Nas vendas, ora mais, ora menos

Na Europa, em setembro, SUV representaram 36,4% dos registos e Diesel 32,9%. Dois recordes!

Opinião

Por José Caetano 10-11-2018 11:00

O resultado não surpreendeu, mas é alerta para os reguladores (leia-se responsáveis políticos). O automóvel, considerando-se produção, comércio, manutenção ou utilização, influencia negativa e positivamente o comportamento da economia europeia – logo, de forma direta, o nosso bem-estar. Alarme, por isso: em setembro, maior declínio mensal da década nas vendas de viaturas novas (23,4%), na comparação com o período homólogo do ano passado. Os números são da JATO Dynamics, que analisou 27 mercados da região…


Entre as explicações para a travagem, depois do melhor agosto em 20 anos, com crescimento de 38%, para 1,17 milhões de automóveis, também na comparação com 2017, escoamento de stocks e antecipação de compras estimulada pela imprevisibilidade do impacto da introdução do WLTP, protocolo para medição e homologação de consumos e gases de escape substituto do NEDC da década de 1990. Em muitos países, como o nosso, alteração refletida nos preços, por via da fiscalidade. Aproximando os números  anunciados dos reais, da condução quotidiana, registos piores, sobretudo os das emissões poluentes. E, assim, em Portugal, expetativa de (mais) aumentos.


Com o WLTP, mais mudanças, algumas inesperadas e surpreendentes, talvez por apenas 57% dos automóveis comercializados no continente disporem de homologação nova, no início do mês. Por exemplo, PSA Peugeot Citroën, consórcio com português ao leme (Carlos Tavares), no topo do ranking dos maiores construtores na Europa, à frente do Grupo VW, n.º 1 há oito anos consecutivos! Os alemães ainda procuram fórmula para estancarem a hemorragia provocada pelo escândalo da manipulação de gases de escape em 11 milhões de Diesel, conhecido desde setembro de 2015!


Não por acaso, em setembro, quota de mercado das mecânicas a gasóleo no nível mais baixo de sempre, com 32,9%, consequência de travagem de 40% no volume de vendas. Em contrapartida, mudança de paradigma em marcha, com híbridos e híbridos Plug-In a acelerarem 12,7% nas matrículas, para quota recorde de 7,9%.


Não menos surpreendente… Por marcas e modelos, à frente das duas tabelas, respetivamente, Opel/Vauxhall e Corsa. Quer os dois emblemas, quer o segmento B da PSA! E o fenómeno dos Sport Utility Vehicles (SUV) impressiona-nos cada vez mais. Combinando segmentos, representaram 36,4% das vendas de automóveis novos em setembro. O ano passado, no mês homólogo, o formato automóvel da moda representou 31,7% das matrículas. Na categoria, o modelo que mais acelerou produz-se em Portugal, na fábrica da VW em Palmela: o T-Roc.

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