A história ganha capítulo novo ano após ano, devido a incapacidade para imposição de mudança de rumo, da mesma forma que a taxa de natalidade é mais reduzida que a da mortalidade e Portugal ganha rugas atrás de rugas, posicionando-se no topo da lista de países com populações menos jovens. De acordo com dados da Associação Automóvel (ACAP), a idade média dos ligeiros de passageiros nacionais atingiu 12,6 anos em 2017. Tratando-se do registo mais alto de sempre, representa atraso, na comparação com os parceiros da União Europeia (UE), também no que respeita ao impacto na proteção do ambiente e na promoção da segurança rodoviária. Políticas de socorro, precisam-se!
Durante 2017, pela 1.ª vez, o parque automóvel português transpôs a barreira dos seis milhões de unidades, com os ligeiros de passageiros a representarem 80%. Mas, muito mais preocupante do que o aumento do número de viaturas, facto normalíssimo numa sociedade que passa por período de recuperação económica, após anos de crise(s), é o agravamento da idade média dos modelos da categoria mais importante, que acelerou para 12,6 anos. Em 2000, era de 7,2 anos. Em 1995, não excedia os 6,1 anos… E, assim, Portugal mais próximo dos países do Leste que do Ocidente, dentro e fora da UE, o que é sinal de retrocesso em vez de progresso.
Mas, encontramos mais números (muitos mais números!) inscritos nas «Estatísticas do Setor Automóvel de 2018» da ACAP. Por exemplo, os ligeiros de passageiros com 20 ou mais anos de idade aumentaram de cerca de 177.000 em 2010 para 777.000 em 2017. Na prática, simplificando-se as contas, um em cada seis automóveis em circulação no país têm mais de duas décadas – e andam, andam, andam…! Ainda assim, existem modelos mais velhos. Nos comerciais ligeiros, média de 13,7 anos. Nos pesados de mercadorias, 14,7 anos. Nos pesados de passageiros, 14,8 anos. E, neste caso, o Estado comporta-se como empresas privadas e particulares – do mal o menos? A idade média da frota com 25.640 viaturas, no final do ano passado, atingia os 15,3 anos.
O documento da ACAP também denuncia a existência de mais de 2,9 milhões de carros com idades acima dos 10 anos. Transpondo-se esta barreira, de acordo com as práticas no setor, o parque automóvel é classificado como velho, condição que exige… socorro. E os automóveis antigos ameaçam tanto o ambiente, como a segurança. E o problema, este problema!, tem soluções (conhecidas), como o incentivo ao abate de veículos em fim de vida que Portugal ignora desde 2010. Decisão política, sustentada, obviamente, pelas dificuldades económicas.
Encontrando-se a UE empenhada na promoção de mobilidade cada vez mais limpa – o que colocou a tecnologia elétrica no topo das agendas mediáticas e políticas… –, talvez devêssemos acelerar para o futuro. Já.