Mercedes-Benz E 300 de Station

Desalinhada

TESTE

Por João da Silva 29-09-2019 09:00

Fotos: Gonçalo Martins

A Mercedes mantém a aposta nas motorizações a gasóleo que tanto lucro lhe tem trazido ao longo da sua existência, acrescentando-lhe já quase obrigatória componente elétrica para melhorar eficiência e nível de emissões, uma fórmula que representa o compromisso do construtor alemão numa mobilidade mais sustentável, sem abdicar dos motores de combustão interna...

O Classe E que testámos está equipado com tecnologia híbrida plug-in que associa mecânica turbodiesel a motor elétrico, combinação expressa na denominação 300 «de», acrónimo de Diesel elétrico. Tecnicamente, a Mercedes recorre ao motor 2 litros turbodiesel com 194 cv e a um motor elétrico de 90 kW, alimentado por uma bateria de iões de lítio de 13.5 kWh, sendo o conjunto operado através de caixa de velocidades 9G-TRONIC otimizada para funcionamento híbrido. No total, são 306 cv e 700 Nm de binário, números que lhe permitem prestações de respeito, como prova a velocidade máxima anunciada (250 km/h) ou os dados que apurámos através das nossas medições. Alguns exemplos: 0-100 km/h em 5,9 segundos, 0-160 km/h em 13,9 segundos ou 60-100 km/h em 3,1 segundos. Performances convincentes, sem sombra de dúvida, e que podem ser conjugadas, naturalmente que a ritmos mais baixos, com consumos baixos. No Classe E, o motor elétrico está posicionado junto à caixa de nove velocidades, enquanto a bateria fica sob a bagageira. O recarregamento em wallbox de 7.4 kW permite carregar 100% em 1,5 horas, enquanto numa tomada convencional demora cerca de cinco horas.

O consumo médio anunciado é de 1,7 l/100 km, enquanto as emissões de CO2 variam entre 41 a 44 g/km de CO2, dependendo das dimensões dos pneus. No modo elétrico, emissões e consumo zero e autonomia anunciada de 50 quilómetros, sendo possível atingir, neste modo, velocidade máxima 130 km/h, o que não recomendamos se a ideia for estender ao máximo a carga da bateria. Contudo, sem ritmos de caracol, numa condução perfeitamente normal num percurso que incluiu mais de 15 quilómetros de autoestrada e via rápida, e com 98% de carga na bateria elétrica à partida, conseguimos percorrer 45 km sem emissões e consumo de gasóleo.

Ora, isto resulta numa abordagem bastante interessante no que toca à economia de combustível, pois permite uma utilização diária quase exclusivamente elétrica, sabendo-se que são curtos os percursos que a maioria das pessoas percorre nas suas rotinas entre a escola dos miúdos, o trabalho e o regresso a casa. Claro que a maioria das pessoas não tem, nem pouco mais ou menos, mais de 70 mil euros para gastar num automóvel (ou em coisa alguma…), pelo que este cenário é exclusivo de muito poucos. E mesmo esses, segundo estudo recentemente divulgado sobre híbridos plug-in, poucas ou nenhumas vezes colocarão o carro à carga na tomada doméstica. É certo que é possível forçar o recarregamento da bateria enquanto utilizamos o motor a gasóleo, reservando depois essa carga para utilizar em cidade, onde se gasta mais combustível e onde os níveis de poluição são mais elevados. Testámos este modo e ficámos bastante impressionados com a eficácia de recarregamento, pois ao fim de cerca de 20 quilómetros em modo Diesel (este valor depende naturalmente da velocidade e do nível de esforço a que sujeitamos o motor de combustão), já tínhamos acumulado carga suficiente para 18 quilómetros em modo 100% elétrico.

De tudo isto, resulta um consumo médio abaixo de 2 litros a cada 100 quilómetros, um resultado notável e que, naturalmente, dependerá sempre dos eventuais carregamentos em ficha e da frequência da utilização da solução de forçar o carregamento em andamento. Obviamente, se o automóvel for utilizado numa viagem longa, o consumo subirá acima dos referidos 2 litros, mas facilmente ficará abaixo dos 5 litros aos 100 quilómetros.

Além das prestações e dos consumos convincentes, esta carrinha destaca-se pelo enorme conforto de rolamento, com filtragem soberba das imperfeições do piso, e pela eficácia dinâmica, impressionando a agilidade com que se move, isto apesar de pesar mais de duas toneladas. Nota alta, ainda, para a travagem. 

A solução híbrida aliando Diesel e elétrico que a Mercedes propõe na apreciadíssima Classe E Limousine e Station é das mais eficazes e racionais que conhecemos em matéria de consumos, sendo certo que o preço (neste caso o da variante Station, proposta por 72.900 €) a torna muito pouco acessível à esmagadora maioria dos consumidores. Contudo, face à proposta exclusivamente Diesel equivalente (E 300 d com 245 cv), custa apenas mais 1800 €, gastando muito menos.

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Ficha Técnica

Caracteristicas

MERCEDES E

300 de Station

Motor térmico
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1950 cc
Alimentação Inj. dir. CR, TGV, intercooler
Distribuição 2 a.c.c./16 v
Potência 194 cv/3800 rpm
Binário 400 Nm/1600 - 2800 rpm
Motor elétrico
Tipo -
Potência 122 cv
Binário 440 Nm
Bateria Iões de lítio
Capacidade da bateria 13,5 kWh
Módulo Híbrido
Potência 306 cv
Binário 700 Nm
Transmissão
Tração Traseira
Caixa de velocidades Automática de 9 velocidades
Chassis
Suspensão F Eixo multibraços
Suspensão T Eixo multibraços
Travões F/T Discos ventilados
Direção/Diâmetro de viragem Elétrica/11,6 m
Dimensões e Capacidades
Compr./Largura/Altura 4,933/1,852/1,476 m
Distância entre eixos 2,939m
Mala 480 - 1660 litros
Depósito de combustível 66 litros
Pneus F 245/45 R18
Pneus T 275/40 R18
Peso 2140 kg
Relação peso/potência -
Prestações e consumos oficiais
Vel. máxima 250 km/h
Acel. 0-100 km/h 5,9 s
Consumo médio 1,7 l/100 km
Emissões de CO2 44 g/km
Garantias/Manutenção
Mecânica -
Pintura/Corrosão -
Intervalos entre revisões -
Imposto de circulação (IUC) -

Medições

MERCEDES

Acelerações
0-50 km/h 2,1 s
0-100 / 130 km/h 5,9/13,9 s
0-400 / 0-1000 m 14/25,7 s
Recuperações
40-80 km/h (D) 2,5 s
60-100 km/h (D) 3 s
80-120 km/h (D) 4,5 s
Travagem
100-0/50-0km/h 34,8/9,2 m
Consumos
Consumo médio 1,9 l/100km
Autonomia -

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