Mais de quatro meses volvidos sobre o acidente que tirou a vida ao motard português Paulo Gonçalves no Dakar, na Arábia Saudita, a 12 de janeiro, uma das primeiras más notícias deste marcante ano de 2020, Joaquim Rodrigues, cunhado e companheiro na equipa Hero do piloto de Gemeses, abriu o coração.
E partilhou, nas redes sociais, os sentimentos que lhe ensombraram os dias desde a trágica 7.ª etapa e a grande decisão que deles renasceu: «Quatro meses e 11 dias passaram desde o momento em que a minha família sofreu, provavelmente, o maior choque das nossas vidas. Meses arrasadores, pela minha querida irmã e meus sobrinhos e afilhada que perderam o maior pilar da vida deles, o marido e pai...!» escreveu o piloto de Barcelos sobre a terrível manhã de 12 de janeiro. «Domingo em que vivi o maior trauma da minha vida, pelo desespero de o ter ali deitado nos meus braços, enquanto todos o tentávamos trazer de volta, entre gritos e choro, sentindo-me impotente, chamando pela minha irmã. Não querendo acreditar que estava a ser real e pensando que estava num filme ou em algum pesadelo. Pesadelo esse que me vem perturbando psicologicamente até hoje», assume Joaquim Rodrigues sobre o quanto lhe foi difícil ultrapassar o trauma da morte de Paulo Gonçalves.
«Passei 4 meses sentado no sofá, em depressão profunda a cada dia que passava, com vontade de desistir de tudo, num estado em que falavam para mim e eu não ouvia porque a minha cabeça estava num mundo ou planeta completamente diferentes do mundo real... Fiquei sozinho, fechado no meu mundo depressivo... ganhei 10kg… com isto tudo acabei por perder pessoas importantes na minha vida e fiquei completamente sozinho e perdido...», descreve o piloto da Hero, ultrapassada que parece estar, agora, a pior fase:
«Hoje escrevo porque chegou a hora de mudar! De voltar a mexer, de perder os quilos que tenho a mais e mudar de hábitos. Por isso, decidi sair deste buraco negro e vou voltar ao Dakar!! Vou continuar em Honra do Paulo, meu amigo, meu parceiro, e minha família! Felizmente tenho uma equipa, a Hero Motosports team rally, que nunca nos faltou com apoio, onde me sinto como se fosse segunda família. Falamos e devo voltar a andar de moto já nesta próxima semana, com os novos testes de preparação 2020 em Portugal!»