Carroça à frente dos bois, outra vez!

Exceção (outra...) às tarifas das portagens anunciada antes de acordo com as concessionárias

Opinião

Por José Caetano 17-09-2018 15:50

O Conselho de Ministros, no ponto 7 da reunião de 9 de agosto, aprovou o decreto-lei que procede ao ajustamento das classes 1 e 2 para efeitos de aplicação das tarifas das portagens por quilómetro de autoestrada. A alteração introduz exceção em legislação com muitas exceções, em benefício dos automóveis com peso bruto inferior ou igual a 2300 kg, altura ao primeiro eixo inferior a 1,30 m (mais 20 cm do que o máximo atual) e equipados com motores que cumpram a norma de emissões Euro 6. O regulamento fez-se sem acordos finalizados com as concessionárias. Desconhece-se o conteúdo da regra, mas antecipa-se obrigação de recurso ao pagamento eletrónico, com classe 1 reconhecida contra a apresentação do COC (Certificado de Conformidade Europeu). A carroça à frente dos bois…

A política, sem demagogia e hipocrisia, não é política – tanto cá dentro, como lá fora. A Comissão Europeia (CE) atacou indústria que representa emprego e progresso económico e tecnológico. Sim, muitos fabricantes expuseram-se aos caprichos de quem procura ganhar (ou não perder!) protagonismo, com a proteção do ambiente a recuperar mediatismo em setembro de 2015, com a denúncia da manipulação dos gases de escape em cerca de 11 milhões de modelos do Grupo VW com motores Diesel. 


O escândalo alertou(-nos) para falhas no protocolo de homologação, com laboratórios incapazes de refletirem a condução quotidiana, razão por trás do abismo entre os consumos de combustível anunciados e os reais. Impondo-se transparência na relação com os consumidores, fórmula nova para ponto final na ficção do NEDC da década de 1990.

O WLTP à vista aproximar-nos-á da realidade, mas originará incumprimento do limite de 95 g/km para a média de emissões de CO2 na frota de cada construtor, obviamente por imposição de Bruxelas. Até com o NEDC, missão impossível... A violação dos limites pagar-se-á com multas capazes de implodirem marcas. Mas, o saque precisa de sustentação... Garantiu-o a Federação Europeia dos Transportes e do Ambiente (T&E), que tem a CE como membro fundador, com acusação (grave) de manutenção da prática de manipulação dos testes – até após mudança do NEDC para o WLTP.


Mais: socorrendo-se de fórmula de cálculo incompreensível, confirmou fraude de 1,6 mil milhões de euros, no nosso País, desde 2000, em consumo extra de combustível, considerando os números dos fabricantes e os reais. Os alemães pagaram 36 mil milhões de euros a mais nos mesmos 18 anos e os espanhóis 12 mil milhões. Na Europa, o excesso foi de 150 mil milhões de euros. No mesmo relatório, conclui-se que as diferenças de desempenho dos automóveis nos exames laboratoriais e na condução quotidiana aumentaram de 9% em 2000 para 42% em 2016. Mas, afinal, quem manipula os números?! Indústria ou T&E?!

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