A adoção do Worldwide Harmonized Ligh Duty Vehicles Test Procedure (WLTP) para homologação de consumos e gases de escape nos automóveis novos, marcada para 1 de setembro, encontra-se na origem de problema(s) na indústria, com muitas marcas obrigadas a abrandarem ou pararem a produção de carros, o que não deixará de penalizar as vendas-2018 na Europa. Em 2017, pelo 4.º ano consecutivo na região, crescimento das matrículas (na comparação com 2016, mais 3,7%), acima da barreira dos 15 milhões pela 1.ª vez desde 2007. Mas, por razões burocráticas e políticas, talvez tempestade após bonança...
Em 2017, apenas em projetos de desenvolvimento e investigação, o automóvel representou 53,8 mil milhões de euros (27% do investimento em R&D na União Europeia). Farmacêuticas e tecnológicas gastaram menos! Neste item, o Velho Continente arrasa a concorrência, posicionando-se no topo do setor, à frente de Japão (29,8 mil milhões), Estados Unidos (18,5 mil milhões) e China (5,4 mil milhões). A indústria, de forma direta e indireta, movimenta cerca de 13,3 milhões de pessoas, ou 6,1% da população ativa na Europa.
Recentemente, o Grupo VW reconfirmou o objetivo de continuar a acelerar em 2018, terminando o ano com mais automóveis vendidos do que em 2017, quando entregou mais de 10,7 milhões de viaturas em todo o Mundo (recorde!). Mas, admita-se, o cumprimento de norma antipoluição muitíssimo mais restritiva impõe trabalho de adaptação das mecânicas, ou desenvolvimento de geração nova de motores a gasolina e gasóleo. Números redondos, comparando-se WLTP e New European Driving Cycle (NEDC) da década de 1990, agravamentos de 30% tanto nos consumos de combustível, como nas emissões de dióxido de carbono (CO2), pois a segunda depende da primeira. Os alemães antecipam atraso na produção de tão-somente 250.000 carros, não mais, não menos. Todavia, a Porsche, retirou diversos modelos do catálogo, limitando-o durante o período de substituição de processos. Os custos conhecer-se-ão apenas no final do processo.
Na Opel, trabalhos de casa prontos a tempo e horas, ou quase: 14 meses antes do Euro 6D-TEMP abranger todos os automóveis novos matriculados na Europa (1 de setembro de 2019), a marca do consórcio PSA tem 79 motorizações aprovadas com recurso ao Real Driving Emissions (RDE), que confirma, na estrada, simulando-se a condução no quotidiano, os números do WLTP.