A linhagem C AMG, criada em 2015, foi de tal forma bem acolhida no mercado que a marca alemã decidiu somar pozinhos de perlimpimpim à mecânica V6 biturbo aquando a recente atualização estética do Classe C.
Assim, o novo AMG C 43 não só se distingue pelos detalhes visuais, como pela nova grelha dianteira com dupla lamela central, bem como pelos para-choques mais volumosos e quatro saídas de escape mais proeminentes – mesmo que por baixo sejam apenas duas, uma de cada lado do para-choques – , mas principalmente pelo upgrade técnico da unidade 3 litros V6 biturbo a gasolina, que subiu de forma dos anteriores 367 para ainda mais vistosos 390 cv, fruto da aplicação de novos turbos de maior capacidade.
No domínio das forças, a que se junta binário máximo de 520 Nm, inalterado, mas que passou a estar disponível numa faixa que se estende agora das 2500 às 5000 rpm, está a caixa automática de 9 velocidades e sistema de tração integral 4Matic, somando suspensão de amortecimento variável e possível de ajustar de forma individualizada, entre três parâmetros, além da configuração base incluída nos modos de condução pré-definidos. Aliás, este é mesmo um dos sinais de estarmos na presença de um AMG à séria, da mesma forma que existe botão para forçar a atuação manual da caixa automática, ou seja, eliminando a função de kickdown e não desmultiplicando de relação caso o motor chegue ao red line.
Acaba por ser a dupla entre o feitio delicado do V6 biturbo a gasolina e o sistema de tração integral, que mais define o carácter civilizado do C 43. E que, até na entoação de escape, em nada se aproxima do radicalismo das versões V8 de tração traseira (C 63).
Mas, atenção: não estão em causa as performances da mecânica, que tem o condão de ser extremamente cordial numa utilização quotidiana, com extrema elasticidade e força infinita para resolver quase todas as necessidades de aceleração entre as 1500 e as 2000 rpm, mas também vigorosíssima quando lhe são pedidas acelerações mais fortes – basta consultar as nossas medições, a que podemos acrescentar que o quilómetro de arranque é dobrado nos referidos 23,1 segundos, já a 230 km/h reais!
Os modos de condução do sistema Dynamic Select adequam mecânica e eletrónica aos reais intentos do condutor, com a suspensão a saber manter níveis aceitáveis de conforto, mesmo com as jantes de 19’’ montadas na unidade testada. Menos acertada terá sido a escolha pelos Dunlop SP Sport Maxx, que não só tendem a aquecer demasiado face aos enormes limites de aderência, como contribuem para distâncias de travagem alongadas.
É através do novo painel de instrumentos digital e multiconfigurável, que muito ajuda a conferir aspeto mais vanguardista e moderno ao habitáculo, que se pode acompanhar diversos dados relativos à condução e mecânica, caso das temperaturas de óleo do motor, da caixa e dos pneus. A tração integral variável, de base, privilegia o eixo traseiro (31/69), mas os intentos máximos são os da segurança e civismo em estrada, pelo que só mesmo desligando o ESP se pode obter alguma vivacidade (e pouca!) do eixo posterior. A direção poderia ser um pouco mais mecânica.
A par do AMG E 53 (que até inclui solução híbrida), o C 43 apresenta-se como um dos mais civilizados AMG da atualidade, onde nem a sonoridade de escape chega a ser estridente. O foco da dinâmica está na precisão, segurança e eficácia em curva, esta assegurada pela tração integral que sustém o ímpeto fulgurante dos agora 390 cv. O ESP precisa de ser totalmente desligado para não se intrometer em demasia.