Portagens rendem (muitos) milhões

Em 2017, o crescimento de 6,2% no tráfego rodoviário ‘encheu os bolsos’ das concessionárias

Opinião

Por José Caetano 31-08-2018 13:49

Outro exemplo de (alguma) bonança depois de tempestade, com recuperação económica como estímulo ao consumo dos portugueses, pelo menos temporariamente (e de forma mais moderada): em 2017, di-lo a Associação Portuguesa das Sociedades Concessionárias de Autoestradas ou Pontes com Portagens (APCAP), as taxas de circulação nas infraestruturas rodoviárias renderam mais de 1035 milhões de euros. Recorde de receita(s)!

O facto que mais contribuiu para os resultados milionários das 21 concessionárias de autoestradas e pontes com portagens, que gerem mais de 3000 quilómetros, foi o crescimento de 6,2% na circulação, na comparação com 2016. Os números de 2017 posicionam-se no extremo dos de 2012, quando foi registado o pior resultado em 10 anos, quando vivíamos sob vigilância financeira externa: então, a receita foi de apenas 628 milhões de euros.


Em 2018, considerando os resultados da Brisa, a concessionária n.º 1, com cerca de 1100 quilómetros de autoestradas, outro recorde, registando-se 2.º semestre igual ao 1.º. De janeiro a junho, mais de 4% de crescimento na circulação e 6,2% de aumento nas receitas com portagens, para 267,3 milhões de euros. O ano passado, com tráfego médio diário de 22.761 viaturas, 557,2 milhões de euros. Na 2.ª posição, Lusoponte, que gere apenas 25 km, com as concessões das duas pontes sobre o Tejo, 25 de Abril e Vasco da Gama. Em 2017, duas galinhas dos ovos de ouro renderam-lhe 78,9 milhões de euros. Na média de tráfego registada pela concessionária, 82.640 viaturas por dia. Impressionante.


O aumento das receitas resultou, diretamente, do crescimento do volume de tráfego. No início de 2018, a atualização anual de taxas abrangeu apenas 22% das portagens, com agravamento de 0,05 € na maioria dos casos, como impõe a legislação. Desconhecem-se os planos-2019, mas recorde-se que o parlamento aprovou projeto de resolução para diminuição de 50% nas taxas pagas pelas motos e o conselho de ministros anunciou a reclassificação de dezenas de automóveis – na Classe 1, carros (todos ou só os novos?) com 1,30 m de altura, na vertical do eixo dianteiro, em vez de 1,10 m (mais 20 cm), com pesos brutos até 2300 kg e motores homologados como Euro 6 –, após anos de ouvidos moucos às pressões do setor.


Mas, após decisão da PSA Peugeot Citröen de produzir comerciais ligeiros novos em Mangualde que pagariam Classe 2 sem intervenção governamental, o prato da balança inclinou-se.

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