Os salões (quase) acabaram…

Festival de Velocidade de Goodwood e Semana Automóvel de Monterey muito mais atrativos

Opinião

Por José Caetano 09-09-2018 12:00

O facto, exposição após exposição, nota-se cada vez. Em Genebra, em março, faltas de comparência de DS e Opel/ /Vauxhall, dois emblemas do consórcio PSA Peugeot Citroën. Mas, aceleramos para 2019, para Detroit ou Genebra. O North American International Auto Show realizar-se-á pela última vez em janeiro – certamente com frio, gelo e neve, mas sem Audi, BMW e Mercedes-Benz (em 2020, data nova, a meio do ano, com clima menos extremo).

Já a exposição helvética, que mantém o estatuto de n.º 1 do Mundo, tanto no número de marcas representadas, como na introdução de automóveis novos, não contará com Ford e Volvo, pelo menos. E a explicação do fabricante sueco suporta as decisões de todos os construtores: «Necessidade de reorientação dos investimentos em comunicação e marketing em acontecimentos que garantam mais retorno, quer no plano mediático, quer na relação de proximidade com os clientes». E entre as fórmulas alternativas, Festival de Velocidade de Goodwood (Inglaterra) e Semana do Automóvel de Monterey (EUA) na linha da frente!

A Internet revolucionou a comunicação – sem retorno! –, devido à indisponibilidade para pagamento de conteúdos que encontramos de forma gratuita muito facilmente, aqui e acolá. Sacrifica-se a qualidade, pelo menos no capítulo teórico, pela impossibilidade de produzirmos mais com menos...

Também a relação das empresas com os clientes passa por processo de transformação. Por exemplo, no automóvel, exposições cada vez mais fora de moda, vide o Mondial de l’Automobile realizado em Paris, alternadamente com o IAA de Frankfurt, de dois em dois anos.
O início do certame na cidade-luz coincidiu com os primórdios do automóvel, no fim do Século XIX, originalmente nos Jardins de Tuileries. À época, 223 modelos apresentados, de Benz, Daimler, Panhard & Levassor e Peugeot, entre outros embriões de fabricantes de automóveis. Visitaram-no cerca de 140.000 curiosos.

O salão parisiense manteve-se fechado durante as duas Guerras Mundiais, mas regressou ao calendário dos certames de referência ainda na década de 1940, no Grand Palais. Depois, quer, a indústria, quer o comércio aceleraram rapidamente e o edifício construído para a Exposição Universal de 1900 tornou-se demasiado pequeno. E, assim, em 1950, Mondial transferido para a Porta de Versalhes, noutro ponto da capital francesa.

Este ano, na 88.ª edição do Mondial de l’Automobile, de 4 a 14 de outubro, mobilidade e tecnologia lado a lado com automóveis e motos. E depois dos «não» de Ford, Infiniti, Mazda, Nissan e Opel/Vauxhall, confirmação da ausência da Volkswagen, tão-somente a marca n.º 1 no Velho Continente! A marca alemã falha evento que registou recorde de visitantes em 2004: 1.460.830. Entretanto, Paris ganhou fama (e proveito…!) de capital europeia menos amiga da mobilidade privada, sobretudo sobre quatro rodas, impondo restrições cada vez maiores à circulação, para combater o trânsito caótico e a poluição do ar. Há dois anos, o certame no centro de exposições da Porta de Versalhes, recebeu o número mais baixo de visitantes em 16 anos: 1.072.697.

E a tendência é a regra, não a exceção!

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