O XXI Governo encontra-se em funções desde novembro de 2015. Os críticos do executivo de António Costa alertam para a reversão de muitas medidas adotadas pelo antecessor, Pedro Passos Coelho, sobretudo nos primeiros anos de mandato (2011, 2012…), devido a pressões de Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu e Comissão Europeia, consequência do socorro financeiro ao nosso País. A intervenção (quase) não deixou pedra sobre pedra e refletiu-se no quotidiano, de «A a Z». E as réplicas do terramoto não terminaram. Por exemplo, na segurança rodoviária, após anos de desinvestimento, reversão nos números na sinistralidade, com mais em vez de menos, ao contrário do que sucedeu em 2016!
Segundo os dados da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR), de 2010 a 2016, a sinistralidade em Portugal abrandou ano após ano. No entanto, quem pensou no fim do pesadelo tanto dos acidentes como das mortes, enganou-se! Em 2017, retrocesso em vez de progresso, com mais 2947 acidentes e 64 mortos, comparativamente a 2016.
Este ano, outra vez marcha atrás: de janeiro a agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado, registo de menos cinco mortos. No entanto, no frente a frente com aqueles oito meses de 2016, mais 48 (17%)! Os números de feridos graves e ligeiros aumentaram (7,5% e 1,8%, respetivamente). Comparando 12 meses (1 de setembro de 2016 a 31 de agosto de 2017 com 1 de setembro de 2017 a 31 de agosto de 2018), 505 mortes em sinistros rodoviários (mais sete).
Setúbal mantém-se no topo dos distritos com mais acidentes, com o excesso de velocidade e as manobras perigosas como causas principais dos sinistros. De 2017 para 2018, o número de mortos aumentou de 53 para 68 (+15%). Em Lisboa, 49 em vez de 45 (+4%). No Porto, travagem de 29%, de 78 para 49. Globalmente, 1,9% a mais nas vítimas mortais e 6,4% a menos nos feridos graves.
Preocupante é, igualmente, a incapacidade do Estado para impor o cumprimento das normas, devido à redução da fiscalização por falta de meios... Soma-se a não implementação de medidas anunciadas em janeiro (vide mais zonas dentro das localidades com limitação de velocidade a 30 km/h, considerando-se o crescimento de peões vítimas mortais entre janeiro e maio: 55 em vez de 49, ou mais 6). Simultaneamente, repense-se a formação da condução, melhorem-se infraestruturas sem manutenção, após anos de desinvestimentos e fiscalize-se e puna-se mais severamente!