A atualização de modelo icónico como o Mazda MX-5 poderia ter ido um pouco mais além... Como é que daqui a uns anos conseguiremos identificar novo vs antigo? Em Portugal, tal poderá ser feito através da data da matrícula, uma vez que este renovado MX-5 chegou ao nosso mercado no passado mês de janeiro.
Por fora, será mesmo muito complicado encontrar diferenças, estando as principais reservadas para o novo efeito visual dos pequenos filamentos LED das luzes diurnas e também para a tonalidade das luzes e refletores traseiros inferiores, nos para-choques, antes vermelhos, agora brancos. As jantes de liga leve, quer sejam as de 16’’ ou 17’’, receberam um novo acabamento visual, de cor negra.
No habitáculo, a dificuldade no jogo das diferenças sobe de nível... Mas será no volante (e ainda não ao volante!) que se poderá dar conta de um dos principais ganhos deste restyling: agora, a coluna de direção soma o ajuste em profundidade/alcance à regulação em altura, servindo para aprimorar a posição de condução, nomeadamente, o ângulo dos braços em relação às costas. De resto, continua a ser necessária alguma ginástica para entrar e sair deste dois-lugares rasteirinho à estrada, cujo habitáculo pode surgir estreito mesmo para os dois ocupantes.
Escassa continua a ser a oferta de locais de arrumação, sem porta-luvas e onde se poderá, eventualmente, encaixar um telemóvel (ao alto!) nas pegas das portas. Fechada, só mesmo a caixa atrás dos bancos e um pequeno local entre os bancos, onde não cabem mais que as chaves de casa...
As chaves do roadster, por seu lado, podem sempre permanecer no bolso do condutor, fazendo o sistema mãos-livres com botão de arranque parte desta bem equipada versão Excellence Navi, onde não faltam as luzes LED, os revestimentos em pele com aquecimento de bancos, sistema multimédia com navegação e som da Bose, climatização automática e Bluetooth. No capítulo da segurança, além do aviso de transposição involuntária da faixa de rodagem e do alerta de presença de veículo em ângulo morto (útil rodando-se com a capota colocada), a oferta passou agora a incluir alerta para cansaço do condutor, alerta de colisão frontal e prático aviso de movimento na traseira, associado aos sensores de parque.
Em Portugal, será esta motorização base, com unidade atmosférica de 1.5 litros, a mais procurada. A qual sofreu ajustes mínimos nesta nova fase de vida da quarta geração do MX-5, com anúncio de acréscimo de 1 cv e não mais que 2 Nm ao binário. Ainda no papel, a Mazda anuncia que o binário máximo passou a estar disponível 300 rpm mais cedo (4500 vs 4800 rpm), o que, na prática, poderá ajudar a justificar uma ínfima mas superior espontaneidade na resposta do motor ao acelerador nas mudanças mais curtas e na faixa de regimes intermédia.
O motor 1.5 foi, assim, apenas otimizado, com foco principal no cumprimento das normas ambientais, mas que acaba por resultar num ligeiro acréscimo emotivo, até porque o regime máximo subiu das anteriores 7000 para as 7500 rpm.
Associar a dimensões e a leveza do conjunto aos 132 cv resulta em condução extremamente gratificante, com sentido de pureza sempre presente a cada rodar do volante, com o trabalho das rodas sempre bem entendido às mãos do condutor, mesmo com os pneus 195/50 em jantes de 16’’. Até a sonoridade da mecânica surge ligeiramente mais encorpada e menos trepidante. Exímio e não menos emotivo é o manuseamento da alavanca da caixa de velocidades e o posicionamento (junto) dos pedais.
Rodar de cabelos ao vento é ato prazenteiro que deve ser aproveitado a velocidades mais baixas. O autoblocante está reservado para a versão 2 litros.