«Prometo que vamos animar o Dakar»

Rali Dakar

Por Célia Lourenço 24-11-2022 08:18

Fotos: D.R.

Quando abandonou a competição nas motos há cinco anos, Hélder Rodrigues dedicou-se ao negócio de «produzir sopas frescas para grandes superfícies». Agora tem uma «fábrica nova» a laborar em Almargem do Bispo e, mesmo longe de querer dar descanso às sopas - «estamos ainda a desenvolver um projeto com saladas» -, ou a si próprio, o campeão mundial de todo-o-terreno de 2011 vai voltar ao mítico Dakar, desta vez em quatro rodas, num SSV, e acompanhado do navegador Gonçalo Reis.

Ontem, depois de ter anunciado o 319, o «primeiro número do Dakar em quatro rodas», o Estrelinha falou com a A BOLA sobre como espera brilhar aos comandos do Can-Am, entre 31 de dezembro e 15 de janeiro na Arábia Saudita, mas também sobre o regresso que, aos 43 anos, pretende ver crescer.

«O projeto está a ser preparado há dois anos, ainda que não de uma forma 100% profissional. Aliás, quando arrumei as motos, depois de 11 ralis Dakar, achei que seria triste não passar toda aquela minha experiência e foi assim que fui quatro sports manager da Honda. Não tendo tanta disponibilidade devido ao meu outro trabalho decidi que queria voltar ao Dakar, mas preparando-me em provas do Nacional. Ajudou muito poder preparar-me com uma equipa a dois quilómetros da minha casa, foi a primeira vez que tive este benefício. Permitiu-me organizar tudo. Gostava muito de me tornar profissional de buggies, penso que ainda tenho dez anos pela frente para evoluir», vaticinou Hélder Rodrigues, «empolgado» com «esta classe gira», na qual quer «fazer um brilharete».


Embora nos genes do campeão nacional de enduro de 1999 esteja a experiência de ganhar - venceu nove etapas do mítico rali e subiu duas vezes ao terceiro lugar do pódio da geral, em 2011 e 2011 já a prova tinha emigrado para paragens sul-americanas -, o lisboeta mantém aspirações cautelosas. «Penso que o rali perdeu a alegria, talvez depois da morte do Paulo [Gonçalves]. Prometo que vamos ao Dakar para animar a coisa, vamos animar o Dakar», vincou. Ao mesmo tempo que reconhece ter «muitas coisas a aprender», acredita poder apresentar-se competitivo nos buggies e sem vislumbrar a transição para os carros. «Para já, espero fazer um grande resultado nos buggies que, aliás, têm tido tanta evolução que em breve vão ser tão competitivos como os carros, podem atingir velocidades semelhantes.»


Depois de ter passado pelos desertos africanos e pelos da América do Sul, Hélder espera um Dakar «desafiante» na Arábia. «Em primeiro lugar, porque voltam a ser quase 15 dias de prova, o que não acontecia há anos. É deserto à séria, embora na América do Sul tenha sido muito duro. Há aquele nervosismo natural de competição, estou mais velho, não tenho trabalhado o físico tanto quanto gostaria, mas não tenho receio de voltar», assevera o piloto que, na Argentina, sofreu grave acidente, tendo-lhe sido removido o baço e submetido a cirurgia a um braço.


«Não vamos para lá a pensar em vitórias, mas para fazer boas etapas», garante Rodrigues, cuja preparação ainda vai passar por um treino em Marrocos, depois desta semana o camião com toda a logística seguir viagem para a Arábia, enquanto o carro chegará de avião à terra onde Hélder volta a lutar pelos sonhos no TT.


 

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