A Mercedes mantém a aposta nas motorizações a gasóleo que tanto lucro lhe tem trazido ao longo da sua existência, acrescentando-lhe já quase obrigatória componente elétrica para melhorar eficiência e nível de emissões, uma fórmula que representa o compromisso do construtor alemão numa mobilidade mais sustentável, sem abdicar dos motores de combustão interna...
O Classe E que testámos está equipado com tecnologia híbrida plug-in que associa mecânica turbodiesel a motor elétrico, combinação expressa na denominação 300 «de», acrónimo de Diesel elétrico. Tecnicamente, a Mercedes recorre ao motor 2 litros turbodiesel com 194 cv e a um motor elétrico de 90 kW, alimentado por uma bateria de iões de lítio de 13.5 kWh, sendo o conjunto operado através de caixa de velocidades 9G-TRONIC otimizada para funcionamento híbrido. No total, são 306 cv e 700 Nm de binário, números que lhe permitem prestações de respeito, como prova a velocidade máxima anunciada (250 km/h) ou os dados que apurámos através das nossas medições. Alguns exemplos: 0-100 km/h em 5,9 segundos, 0-160 km/h em 13,9 segundos ou 60-100 km/h em 3,1 segundos. Performances convincentes, sem sombra de dúvida, e que podem ser conjugadas, naturalmente que a ritmos mais baixos, com consumos baixos. No Classe E, o motor elétrico está posicionado junto à caixa de nove velocidades, enquanto a bateria fica sob a bagageira. O recarregamento em wallbox de 7.4 kW permite carregar 100% em 1,5 horas, enquanto numa tomada convencional demora cerca de cinco horas.
O consumo médio anunciado é de 1,7 l/100 km, enquanto as emissões de CO2 variam entre 41 a 44 g/km de CO2, dependendo das dimensões dos pneus. No modo elétrico, emissões e consumo zero e autonomia anunciada de 50 quilómetros, sendo possível atingir, neste modo, velocidade máxima 130 km/h, o que não recomendamos se a ideia for estender ao máximo a carga da bateria. Contudo, sem ritmos de caracol, numa condução perfeitamente normal num percurso que incluiu mais de 15 quilómetros de autoestrada e via rápida, e com 98% de carga na bateria elétrica à partida, conseguimos percorrer 45 km sem emissões e consumo de gasóleo.
Ora, isto resulta numa abordagem bastante interessante no que toca à economia de combustível, pois permite uma utilização diária quase exclusivamente elétrica, sabendo-se que são curtos os percursos que a maioria das pessoas percorre nas suas rotinas entre a escola dos miúdos, o trabalho e o regresso a casa. Claro que a maioria das pessoas não tem, nem pouco mais ou menos, mais de 70 mil euros para gastar num automóvel (ou em coisa alguma…), pelo que este cenário é exclusivo de muito poucos. E mesmo esses, segundo estudo recentemente divulgado sobre híbridos plug-in, poucas ou nenhumas vezes colocarão o carro à carga na tomada doméstica. É certo que é possível forçar o recarregamento da bateria enquanto utilizamos o motor a gasóleo, reservando depois essa carga para utilizar em cidade, onde se gasta mais combustível e onde os níveis de poluição são mais elevados. Testámos este modo e ficámos bastante impressionados com a eficácia de recarregamento, pois ao fim de cerca de 20 quilómetros em modo Diesel (este valor depende naturalmente da velocidade e do nível de esforço a que sujeitamos o motor de combustão), já tínhamos acumulado carga suficiente para 18 quilómetros em modo 100% elétrico.
De tudo isto, resulta um consumo médio abaixo de 2 litros a cada 100 quilómetros, um resultado notável e que, naturalmente, dependerá sempre dos eventuais carregamentos em ficha e da frequência da utilização da solução de forçar o carregamento em andamento. Obviamente, se o automóvel for utilizado numa viagem longa, o consumo subirá acima dos referidos 2 litros, mas facilmente ficará abaixo dos 5 litros aos 100 quilómetros.
Além das prestações e dos consumos convincentes, esta carrinha destaca-se pelo enorme conforto de rolamento, com filtragem soberba das imperfeições do piso, e pela eficácia dinâmica, impressionando a agilidade com que se move, isto apesar de pesar mais de duas toneladas. Nota alta, ainda, para a travagem.
A solução híbrida aliando Diesel e elétrico que a Mercedes propõe na apreciadíssima Classe E Limousine e Station é das mais eficazes e racionais que conhecemos em matéria de consumos, sendo certo que o preço (neste caso o da variante Station, proposta por 72.900 €) a torna muito pouco acessível à esmagadora maioria dos consumidores. Contudo, face à proposta exclusivamente Diesel equivalente (E 300 d com 245 cv), custa apenas mais 1800 €, gastando muito menos.