Ataque a automóvel e automobilistas?

No quarto Orçamento do Estado das ‘esquerdas’, compra, propriedade e utilização penalizados

Opinião

Por José Caetano 02-11-2018 12:00

Repito o que escrevi há pouquíssimas semanas, não por preguiça, mas por saturação da insistência no ataque ao automóvel e aos automobilistas! O quarto Orçamento do Estado das esquerdas não é diferente dos anteriores, nem de nenhum dos documentos que os antecederam, das direitas, tratando-se da compra, propriedade ou utilização de viaturas, independentemente de figurarmos no topo de tabelas que significam retrocesso em vez  de progresso.


A idade média dos automóveis ligeiros de passageiros nacionais atingiu 12,6 anos durante o ano passado. Tratando-se do registo mais alto de sempre, representa atraso, na comparação com os parceiros da União Europeia (UE), também no que respeita ao impacto da velhice na proteção do meio ambiente e na promoção da segurança rodoviária, dois temas que não entram na agenda política, mesmo argumentando-se o contrário!


Durante 2017, pela primeira vez, o parque automóvel português transpôs a barreira dos seis milhões de unidades, com os ligeiros de passageiros a representarem 80%. Mas, muito mais preocupante do que o aumento do número de viaturas, facto normalíssimo numa sociedade que passa por período de recuperação, após anos de crise(s), é o agravamento da idade média dos modelos da categoria mais importante, que acelerou para 12,6 anos. Em 2000, era de 7,2 anos. Em 1995, não excedia os 6,1… Portugal mais próximo dos países do Leste que do Ocidente, dentro e fora das fronteiras da UE.


Também preocupante: segundo as «Estatísticas do Setor Automóvel de 2018» publicadas pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), aumento de 177.000 em 2010 para 777.000 em 2017 do número de ligeiros de passageiros com 20 ou mais anos de idade. Na prática, simplificando-se as contas, um em cada seis automóveis em circulação no país têm mais de duas décadas – e andam, andam, andam! A mesma entidade denuncia a existência de mais de 2,9 milhões de carros com idades acima dos 10 anos. Transpondo-se esta barreira, o parque automóvel é... velho. Os automóveis antigos ameaçam tanto o ambiente, como a segurança. E o problema, este problema!, tem soluções (conhecidas), como o incentivo ao abate de veículos em fim de vida ignorado desde 2010. E isto agravar-se-á durante o próximo ano: na proposta de Orçamento do Estado-2019, mais do mesmo: aumentos de impostos.


Encontrando-se a UE empenhada na mobilidade limpa, com a tecnologia elétrica no topo das agenda política, Portugal vira as costas ao futuro. 

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