Citroën oli: O elétrico ‘tudo em um’ que gera dinheiro

Citroën revelou o concept que serve de farol orientador para desenvolver o veículo de que as famílias precisam daqui a dez anos: "um parceiro útil no dia-a-dia que ajuda as pessoas, mesmo quando não está em movimento".

Reportagem

Por Vítor M. da Silva 29-09-2022 12:00

Imaginar um futuro em que a mobilidade pessoal está acessível a todos é, para a Citroën, uma obsessão. Depois do sucesso do Ami, o elétrico urbano que pode ser conduzido sem carta, a marca francesa regressa ao conceito do "não-convencional" no seu compromisso de disponibilizar um transporte totalmente elétrico para todos.

O Citroën oli [leia-se all-ë] contraria as tendências da indústria para veículos familiares de zero emissões mais pesados, mais complexos e mais caros, mostrando-se apto a ir ao encontro dos desafios sociais e de mobilidade do futuro. “O Citroën oli exemplifica a nossa missão de mobilidade: responsável, simples e acessível para o quotidiano, mas também ambiciosa, desejável e agradável”, refere Vincent Cobée, CEO da Citroën.

Tudo em um… e para todos!

"Denominámos este projeto de 'oli' como um aceno ao Ami e também porque resume a essência deste veículo - mais uma prova de que só a Citroën pode entregar uma mobilidade sensata e ALL-Electric, a todos os tipos de pessoas, em formatos inesperados, responsáveis e gratificantes", explica Cobée.  A marca francesa diz que não é um automóvel, mas sim uma extensão multiusos do quotidiano das nossas vidas, simultaneamente útil quando não está a ser conduzido.

O concept baseia-se na utilização de materiais reciclados e recicláveis, da acessibilidade, durabilidade e longevidade. Embora pareça imponente, com 4,20 m de comprimento, 1,65 m de altura e 1,90 m de largura, o oli não é nem pesado nem volumoso - o seu objetivo de peso na ordem dos 1.000 kg torna-o significativamente mais leve do que a maioria dos SUV compactos comparáveis.

Como resultado, a sua motorização totalmente elétrica precisa apenas de uma bateria de 40 kWh para gerar uma autonomia máxima de 400 km. Ao limitar a velocidade máxima a 110km/h, para maximizar a eficiência, o excelente consumo de 10 kWh/100 km mostra-se realista e o seu recarregamento de 20% a 80% faz-se num período de 23 minutos.

Democratizar o elétrico  

A Citroën acredita que a eletrificação não deve trazer uma punição, limitando a mobilidade ou tornando os veículos menos gratificantes para desfrutar. O Citroën oli é uma demonstração poderosa disso mesmo.

Para Laurence Hansen, Diretora de Produto e de Estratégia da Citroën, e Laurent Barria, Diretor de Marketing e Comunicação da Citroën, o oli simboliza a missão da marca de democratizar a mobilidade elétrica de uma forma agradável.

Enquanto modelos eletrificados e totalmente elétricos como o ë-C4 e o novo ë-C4-X, e os veículos comerciais ligeiros como o ë-Berlingo e o ë-SpaceTourer, já proporcionam acesso aos benefícios da motorização eletrificada, o oli representa o estágio seguinte na mobilidade familiar, repensando cada detalhe que leve à redução de recursos e de materiais, de forma a tornar os veículos agradáveis, que sejam mais fáceis de usar, de compreender e de pagar, com uma autonomia de condução adequada e uma versatilidade reforçada.

Os assentos, por exemplo, são de construção simples e usam 80% menos peças do que um banco tradicional. São feitos de materiais reciclados e contam com um design inteligente das costas, em rede de 'malha', realçando a luz natural no interior do veículo.

Também podem ser facilmente atualizados ou personalizados de acordo com o gosto dos proprietários individuais. Para a Citroën, podemos optar por pagar por todas as funcionalidades mais recentes e a inteligência artificial, recursos que apenas usamos 2% do tempo quando estamos a conduzir, ou podemo-nos perguntar ‘qual é a coisa responsável a fazer e o quanto preciso realmente disto?

Design inteligente

Cada elemento do estilo foi pensado com o mesmo objetivo. O para-brisas, por exemplo, é vertical porque essa é a distância mais curta entre o topo e o fundo, usando-se uma menor quantidade de vidro. Além de reduzir o peso e a complexidade, a superfície mais pequena é mais barata de produzir ou de substituir e também diminui a exposição dos ocupantes aos efeitos do sol. Estima-se, ainda, que ajude a reduzir até 17% a necessidade de energia obtida das suas baterias que o modesto sistema de ar condicionado do oli necessitaria.

"Pode-se argumentar que um ecrã vertical é menos aerodinâmico, mas não esperamos que as pessoas conduzam este tipo de veículo a velocidades de 200 km/h", explica a marca.

As portas da frente seguem o exemplo definido pelo Ami e são idênticas em cada lado, embora montadas de forma oposta. São mais leves, mas robustas e muito mais fáceis de produzir e de montar. Reduzir a complexidade e simplificar a construção poupa 20% em termos de peso por porta, em comparação com um hatchback familiar típico. São necessários metade do número de componentes, poupando-se cerca de 7 kg por porta pela remoção do altifalante, dos materiais de isolamento sonoro e dos cabos elétricos. No painel de bordo e consola central, o oli apenas necessita de um conjunto de 34 peças, contra as 75 que são necessárias numa berlina familiar média.

Tendo considerado diferentes soluções para a operação do HMI, a equipa chegou à muito pouco usual ideia de utilizar um joystick, semelhante ao de uma consola modular profissional tradicional, montando-a nas imediações do volante do oli. "O ‘joystick’ do ‘gamepad’ funciona muito bem: é fácil de controlar e é um grande exemplo de como podemos transferir soluções de aplicações não-automóveis que nos são familiares, fazendo-as funcionar no contexto de um veículo", diz Sabas.

Ideias como esta, elementos de design e inovações do oli serão apresentados em futuros modelos da gama Citroën e inaugura, simbolicamente, a nova interpretação do logótipo do “duplo chevron” da marca francesa, que será adotado em todos os novos produtos.

Dispositivo elétrico que gera dinheiro

Ao apoiar a capacidade inteligente “Vehicle to Grid” (V2G), existe o potencial para um veículo como o oli gerar dinheiro extra para o seu proprietário, armazenando a energia em excesso obtida a partir dos painéis solares domésticos, revendendo-a de volta às entidades fornecedoras de energia, bem como ajudando a gerir problemas de energia quando há uma procura máxima ou uma falha de energia na rede.

O Citroën oli também demonstra como um veículo pode atuar como uma casa longe de casa, em viagens de verão até à praia ou num fim de semana de acampamento na montanha. Tendo em linha de conta a sua bateria de 40 kWh e uma potência de 3,6 kW (equivalente a uma tomada doméstica de 230 V / 16 Amp), o oli poderá, teoricamente, fornecer energia a um dispositivo elétrico de 3.000 watts durante cerca de 12 horas.

Mas além da sua capacidade de alimentar diversos aparelhos do dia-a-dia, ajudar em caso de falha de energia, podemos simplesmente servir-nos dele como uma plataforma para limpeza das caleiras em casa! "Há uma pureza que a Citroën sempre representou, face a outras marcas que não a têm, sendo muito mais desafiante desenhar um objeto que é puro mas único, do que é criar algo super complicado e torná-lo único. Pense-se em veículos icónicos como o novo Ami ou o 2CV, silhuetas que são instantaneamente reconhecíveis como Citroën e que, devido ao seu pragmatismo, podem viver durante muito mais tempo".

Os seus painéis do capô, do tejadilho e da traseira, do tipo “caixa de carga de uma pick-up”, para além de planos e de definirem a silhueta única do veículo, foram escolhidos para cumprir os objetivos de baixo peso, de elevada resistência e de máxima durabilidade. Fabricados a partir de cartão ondulado reciclado, formado numa estrutura do tipo sanduíche de favo de mel, entrecortada por reforços de painéis em fibra de vidro, foram codesenvolvidos com a parceira BASF. São muito rígidos, leves e fortes – tão fortes que um adulto pode ficar de pé em cima deles – e o seu peso é reduzido em 50% quando comparado com uma construção equivalente num tejadilho em aço.

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