Cinco mitos sobre a segurança dos carros conectados

Opinião

Por Alfonso Ramírez* 02-03-2018 09:00

Nos próximos anos, o nosso mundo será muito diferente do atual – o número de dispositivos conectados autónomos será dez vezes superior aos sistemas operados por humanos e a Gartner estima que existirão 250 milhões de carros conectados a circular em 2020. Prevê-se que o mercado para sistemas de assistência à condução cresça em 50 mil milhões de euros e que o mercado para tecnologia automóvel atinja os 33 mil milhões de euros daqui a dois anos.

A cada geração, os fabricantes de automóveis adotam tecnologias digitais cada vez mais complexas de forma a melhorar o nível de segurança e conforto nos seus veículos, desde múltiplas câmaras, sensores e radares, acompanhados pelo software necessário para processar e analisar os estímulos de todos estes equipamentos. Mas isto é apenas a ponta do icebergue: quase todos os principais componentes de um carro moderno - como o motor, a direção, travões – são controlados via eletrónica e estão ligados a uma “rede de bordo”. Como resultado, muitos destes automóveis estão conectados à internet e vulneráveis a ciberataques.

Temos visto que esta nova era da condução autónoma tem vindo a gerar vários mitos sobre o futuro dos veículos conectados. Como é normal, alguns são verdadeiros e outros… nem tanto. Aqui ficam os mais flagrantes:

A ideia de que os automóveis conectados são invencíveis (Falso). O tema surgiu quando, em 2015, Charlie Miller e Chris Valasek demonstraram que era possível hackear um Jeep Cherokee, ganhando total controlo do veículo. Desde então, um Tesla Model S e novamente um Jeep Cherokke foram também hackeados (usando técnicas diferentes), alertando para os perigos e vulnerabilidades dos automóveis conectados, que disparam quando falamos dos carros de condução autónoma, a obsessão da indústria na atualidade e para os próximos dez anos.

Os cibercriminosos podem destrancar o meu automóvel e roubar as minhas informações (Verdadeiro). Um ataque pode comprometer os sistemas de alarme de um veículo, principalmente os que usam aplicações móveis, permitindo destrancá-lo utilizando apenas um smartphone.

Os hackers podem espiar-me assim que acedem ao meu automóvel conectado (Verdadeiro). Nos automóveis modernos, existe software de vídeo e áudio, para controlo de gestos e voz. Se um hacker ganhar controlo sobre o automóvel e o próprio software, pode espiar o condutor e os passageiros, ouvindo e observando tudo o que se passa no interior do veículo.

Os hackers podem utilizar a conectividade do automóvel para o sequestrar (Falso). Muitos consumidores acreditam que os automóveis conectados podem ser controlados e até conduzidos remotamente. Apesar de a conectividade ser um risco extra, as várias camadas de proteção significam que um hacker não conseguirá, facilmente, sequestrar um automóvel. No entanto, investigadores demonstraram recentemente como um hacker poderia desligar sistemas de segurança de um veículo, como os airbags, e como ataques do género são facilitados pelos dispositivos externos, como telemóveis ou leitores de música, que conectamos aos nossos veículos.

Software malicioso pode afetar não só os automóveis mas também o tráfego das cidades inteligentes (Verdadeiro). A comunicação de veículo-para-veículo (V2V) e de veículo para infraestrutura (V2I) é cada vez mais popular, o que significa que os sistemas dos semáforos e outros equipamentos estão vulneráveis a ciberataques, como a Kaspersky Lab já havia demonstrado.

A cibersegurança vai ser um fator-chave para muitos consumidores na hora de adquirir o seu próximo veículo. Como resultado, é crucial que os fabricantes de automóveis tornem a segurança numa prioridade, instalando individualmente soluções de software defensivas nos componentes elétricos – como os travões – para os reforçar contra ataques. O software também pode proteger a rede interna do veículo como um todo ao examinar toda a comunicação da rede, assinalando todas as mudanças no comportamento padrão da rede do veículo e impedindo que os ataques avancem dentro desta.

Os serviços de segurança na nuvem, por exemplo, podem detetar e corrigir ameaças antes de estas chegarem ao veículo, mas a sua adoção deverá ser suportada por padrões rigorosos e consistentes da indústria automóvel. Em 2018, devemos começar a ver alguns destes requisitos da indústria a aparecer, tal como os primeiros dispositivos cibernéticos seguros para diagnóstico remoto e dados telemáticos.

A segurança não é um estado mas sim um processo em constante evolução. Para que a utilização dos dispositivos inteligentes como os carros conectados se democratize, a segurança tem ser tida em conta desde o primeiro momento em que estes são desenhados, caso contrário a confiança e credibilidade dos consumidores será muito difícil de conquistar.

*DIRETOR GERAL DA KASPERSKY LAB IBERIA

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