Não parece exagerado ou desajustado considerar-se a proposta de Orçamento do Estado (OE) de 2019, já aprovada na generalidade, como positiva para o setor automóvel, na medida em que não prevê mais medidas gravosas para os consumidores e utilizadores de viaturas, que se têm sucedido há vários anos. Porque a redução da taxa adicional ao ISP (que será determinada por portaria) e a correção dos critérios da classe 1 de portagens, como diria um treinador de futebol, são 'peeners'. A disponibilidade do Governo e de toda a classe política para atenuar a esmagadora e desmesurada carga fiscal sobre o automóvel continua nenhuma.
Não surpreende. São receitas garantidas e inabaláveis, desde que não venha uma crise financeira ao país com a dimensão da de 2010-14. Há mais portugueses que adoram automóveis do que deles dependem e mesmo contra os preços inflacionados dos combustíveis, como diria um banqueiro, ai aguentam, aguentam! Assim, não é preciso ser o Ronaldo das Finanças para gerir o manancial de receitas da fiscalidade do setor automóvel. Mas torná-la mais justa, até um tosco conseguiria.
Todavia, amiúde somos despertados – ou melhor, esbofeteados – para a dura realidade que nos desafia os limites da tolerância. O mais recente abre olhos – sendo impossível fechá-los, a imutabilidade do sistema tende a semicerrá-los – vem de um estudo do site de comparação de preços britânico comparethemarket.com, que calculou os custos com a aquisição e utilização durante um ano de um automóvel – incluindo seguros, combustível e impostos – , tomando como referência os modelos mais representativos de seis segmentos, em 24 países do mundo.
Adivinhe-se que país se destacou entre os que impõem mais despesas ao automobilista? Nem segunda tentativa será necessária para acertar em Portugal. No nosso país, o custo de aquisição e posse durante 12 meses de um VW Golf, o modelo-exemplo no estudo The Global Car Index no segmento dos compactos, é o mais elevado de todos os mercados visados, com 21.101 € (parece-nos valor estimado por defeito). Na Alemanha, a maior economia da Europa e onde o salário médio é mais de três vezes o de Portugal, bastam 15.259 €. Na vizinha Espanha, 16.849 € e na nossa até há pouco tempo tristemente comparável Grécia, apenas 14.334 €. Mas não só. Também nos SUV do segmento do VW Tiguan, são os portugueses que pagam mais: 28.391 €. Na Alemanha e Espanha, tão-só 22.387 e 22.628 €, respetivamente.