Suzuki S-CROSS 1.4 Boosterjet 4WD

Mais ao estilo europeu

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Por Paulo Sérgio Cardoso 06-11-2022 19:30

O S-Cross ficou bem mais atraente e cosmopolita, numa ação de modernização que chega tarde a um versátil e racional crossover já com vários anos no mercado. Some-se os atributos da mecânica ‘mild hybrid’ e a versatilidade da tração integral.

Após a importante modernização técnica operada em meados de 2020, com a introdução desta interessante (poupada e despachada) unidade 1.4 a gasolina Boosterjet de 130 cv, a Suzuki operou  uma mais que merecida atualização visual ao S-Cross (modelo lançado no longínquo ano de 2014 e já bastante atualizado em 2017), que fez com que o crossover nipónico passasse a estar mais de acordo com os cânones e os gostos dos clientes do continente europeu.

Na frente, desapareceu a grelha de lâminas verticais que dava ao S-Cross uma falsa sensação de carro barato e produzido para agradar os gostos asiáticos. No seu lugar, surge uma bem mais europeia grelha central em preto, ladeada por óticas agora mais esguias que amendoadas, num trabalho finalizado pelo formato mais modernizado dos para-choques e melhor integração das luzes de nevoeiro. Até o contorno plastificado das cavas de roda ganhou personalidade, angulosos e ao estilo do que também a Toyota tem apresentado nos seus modelos mais recentes.

Na traseira, o toque de modernidade surge através da nova faixa plástica que une os grupos óticos que, embora sem incluir iluminação, aproxima o S-Cross de algumas soluções de design adaptadas em modelos 100% novos.

O habitáculo foi igualmente alvo de importante cartada para a modernização, embora continue a ser difícil esconder algumas soluções já datadas e oriundas do projeto inicial, como são o formato e a legibilidade da instrumentação analógica, em que o computador de bordo continua a ser operado através de haste de pressão no próprio painel em vez de estar mais à mão do condutor, o toque rígido dos botões de comando dos vidros elétricos, a presença de travão de mão manual e o grafismo antiquado do sistema de climatização automático.

Bem melhor ficou a organização e a simplicidade ergonómica criada em torno do novo arranjo do tablier (revestido, em algumas zonas, com material bastante agradável ao toque o que ajuda a cimentar a sensação qualitativa), em que se destaca o novo sistema multimédia em posição cimeira, bem mais ao nível de olhos e mãos.

Nesta bem equipada versão topo de gama, o monitor tátil é de 9’’ e inclui ainda sistema de navegação com gráficos tridimensionais. Pena o ajuste do som ser agora via tátil (ainda não há melhor que botão de comando rotativo...), mas navegação entre os diversos menus ficou mais intuitiva e direta, somando-se completas informações sobre consumo e gráfico que permite acompanhar os fluxos energéticos desta versão de mecânica mild hybrid com sistema de 48V – pequena bateria de 0.38 kWh está alojada sob o banco do passageiro.

A tecnologia MHEV_não permite o S-Cross 1.4 Boosterjet rodar em modo 100% elétrico, mas são evidentes os ganhos na suavidade de utilização, mal se sentindo a atuação do sistema start-stop (que aqui desliga o motor logo que a velocidade desça dos 15 km/h), uma vez que motor/gerador está acoplado diretamente ao motor térmico por correia. No computador de bordo, além da contabilização do tempo em que o motor térmico  está desligado, junta-se informação da quantidade de gasolina poupada durante essas paragens.

A mecânica sobrealimentada a gasolina é, então, uma das principais mais-valias do S-Cross, com resposta linear e quase espontânea ao acelerador, refletindo as situações de apoio por parte da pequena unidade elétrica e permitindo que se role facilmente em baixos regimes, o que acaba por resultar em consumos realmente contidos face às performances permitidas, sempre a rondar os 6 e os 6,5 l/100 km. O mesmo acontece numa utilização em autoestrada, em que o motor não precisa subir além das 3000 rpm desde que se rode em torno da velocidade legal.

O Suzuki S-Cross é também dos poucos exemplos deste segmento a poder contar com sistema de tração integral permanente (a gama inclui versões mais acessíveis de tração dianteira), o que além de representar o um acréscimo de motricidade e segurança na condução, acrescenta versatilidade de utilização a este pequeno SUV de 4,3 metros de comprimento – é do tamanho do Peugeot 2008.

O sistema AllGrip inclui ainda modos de condução que adaptam o trabalho do sistema de tração ao tipo de piso, otimizando a motricidade e a evolução em vários terrenos, incluindo modo ‘Lock’ que realiza distribuição equitativa de potência pelos dois eixos. O amortecimento é um pouco firme, com a suspensão a evidenciar estar bem preparada para lidar (com resistência) com todo o género de piso.

Embora pouco  refinado, o interior do S-Cross está totalmente direcionado para a facilidade dos acessos e boas cotas habitáveis no banco traseiro, a que se junta ampla bagageira de 430 litros com fundo amovível possível de colocar em duas alturas. Completíssima é também a dotação de equipamentos, do conforto à segurança, passando pelas ajudas diretas à condução, o que permite equilibrar o preço algo elevado, quase inter-segmentos.

Todos sabemos que a estética de um automóvel é um dos fatores que mais pesa na decisão da compra. O mesmo se passando com o ambiente interior e, cada vez mais, com as tecnologias e o processo de digitalização do habitáculo. Tudo pontos em que a Suzuki muito evoluiu nesta geração atualizada do S-Cross, que assim poderá mais facilmente encantar os clientes europeus, para depois lhe abrir portas a todo o conjunto racional. Pena a idade avançada do projeto.

Preço: (Novembro de 2022)

Suzuki S-Cross 1.4 T Mild Hybrid 4x4 - Desde 29.187 €

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