O nome Corolla confunde-se com o da Toyota, mas a marca nipónica abriu parêntesis na história entre 2006 e 2018, período que coincide com as carreiras comerciais das gerações 10 e 11 do automóvel mais vendido de sempre – é-o desde 1997, quando roubou o estatuto ao VW Beetle –, chamando Auris tanto à berlina compacta de 5 portas como à carrinha. Agora, recuperou a fórmula original, com a adoção da mesma designação para as três variantes da gama. O Sedan com 4,63 m de comprimento e 4 portas diferencia-se das demais carroçarias pelo desenho específico da seção posterior. O 3.º volume garante-lhe imagem conservadora que pisca o olho aos clientes tradicionais, menos adeptos de ruturas e vanguardismos.
A diferenciação do Sedan expressa-se, também, na origem do modelo… A berlina de 4 portas é produzida na Turquia, na mesma fábrica do C-HR, enquanto o Hatchback de 5 portas e o Touring Sports são made in Inglaterra.
Os três automóveis têm a mesma base, a GA-C (acrónimo de Global Architecture-Compact). Resumidamente, é a evolução da plataforma TNGA estreada em 2015, na 4.ª geração do Prius. Trata-se de estrutura eletrificada moderna. O Sedan partilha com a carrinha a distância entre eixos (2,700 m), o que explica a liberdade de movimentos de que desfrutamos nos interiores dos dois automóveis.
Comparando com o antecessor, o Corolla Sedan novo é maior e melhor. E é-o tanto na habitabilidade como na capacidade da mala (mais 20 litros) ou no equipamento, muito completo na versão de topo Luxury. A instrumentação digital e o monitor do programa multimédia Toyota Touch 2, com 8’’, emprestam mais modernidade à apresentação do interior, onde a falta de possibilidades de personalização é compensada pela qualidade quer dos materiais, quer da montagem.
Dinamicamente, o Corolla Sedan não é entusiasmante, privilegiando-se uma condução do tipo desportivo, mas o automóvel tem público-alvo que valoriza muito mais o conforto de rolamento do que a competência dinâmica. Ainda assim, no comportamento, nota positiva. A suavidade do amortecimento não belisca a capacidade de absorção das irregularidades do piso, nem diminui a estabilidade e a segurança do comportamento. Mas, sublinhe-se esta ideia, na agilidade e na precisão, encontra-se melhor no segmento dos compactos.
O sistema híbrido inclui uma mecânica de combustão interna de 4 cilindros e 1,8 litros, a gasolina, um motor elétrico alimentado por bateria de hidretos metálicos de níquel e uma caixa automática, que transmite a potência só às rodas dianteiras. Este pacote foi otimizado pelos engenheiros da Toyota, registando-se progressos importantes quer na capacidade de resposta aos movimentos no pedal do acelerador, quer na eficiência e no ruído de funcionamento, que diminuiu de forma significativa quando exigimos reações (mais) enérgicas. Rendimento máximo: 122 cv.
No Corolla 1.8 Hybrid, três programas de condução selecionados no comando do Drive Mode, à frente do seletor da caixa de velocidades: Eco, Normal e Sport. Ao lado, botão do modo elétrico (EV). Para ativá-lo, cumprimento obrigatório de três condições: mais de 50% de carga na bateria, aceleração com moderação e condução a baixa velocidade (até 57 km/h). Ainda assim, autonomia muito reduzida, utilização limitada a arranques sem pressas nos movimentos de pára-arranca em engarrafamentos e entre semáforos. A alimentação do sistema híbrido faz-se durante a condução, durante as desacelerações e travagens – deslocando-se o punho da caixa de «D» para «B», melhora-se a capacidade de regeneração de energia e, diretamente, prolonga-se o tempo de ação com a mecânica a gasolina parada, sem consumo combustível e e emissões poluentes, objetivo por trás da adoção de tecnologia cada vez mais importante como etapa intermédia no caminho para a eletrificação do automóvel.
A Toyota abandonou o Diesel em 2018 e, para o cumprimento das normas de emissões de gases de escape na Europa, privilegia a tecnologia híbrida, que representou 65% das matrículas da marca no nosso País durante os primeiros cinco meses de 2019 – 2732 em 4123 ligeiros de passageiros! No Corolla Hybrid, como nos demais automóveis com sistemas semelhantes, reaprendemos a conduzir, colocando-se a eficiência à frente da dinâmica e das performances. Consumo médio (real): apenas 4,6 l/100 km.