No OE-2019, mais do mesmo!

Novidade(s) na proposta: atualização (leia-se agravamento) do Imposto Sobre Veículos (ISV)

Opinião

Por José Caetano 26-10-2018 12:00

Na caminhada mais lenta do que rápida para a eletrificação do automóvel, muitas etapas intermédias, com os híbridos com recarga externa de baterias (Plug-In) entre as paragens. Vantagens da tecnologia: risco zero de ansiedade com a autonomia muito limitada do modo de condução que dispensa a ação da mecânica de combustão interna e o número reduzido de postos na rede pública. A inteligência do sistema controlado eletronicamente permite otimização da gestão da energia armazenada a bordo e a transformação dos propulsores a gasolina e gasóleo em geradores para recuperação dos acumuladores.


Na legislação atual, que a Proposta de Orçamento do Estado-2019 mantém, os híbridos Plug-In, percorrendo 20 km em modo elétrico, pelo menos, beneficiam de abatimento até 562,50 € na componente ambiental (CO2) do Imposto Sobre Veículos. Existem seis escalões para as emissões, tratando-se de automóvel a gasolina ou Diesel, e a taxa tem duas variáveis: a segunda incide na capacidade (cilindrada) das mecânicas.

Mudando do New European Driving Cycle (NEDC) para o Worldwide Harmonized Light Vehicle (WLTP) como protocolo de homologação de consumos e gases de escape – na proposta de OE-2019, inclusão de reduções percentuais no cálculo do ISV, nos automóveis avaliados de acordo com a fórmula nova, tentativa de cumprimento da promessa de impacto zero e neutralidade fiscal –, aproximação dos números publicados pelos construtores aos da condução quotidiana. Consequentemente, mais consumos e gases de escape, também no caso dos híbridos Plug-In.


Cá dentro e lá fora, com a introdução do WLTP, no 1.º dia de setembro, perdeu-se mais-valia dos carros equipados com esta tecnologia, principalmente nos países que dispõem de incentivos à compra de automóveis novos com as emissões de CO2 abaixo de 50 g/km. Não é o caso de Portugal, que apoia tão-somente a aquisição de elétricos e, ainda assim, de forma limitada, pretendendo-se, verdadeiramente, estimular a mudança de paradigma no automóvel. Na Europa, a substituição de protocolo provocou até paragem na produção de nove dos 10 híbridos Plug-In mais vendidos no 1.º semestre de 2018. Os registos, nos primeiros oito meses do ano, na comparação com o mesmo período de 2017, aceleraram 48%, para 125.000 carros. Depois, ponto final na procura! Solução: aumento da autonomia elétrica, com desenvolvimento da tecnologia das baterias – ou a introdução de baterias maiores. Na Mercedes-Benz, no 2.º semestre de 2019, lançamento de versão do GLE capaz de percorrer até 100 km em modo elétrico, de acordo com o protocolo de homologação novo. 

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