Muitos pilotos encontraram nos simuladores de condução e nas plataformas de videojogos uma fórmula para permanecerem ativos enquanto os campeonatos estão parados, por imposição da pandemia da COVID-19. Mas, também no mundo vitual, as corridas são propícias ao aparecimento de conflitos e rivalidades que excedem, muitas vezes, os limites do razoável.
Recentemente, na final do campeonato de corridas virtuais do IndyCar, realizado na plataforma iRacing, assistiu-se a um momento tão bizarro como preocupante. Na oval de Indianápolis registaram-se muitos acidentes e incidentes, incluindo nos momentos finais da prova… Lando Norris, piloto da McLaren no Mundial de Fórmula 1, acelerava para a vitória, mas o campeão das 500 Milhas de 2019, Simon Pageneaud, que tinha menos uma volta, abrandou o ritmo e provocou uma colisão com o monolugar do inglês de 20 anos, colocando-o fora de prova e influenciando, diretamente, o resultado final.
As corridas virtuais das categorias mais importantes do desporto automóvel têm milhões de adeptos e podem acompanhar-se em direto em muitas televisões e nas plataformas de ‘streaming’. Por isso surpreendeu ainda mais que a troca de acusações entre os pilotos profissionais e os convidados atingissem níveis intoleráveis, que ‘entusiasmaram’ demasiado alguns fãs. Consequência: apareceram até ‘ameaças de morte’ escritas nas caixas de mensagens das redes sociais do IndyCar no iRacing!
“Estamos a competir virtualmente, isto é só um jogo, mas somos pilotos profissionais, as corridas são acompanhadas em direto por milhões de adeptos e as equipas necessitam de ‘alimentar’ os apoios dos patrocinadores. Temos de comportar-nos muito melhor”, reconheceu Lando Norris.
Em abril, piloto de topo do NASCAR, Kyle Larson, foi despedido pela equipa Chip Ganassi Racing e suspenso por tempo indeterminado pelo campeonato após comentários e insultos racistas durante corrida virtual da categoria. Os administradores do iRacing também cancelaram os acessos do norte-americano de 27 anos à plataforma.