Raios X ao mercado europeu

Em 2017, cada vez mais SUV, cada vez menos Diesel

Opinião

Por José Caetano 02-03-2018 08:05

A conta-gotas, os atores do setor automóvel divulgam os números definitivos de 2017, confirmando-se o momento positivo da indústria e do mercado, após série dolorosa de resultados negativos. Na Europa, entre as certezas do ano passado, vendas (quase!) ao nível de 2017 (16,02 milhões), com 15,57 milhões de ligeiros de passageiros, mais 3,1% do que em 2016, Sport Utility Vehicles (SUV) cada vez mais populares – representaram 4,56 milhões de matrículas, conseguindo quota de 29%, depois de aceleração de 19,5% em 12 meses! –, ao contrário do que acontece com os motores a gasóleo, em declínio, com travagem de 7,9%, para 6,76 milhões de viaturas, número que representa apenas 43,7% dos registos, o número mais baixo em 10 anos…! E, não por acaso, venderam-se mais 760.000 carros com mecânicas a gasolina.

Os números de 2017 são encorajadores, nenhuma dúvida!, mas existem muitas nuvens negras na linha do horizonte, com a crise do Diesel, com início em 2015, nos EUA, após o conhecimento público da manipulação dos gases de escape em 11 milhões de carros do consórcio VW, e a saída do Reino Unido da União Europeia a ameaçarem travagem no crescimento das vendas. Em dezembro, por exemplo, pior registo mensal em cinco anos, com a procura dos Diesel a reduzir 20,5%, comparativamente a 2016. Ou sinal de alerta!

A travagem na procura de viaturas com motores a gasóleo teve impacto nos resultados globais, vide o aumento de 10,9% na procura de carros a gasolina (traduzindo, 760.000 automóveis!) e o crescimento de 46,1% nas matrículas de modelos com tecnologias de propulsão alternativas, que representaram 737.400 unidades, ou 4,8% dos registos. No entanto, como os números mostram, elétricos, híbridos e híbridos plug-in atraem cada vez mais clientes. Mas, indiscutivelmente, foram os SUV que mais contribuíram para o crescimento das vendas no mercado europeu, com o segmento a acelerar 19,5%, para 4,56 milhões de carros, depois dos 3,81 de 2016. Em 2007, a categoria representava só 8,5% das matrículas! Entre as vítimas do sucesso do formato da moda encontram-se os monovolumes, com o abrandamento de 15,1% para a quota de mercado mais pequena do século: apenas 7,7%.

Por marcas, a compra da Opel pela PSA não beneficiou o consórcio, com os resultados de Citroën (+5%) e Peugeot (+7% penalizados pela performance da marca alemã (-5%). Os franceses acabaram o ano com crescimento de 0,7%. O Grupo VW também perdeu 0,25% de quota de mercado, embora registando aumento de 2% nas vendas, para 3,70 milhões de carros. Por modelos, Toyota CH-E e Suzuki Ignis como referências de 2017, com mais 12,4% e 20,8%, respetivamente. Entre as marcas premium, Mercedes em 1.º (+8%), à frente de BMW (+1%) e da líder de 2016, a Audi (-1%) – e, combinados, os três emblemas alemães valem 79% do mercado. Finalmente, por modelos, VW Golf no top, com 483.105 unidades (-2%), com o Renault Clio na 2.ª posição (327.395, +4%) e o VW Polo na 3.ª (272.061, -12%). No caso do Golf, travagem a fundo nas vendas de versões a gasóleo (14,6%), que representaram só 41% das matrículas, contra 47% em 2016.

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