O Ministério do Ambiente, no Roteiro para a Neutralidade Carbónica, necessário para o cumprimento dos compromissos assumidos por Portugal em 2015, em Paris, na Cimeira do Clima, ignorou o automóvel, o que não impediu o dono da pasta, Matos Fernandes, de acabar com os motores a gasóleo. Mas, mais grave do que a imprudência da palavra, promove-se a importação de usados, mais vezes lixo que alemães & Cia. não querem do que novos ou seminovos. Pior, apenas na região leste do Velho Continente...
No Século XV, o francês François Rabelais (1494-1553) escreveu frase que mantém atualidade: «A ignorância é a mãe de todos os males». Os Diesel modernos não são só limpos... Eliminando-os, como Matos Fernandes antecipou, cumprimento dificílimo (impossível...) das regras europeias antipoluição mais restritivas, sobretudo do CO2, que depende dos consumos. Comparadas com os motores a gasolina, mecânicas a gasóleo 15% mais eficientes. Científica, política e socialmente, argumentação errada.
Concentremo-nos nos factos… À ignorância/desconhecimento do Ministro, somam-se a desorientação e o contrassenso de executivo governamental cego, surdo e mudo às reclamações/recomendações de setor muito relevante economicamente: em 2018, volume de negócios de 13,4 mil milhões de euros e, na comparação com 2017, crescimento de 68% na produção, para 294.000 viaturas, 97% reencaminhadas para a exportação.
O ano passado, nas vendas de ligeiros de passageiros, igualmente na comparação com 2017, aumento de 2,8%, para 228.327. A procura de Diesel abrandou, de 61% para 53%, mas as mecânicas a gasóleo mantêm-se populares, também nos usados importados, que atingiram as 77.241 unidades (o equivalente a 33,8% das matrículas de novos!). Em 12 meses, crescimento de 17% nestes registos, resultado muito acima da média do mercado de novos. Os números impressionam-nos ainda mais quando comparamos 2018 com 2010: +223%!
Os Governos nunca admitiram a reintrodução do plano de incentivo ao abate de veículos em fim de vida que produziu resultados excecionais até 2010. No entanto, em 2017, incapaz de resistir à pressão da Comissão Europeia, produziu alteração legislativa que escancarou as portas do nosso País à entrada de carros mais velhos, com a extensão da idade dos usados beneficiários da redução no Imposto Sobre Veículos, de cinco anos para 10 ou mais, mesmo aplicando-a só à componente cilindrada. Os mais velhos pagam menos... 80%!
Assim, estimulando-se a importação de usados, quase sempre com mais anos do que menos, impede-se a renovação de parque automóvel com 12,6 anos de média – 21,6, no caso dos veículos entregues para abate (Valorcar). Estima-se que circulam, nas estradas nacionais, cerca de 700.000 viaturas com 20 anos ou mais, incluindo transportes de passageiros. Sobre poluição e segurança, conversados...!