscilar de acordo com o tipo de condução, trajeto ou percurso, lotação e carga a bordo, além da temperatura ambiente. Como em qualquer outro automóvel puramente elétrico! Outro trunfo reside agora no facto de ser possível ligá-lo aos postos de carregamento rápido (43 kW, 64A) ou acelerado (22 kW, 32A), pelo que os tempos de carga são efetivamente mais reduzidos, a partir de 1h30 m até 80% do total da carga no caso das estações de serviço de potência superior.
Em jeito de promoção, a Renault propõe a oferta de wallbox de 7,4 kW, algo que é essencial para evitar o excessivo tempo de espera nas tomadas domésticas normais, por vezes acima de 20h. Quase irritante! Veja-se o seguinte exemplo: com 45% de bateria, o ecrã de bordo estipulava cerca de 16h para encher na totalidade (100%). Mesmo sem chegar aí, após 8 horas, o nível de carga atingiu 80% com autonomia estimada para 216 km. Antes assim! Outra aferição deu conta de que foram necessárias quase 4 horas de ligação à corrente lá de casa para esticar a autonomia em 40 km. Uma voltinha curta, é certo, embora mais do que o suficiente para usuais trajetos de pêndulo (casa-trabalho-casa), que raramente excedem esse valor, pelo que o ZOE se poderá, então, afirmar como um automóvel para todos os dias...
Mas, finalmente, o que é que muda neste R110? Nada mais simples: a potência do motor ganhou 12 kW (16 cv) à versão R90 e o binário máximo aumentou 5 Nm. Ao conduzi-lo também parece que as habituais funções de aproveitamento da energia cinética gerada pelas desacelerações e travagens foram otimizadas, tendo em conta os efeitos visíveis dessas recuperações. E isso é importante, razão pela qual o consumo médio se coloca entre 13 a 15 kWh por cada 100 km, ou seja, com eventuais custos de 1,95 € a 2,30 €, enquanto a autonomia prevista atinge, em média, cerca de 260 a 300 km, parâmetros que diferem pouco da versão R90 e que estão mais de acordo com o valor oficial anunciado segundo a normativa WLTP (300 km).
Os tais 22% de potência suplementar ao R90 não o coíbem de manter-se na fasquia dos tais 300 km, até porque é possível acionar o modo ECO para refrear outros ímpetos. No entanto, as prestações são empolgantes, como se percebe também pelas reações mais instantâneas do modelo à pressão que é exercida no pedal do acelerador. Todas as medições traduzem exatamente isso: 0 a 100 km/h em apenas 10,9 s (em vez de 12,6 s do R90), além de maior rapidez em todas as retomas indicadas na ficha técnica (4,6 s, 6,2 s e 9 s contra 5,1 s, 7,3 s e 10,1 s do R90). Só a velocidade máxima se mantém igual com limite de 135 km/h. Nada elevado! Note-se que o bloco R110 beneficiou de várias inovações (módulo elétrico/eletrónica) para garantir a reconhecida eficiência e isso é determinante. Em ciclo urbano é possível esticar a autonomia para patamar acima do que já foi enunciado. E, já agora, em certas cidades o estacionamento é gratuito...
Por fim, movimentando-se de forma mais rápida, este ZOE é o mais agradável de conduzir de toda a gama, mantendo as restantes qualidades das outras versões, acrescentando mordomias, equipamentos e sofisticações que são comuns. Mais intenso, tão confortável e fácil de guiar como os demais!