No automóvel, o ‘pesadelo’ Brexit

A 29 de março, não acontecendo marcha atrás, Reino Unido ‘abandona’ a União Europeia

Opinião

Por José Caetano 08-03-2019 12:45

O ano passado, Portugal ficou próximo da barreira dos 300.000 automóveis fabricados, por muitíssimo pouco não entrando no clube dos países importantes no mapa de indústria que garante empregos e gera riqueza. Mas, ainda mais importante do que aquela classificação, é o impacto da atividade industrial na economia, nomeadamente no capítulo da balança comercial: das 294.366 viaturas produzidas cá dentro, só 8693 foram vendidas no mercado nacional. Portanto, 97% destinaram-se à exportação, com a Alemanha no topo da lista, com quota de 21,4% – o peso da VW Autoeuropa sente-se, ou não representasse a fatia maior do bolo, com recorde de 224.000 carros em 2018 (crescimento de 103%, no frente a frente com 2017)!


Analisando a lista de destinos da produção automóvel made in Portugal, outro facto importante: o Reino Unido encontra-se em 4.º (10,7%), atrás de França (15,4%) e Itália (12,2%), mas à frente da Espanha (9,3%) e da China (2,1%), n.º 1 mundial no comércio e na produção. Logo, mesmo registando-se crescimento de 63% no fabrico de viaturas no nosso país, na comparação com 2017, ao ponto de montarmos mais carros do que compramos (em 2018, 273.250 unidades vendidas), exposição preocupante ao impacto do Brexit...


Mantendo-se a contagem decrescente (existem cada vez mais pressões para o adiamento do processo para 2021 ou convocação de referendo novo, devido aos perigos incríveis do salto no desconhecido, nos dois lados da barricada), Reino Unido fora da União Europeia no dia 29 de março.


Só a astrologia tem a pretensão de antecipar o futuro, mas os riscos do divórcio sem acordo são mais do que evidentes, quer para o Reino Unido, quer para todos os membros da União Europeia. A economia globalizou-se, tornando os países híper dependentes dos parceiros comerciais (ou das decisões políticas dos vizinhos, amigos ou não...). Confirmando-se a saída descontrolada, crise com consequências inimagináveis. E o vírus da recessão é muito, muito contagioso. 


Eis o que sabemos: na dúvida, a Honda anunciou o ponto final nos investimentos industriais que mantém em Inglaterra desde 1989, com o encerramento de Swindon em 2021... Com a decisão, eliminam-se linhas de montagem tanto de automóveis como de motores e perdem-se mais de 3500 postos de trabalho! Na Grã-Bretanha, não acontecia nada igual desde o colapso do Grupo Rover, em 2005, que deixou sem emprego mais de 6500 pessoas.

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